terça-feira, 17 de abril de 2012

Fomos campeões: Olympique Marseille 1992-93

Foto: Pari-et-gagne
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

O protagonista desta semana na Fomos campeões não foi destronado de qualquer forma, como grandes formações vitoriosas em campo. Quem acompanha futebol europeu está cansado de saber que mesmo com esquadrões quase perfeitos, a tarefa de ser campeão continental de forma consecutiva é dura. Que diga o Barcelona de Romário e Stoichkov, o Manchester United de Cristiano Ronaldo, o Barcelona de Lionel Messi e até a Internazionale de Eto´o.

A saga dos marselhanos começou em 1986, com o presidente Bernard Tapie, eleito na oportunidade. Com investimentos faraônicos, Tapie foi gastando o quanto podia para montar um grande time, praticamente do zero. Mal sabia ele que estava iniciando uma tendência no futebol europeu. Hoje grande parte dos clubes pequenos (não que fosse o caso do Olympique) conta com ricaços em seus cargos mais poderosos.

A cada temporada que se passava, o elenco transmutava, e até o primeiro título da Liga Francesa de sua gestão, foi preciso apenas dois anos. A primeira época em que tinha a nova diretoria, terminou com uma segunda colocação, atrás do Bordeaux, com quatro pontos a menos do que a equipe campeã. Karl-Heinz Forster, François Domergue, Alain Giresse e Jean-Pierre Papin foram os principais novos destaques dentre o grupo.

Em 1987-88, Yvon Le Roux, Abedi Pelé, Benoít Cauet, Bernard Genghini e Klaus Allofs chegaram para dar segmento ao processo de fortalecimento do selecionado marselhano. Todavia, muito dinheiro e muitos jogadores não entrosados, acabaram minando as chances do Olympique na temporada, que terminou apenas na 6ª posição, tendo o Monaco como grande vencedor da Liga.

Foto: lvironpigs
O primeiro triunfo celeste, e tecnicamente de Tapie, também, veio em 1988-89, superando o PSG por dois pontos. Astros como Alain Boghossian, Eric Cantona, Gaetan Huard e Franck Sauzée chegaram e conseguiram fazer a diferença. Com isso, o Olympique ganhou a chance de disputar a Liga dos Campeões no ano seguinte, e não fez feio. Bateu o Dinamo Tirana, Lech Poznan, e o Milan nas quartas-de-final. Com um plantel “estelar”, não era lá uma grande surpresa o progresso francês na Liga. A semifinal não foi desafiadora, e o Spartak Moscou foi a última presa fácil, tanto na ida quanto na volta. Por 3-1 e 2-1, respectivamente.

Na primeira grande decisão continental do Olympique, em 1990-91, a torcida foi em peso até o estádio San Nicola, em Bari, para prestigiar o cotejo contra o Estrela Vermelha, valendo a “coroa” de melhor time europeu da temporada. Um duelo especial para Dragan Stojkovic, meia/atacante iugoslavo que foi formado no clube sérvio e agora alinhava pelo Marseille. Stojkovic acabou entrando somente na segunda etapa de uma decisão dramática. Um 0-0 levou o confronto para as penalidades, vencidas por 5-3 pela agremiação alvi-rubra do Estrela Vermelha.

Derrota para o Estrela Vermelha adiou o sonho alviceleste na LC
Foto: Minhas camisas
O ano seguinte não reservou surpresas europeias para o Marseille, que caiu logo na segunda fase, perdendo para o Sparta Praga, na temporada 1991-92.

Finalmente sopraram bons ventos na época seguinte. Chegaram ao elenco: Fabien Barthez, Jocelyn Angloma, Marcel Desailly, Martín Vázquez, Didier Deschamps, Jean-Marc Ferreri, Alen Boksic, François Omam-Biyik, Rudi Völler, além dos já estabelecidos Mozer e Chris Waddle. Em 1992-93, a caminhada na LC começou contra o Glentoran, sem grandes dificuldades, os franceses atropelaram o time da Irlanda do Norte, com duas vitórias, uma por 5-0 e outra por 3-0. Na segunda fase vieram os romenos do Dinamo Bucareste, que venderam caro a classificação, com um empate sem gols na ida e uma derrota por 2-0 na França, selando o avanço marselhano para a fase de grupos.

Eram duas chaves com quatro clubes, o melhor de cada uma avançaria para a grande final, a ser jogada no Olímpico de Munique. O Marseille fez 9 pontos, com três vitórias e três empates (a vitória somava apenas dois pontos). Com a primeira posição dentre Rangers, Club Brugge e CSKA Moscou, nossos protagonistas conquistaram o direito de enfrentar o Milan na final.

No dia 26 de maio de 1993, a Liga dos Campeões seria decidida. O estádio lotou para o espetáculo. Alinharam pelo Marseille: Barthez, Boli, Angloma, Desailly, Eydelie, Di Meco, Deschamps, Sauzée, Boksic, Pelé e Völler. Pelo lado rossonero: Rossi, Tassotti, Maldini, Baresi, Costacurta, Rijkaard, Donadoni, Lentini, Massaro e Van Basten.

Foto: AC Milan blog
Foi uma peleja assaz disputada, com muita solidez apresentada pelas duas defesas, apesar dos lances perigosíssimos. Pelo Milan, Massaro e Van Basten não estavam se entendendo. Em um contra-ataque, o italiano correu com a bola em direção à área de Barthez, sozinho e com Van Basten em posição legal. A tentativa foi por água abaixo quando ele demorou para realizar o passe, dando tempo para os marselhanos se recompor. O Olympique também teve a sua chance de abrir o placar, com Völler e Boksic, mas o croata não acertou o alvo no rebote dado por Rossi.

Aos 44’ do primeiro tempo, Pelé recebeu passe de Sauzée e conduziu a pelota até a linha de fundo, onde tentaria achar um companheiro livre. Antes disso, Maldini conseguiu o desarme botando a bola para escanteio. O mesmo Pelé foi para a bola e acertou na medida para Boli subir mais que o defensor milanista e fazer o único tento da tarde/noite alemã. 1-0 Marseille, que só administrou a vantagem, com o excelente Barthez em grande atuação. Ao apito final, Deschamps levantou a taça e fez com que sua equipe fosse a única francesa a conseguir o título da Liga dos Campeões, até os dias atuais. O adversário no Mundial Interclubes seria o São Paulo, se a Federação Francesa não tivesse descoberto um esquema nas jornadas finais do Campeonato Francês daquela temporada.

O Olympique também venceu a sua liga doméstica, mas com ressalvas. Em 1994, foi revelado que alguns jogadores do Valenciennes, adversário dos celestes na reta final da competição nacional, teriam sido abordados pelo meia Jean-Jacques Eydelie, de forma que “não oferecessem resistência para a vitória, que jogassem limpo, evitando contundir os atletas do OM”, que estavam às vésperas do embate contra o Milan. Entre o grupo que revelou o suborno, estava Jorge Burruchaga, campeão do mundo em 1986 com a Argentina, que à época era um dos principais nomes do Valenciennes.

Foto: Top-people
O escândalo ficou conhecido como “L´affaire VA-OM” em alusão aos dois envolvidos. E é preciso dizer que a punição foi severa para os marselhanos: cassação do título francês de 1992-93, rebaixamento para a Segunda divisão, (onde teve de permanecer por dois anos) impossibilidade de disputar o Interclubes de 1993, SuperCopa Europeia de 1993 e a Liga dos Campeões 1993-94. O rebaixamento foi ocasionado por irregularidades fiscais que se somaram a todo o caos.

O presidente em questão, Bernard Tapie, foi condenado por cumplicidade em corrupção, além de suborno de testemunhas, entre outros crimes como sonegação de impostos. Estranhamente (ou não) Tapie ficou na cadeia por apenas seis meses, durante o ano de 1997, e anos depois se filiou ao Partido Radical de Esquerda na França. 

Jogos
1a Rodada
Glentoran 0-3 Marseille
Marseille 5-0 Glentoran

2a Rodada
Dinamo Bucareste 0-0 Marseille
Marseille 2-0 Dinamo Bucareste

Grupo A
Rangers 2-2 Marseille
Marseille 1-1 Rangers
Marseille 3-0 Club Brugge
Club Brugge 0-1 Marseille
CSKA 1-1 Marseille
Marseille 6-0 CSKA

Final, 26 de maio de 1993 - Olímpico de Munich (Olympiastadion)
Marseille 1-0 Milan



Olympique De Marseille / A.C Milan Finale... por

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