domingo, 1 de abril de 2012

Desafortunados: Juan Esnáider

Esnaider está no top 5 do campeonato mundial de flops
do futebol europeu (Futebol daragon)
Felipe Portes, @portesovic
Do Charme da Paulista-SP

Atacante que não tinha lá muito o hábito de marcar gols, Juan Esnáider é um grande exemplo de flop persistente, aqueles que rodam pelo planeta sem completar um número convincente de partidas. Argentino nascido em Mar del Plata no inglório ano de 1973, começou sua carreira no Ferro Carril Oeste, em 1990. Revelado juntamente com Germán Burgos, o rapaz logo foi chamado ao Real Madrid B, que durante aquela década investia em jovens estrangeiros na sua base. 

Naquele tempo, Esteban Cambiasso, Dejan Petkovic, Iarley, César Prates e Rolando Zárate integravam as camadas juniores do Real, Juan foi traçando um caminho interessante na base merengue. Promovido à equipe principal, pouco contribuiu e foi banco durante a maior parte do tempo. Neste intervalo, venceu uma Copa do Rey, em 1993. Após três anos alternando entre os reservas e titulares, foi repassado ao Zaragoza ainda em 93, onde teria seu maior brilho na carreira.

Em La Romareda, levantou o caneco da Taça das Taças UEFA e da Copa do Rei em 1994 (é muita taça, cara). Seus números foram impressionantes: em 61 partidas anotou 29 tentos. Era o suficiente para credenciar o argentino como um dos nomes fortes no mercado europeu. Retornou ao Real Madrid em 1995, no entanto amargou nova fase como mero esquenta bancos. Um ano depois, foi para o rival madrilenho do Vicente Calderón. Queria retomar os bons tempos como a referência goleadora no recinto colchonero. 

Foto: El Cuadrilátero
Nova era para Esnáider no Atlético em 1996: entrou em campo 35 vezes, marcou 16 gols. Óh, ele é competente, óh, é o novo Batistuta, ah, terror, Esnáider matador, gritavam os fãs do rapaz que tinha a aparência daqueles atores mexicanos de cinema underground. Não deixaria Madrid antes de protagonizar uma pataquada que custaria caro. Contra o Ajax, nas quartas de final da Liga dos Campeões em 1997, errou um pênalti decisivo e no rebote deu um carrinho por trás em Richard Witschge. Por sorte, só levou amarelo, mas a vaga foi para os holandeses e não dificilmente isso pode ter resultado na decisão da diretoria rojiblanca em não renovar seu contrato de empréstimo.

Facilmente confundido com Lorenzo Lamas ou qualquer outro cara que tenha feito filme de porrada nos anos 90, Juan deixou o Calderón e partiu para o Espanyol, em 1997. Sua primeira temporada no clube periquito foi honrosa. A seguir, disputou apenas metade da temporada 1998-99 e foi para a Juventus, onde passaria vergonha. Envergando a camisa 9 bianconera, Esnáider jogou 26 vezes em quase três anos e foi às redes apenas em duas oportunidades. O fracasso vestindo o manto juventino fez com que ele acertasse o retorno ao Zaragoza, já em 2001. 
Ninguém lembra que ele esteve na Juve,
mas para todos os efeitos, eis uma prova
(Juventus Area)
Passado o tempo na Itália, nosso Desafortunado retornou ao lugar onde foi mais feliz. O Zaragoza voltou a vencer a Copa do Rei em 2001, com grande ajuda de Juan, que marcou 11 vezes em 17 oportunidades. Aí então pensou com seus botões: ora, por que não aceitar esta oferta interessante do Porto? Queria ser ídolo num dos grandes europeus, brigar por títulos nacionais, coisa que não conseguiu na Juventus. 

Disputou apenas três jogos pelo Porto e passou em branco por um semestre. Em 2002 recebeu um convite do River Plate para voltar à Argentina e somou nove aparições na campanha vitoriosa do Clausura daquele ano. Também deixou os Millonarios sem balançar as redes. Assinou com o Ajaccio em 2002/03 e ficou mais seis meses na França: nada. Foi no Real Múrcia que teve uma boa sequência, mas 17 atuações constrangedoras e um gol (solamente) serviram para adiantar sua aposentadoria. Fez 10 jogos pelo Newell´s Old Boys, um mísero gol e pendurou suas chuteiras.

Um indício sobre sua franca decadência como atleta é o fato de nas suas três últimas temporadas, marcou apenas dois gols. E assim se encerrou de forma melancólica a carreira do atacante Juan Esnáider, que teve seus quinze minutos de fama na Juventus, mas não aproveitou como poderia. Será sempre lembrado pelos torcedores do Zaragoza pelos seus imp... bem, talvez nem seja. 


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