quinta-feira, 12 de abril de 2012

Craques: Alexi Lalas

Foto: Who ate all the pies.tv
Cabeludo, xerife e precursor dos tempos de MLS nos Estados Unidos, Lalas foi sim um ícone norte-americano que fez seu país começar a ter gosto pelo soccer

Panayotis Alexander Lalas, ou Alexi Lalas, foi um grande beque americano dos anos 1990. Com seus longos cachos e barba ruiva, ficou conhecido como “A grande esperança vermelha” pelos norte-americanos que admiravam o soccer.

Astro da equipe de 1994 que foi derrotada em casa para o Brasil na Copa do Mundo, Lalas não era só mais um rostinho bonito na cabeça de zaga yankee. Mesmo porque sua aparência era a de um bode tingido. Após o Mundial dos EUA, Lalas foi contratado pela Padova, que à época disputava a Serie A, em 1994-95. Suas boas atuações e gols de falta chamaram a atenção de clubes de seu país natal. Seguro na defesa, era bem cotado em equipes de maior projeção.


A MLS precisava de estrelas, e Lalas foi uma delas
A Major League Soccer, MLS, estava começando a franquia, muitos anos depois de ter contado com Pelé, Franz Beckenbauer, Johann Cruyff, Carlos Alberto Torres, entre outros. A velha North American Soccer League (NASL) estava à beira da falência. Novos times estavam sendo montados. A imagem de Lalas é intrinsecamente ligada à reestruturação do futebol americano. 

É justo dizer que ainda hoje a liga não é tão forte quanto o dinheiro injetado supunha que seria, mas craques de nível internacional têm desembarcado na terra do Tio Sam para abrilhantar os jogos. David Beckham, Thierry Henry e Fredrik Ljungberg são grandes exemplos disso.

Alexi jogou nos juvenis do Arsenal, antes de ter sido negociado com a Padova, em 1995. Voltando aos EUA, envergou as camisas de New England Revolution, New York MetroStars (hoje Red Bulls), Kansas City Wizards e Los Angeles Galaxy. No último, encerrou a sua caminhada com grande estilo e excelentes atuações. 

Foto: Bleacher Report
O dirigente Lalas
Ganhou tanta importância que já foi presidente do clube onde David Beckham e Landon Donovan brilharam por tanto tempo. Entretanto, foi demitido do cargo em 2008 por não concordar com a gestão de um grupo empresarial que controlava o L.A.

Como homem multimídia, o ex-barbudo ainda foi guitarrista e vocalista da banda Gypsies, sem mencionar seus projetos solo. O estilo musical da banda, mais óbvio ainda, era Rock’n Roll. 

Por fim, foi apresentador de programas esportivos e atualmente é comentarista da MLS, pela ESPN e ABC. A parte engraçada de todos esses anos é que Lalas foi de bode a galã com o corte de suas madeixas. Quem acompanha as transmissões em que ele está presente não crê quando o GC mostra seu nome.

Ícone nas Copas de 1994 e 1998, o grandão foi imortalizado na edição especial do game da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. A EA Sports, produtora do joguete, montou duas seleções com craques dos mundiais. Ao lado de Zico, Zbiegniew Boniek, Georghe Hagi, Marius Tresòr, Giacinto Facchetti e muitos outros, estava aquela figura emblemática: um cara que lembra muito o jeito hippie de ser, mas que com algum senso de moda ou de amor próprio virou outra pessoa com apenas algumas tesouradas. 

O próprio Lalas observou sobre seu personagem, durante a festa do lançamento do jogo nos EUA, que “o retrato foi fiel, mas não deixou de ser assustador”. Alexi Lalas, o mito, que, acima de tudo, tinha em vista o quanto era bizarro quando em evidência.


Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.


No twitter, @portesovic.

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