quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fomos campeões: Schalke 1996-97

Foto: Euro Cup history
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Primeiro título internacional do Schalke, a Copa UEFA de 1996-97 ainda é lembrada pelos alemães em função do triunfo sobre o grande esquadrão que era aquela Internazionale. Sem possuir um plantel brilhante, valeu a união dos jogadores e o excelente trabalho de Huub Stevens à frente dos azuis reais. 

Terceiro colocado na Bundesliga de 1995/96, a agremiação de Gelsenkirschen ganhou vaga direta na 1a rodada, depois da 1a pré-eliminatória e da fase de classificação. Ainda funcionando em formato mata mata, concorrentes que tivessem consistência poderia ir longe, e foi justamente o que Stevens e seus pupilos fizeram naquele ano.

Sediando seus compromissos no Parkstadion, fechado em 2001 o Schalke mostrava força para uma arrancada histórica. Debaixo das traves, Jens Lehmann. Na defesa, o ídolo Olaf Thön, Yves Eigenrauch, Thomas Linke e Johan De Kock. Radoslav Látal era o volantão, resguardando e apoiando Andreas Müller (não, AQUELE era Andreas Möller, ídolo do Dortmund), Ingo Anderbrügge, Jiri Nemec e Mike Büskens. O tanque Marc Wilmots, ao lado de Martin Max, formava a costumeira dupla de ataque. 

Linke e Wilmots, matador azul real na edição
1996-97 da Copa UEFA (News.de)
O primeiro adversário foi o Roda JC, que não resistiu ao estilo de jogo germânico na primeira perna e levou 3-0, com dois de Wilmots e um de Youri Mulder, para tentar reverter na Holanda. Um empate em 2-2, (com gols de David Wagner e Wilmots) eliminou os negroamarelos dos Países baixos e abriu caminho para o Schalke enfrentar o Trabzonspor a seguir. 

Diante de mais de 50.000 torcedores, o Schalke sofreu para fazer 1-0 nos turcos. Max marcou o tento solitário na noite de Gelsenkirschen restando apenas 14 minutos para o apito final. Quem esperava nova retranca dos otomanos do Trabzonspor se surpreendeu com o duelo de volta no Huseyin Avni Aker. Shota Arveladze, aquele, diminuiu o estrago causado por De Kock, que havia marcado duas vezes. Hami Mandirali empatou e virou para o time da casa aos 71, mas Max, decisivo, igualou o placar dois minutos depois e deu a vaga aos alemães.

Pela frente, agora era o Club Brugge, no Jan Breydel Stadion. Com os belgas, vinha o primeiro revés azul real na competição. Mario Stanic inaugurou os trabalhos, Büskens empatou no começo do segundo tempo e Robert Spehar colocou os blauw zwart em vantagem para o confronto fora de casa. Entretanto, Max e Mulder não deram chance aos rivais de Bruxelas e o 2-0 serviu para que o Schalke progredisse até as quartas de final contra o Valencia.

A missão de derrotar Los Che não foi tão difícil quanto o imaginado. Linke e Wilmots fizeram os gols num cotejo pouco movimentado e de muita marcação por parte dos espanhóis. No Mestalla tivemos um confronto mais acirrado. Schalke saiu na frente com Mulder e Alberto Poyatos empatou para o Valencia antes do intervalo. Huub Stevens teve aquela conversinha com os seus comandados e a tarefa era uma só: evitar a virada. Dito e feito, germânicos nas semis contra outra equipe ibérica. O Tenerife de Francisco Rojas, Aurelio Vidmar, Slavisa Jokanovic e Oliver Neuville chegava embalado com vitórias sobre Maccabi Tel-Aviv, Lazio, Feyenoord e Brondby, certamente tinha bons motivos para estar naquela fase.

Prorrogação contra o Tenerife foi o primeiro dos testes para cardíaco envolvendo
o Schalke naquela Copa UEFA (Europa en juego)
Logo aos seis minutos de jogo no Heliodoro Rodriguez Lopez, Felipe Miñambres (aqueeele Miñambres se chama Oscar, não confundir) anotou numa penalidade o gol que colocaria a equipe das Ilhas Canárias na frente pela vaga na grande final. Os visitantes alemães não conseguiram passar pela barreira defensiva armada e sofreram os 90 minutos para marcar. Saindo de Santa Cruz do Tenerife com 1-0 contra na mala, era preciso foco para evitar novas e maiores dificuldades jogando em casa.

O equilíbrio marcou o encontro no Parkstadion. Sabendo que o empate era dos visitantes, o Schalke se lançou à frente e precisava balançar as redes para ao menos levar a decisão para o tempo extra. Linke, aos 68 deu a primeira nota na sinfonia azul real. Com o agregado em 1-1, foi preciso decidir a parada na prorrogação. Era muito drama e aos 107, dois minutos da segunda etapa, Wilmots deixou mais uma vez a marca do artilheiro. Antes das sempre temíveis penalidades, o centroavante belga tratou de dar jeito e colocar o seu time na final contra a Inter, que passou pelo Monaco na outra semifinal.

Formação do Schalke na decisão frente a Inter, em Milão (Museu virtual do futebol)
A decisão
Em 21 de maio de 1997, o caldo ferveu na decisão. Fazendo a primeira perna da finalíssima em Gelsenkirschen, os germânicos ditaram o ritmo e venceram a forte defesa nerazzurri com gol de Wilmots, aos 70, que marcava seu sexto naquela Copa UEFA, goleador máximo dos alemães. A hora da verdade viria no Giuseppe Meazza e a Inter ia entregando o troféu, quando faltando dez minutos para o final, Iván Zamorano deu sobrevida a Roy Hodgson e seus pupilos. Persistindo a igualdade na prorrogação, o jeito foi aguardar o grande vencedor após a disputa de pênaltis.

Enquanto o mesmo Zamorano e Aron Winter desperdiçavam suas cobranças pelo lado italiano, Anderbrügge, Thon, Max e Wilmots convertiam para os alemães. Apenas Youri Djorkaeff marcou pela Inter e o placar ficou em 4-1 para o visitante, que ergueu a taça com muito mérito após duras penas.

Campanha
1a rodada
Schalke 3-0 Roda JC
Roda JC 2-2 Schalke

2a rodada
Schalke 1-0 Trabzonspor
Trabzonspor 3-3 Schalke 

3a rodada
Club Brugge 2-1 Schalke
Schalke 2-0 Club Brugge

Quartas de final
Schalke 2-0 Valencia
Valencia 1-1 Schalke

Semifinal
Tenerife 1-0 Schalke
Schalke 2-0 Tenerife

Final
7 de maio de 1997 - Parkstadion, Gelsenkirschen
Schalke 1-0 Internazionale
21 de maio de 1997 - Giuseppe Meazza, Milão
Internazionale 1-0 Schalke (1-4 nos pênaltis)


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