sexta-feira, 27 de abril de 2012

TF História: Peñarol e o clássico dos oito contra onze

Façanha do Peñarol em 1987 contra o Nacional completa 25 anos nesta semana
Foto: Colombia sports
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Um dos componentes mais mágicos do futebol é sua imprevisibilidade. Nunca se sabe quando a história pode acontecer na frente de qualquer um. Uma decisão de quem vai subir para a 1ª divisão do Brasileirão pode se converter subitamente em um jogo inesquecível, como foi o caso da Batalha dos Aflitos.
E isso é ainda mais verdade quando se trata de um clássico. A possibilidade de heróis e vilões eternos é ainda maior. Há inúmeros exemplos, como Aldo Pedro Poy, que entrou na história do futebol argentino ao marcar de peixinho o gol da vitória de seu Rosário Central contra o rival Newell’s Old Boys nas semifinais do Nacional de 1971. A partida passou para a história como “La Palomita (peixinho) de Poy”, e é celebrada até hoje pela fanática torcida canalla todos os anos.
Em um clássico gigantesco como Peñarol x Nacional não podia ser diferente. A rivalidade mortal entre os dois monstros do futebol sul-americano e mundial criou uma galeria imensurável de ídolos, vilões e histórias inesquecíveis. Como o “Clasico de La Fuga”, em 1949, quando, temendo uma goleada histórica, o Nacional, que perdia por 2 a 0, se recusou a voltar para o 2º tempo (aquele Peñarol era a base da seleção uruguaia campeã mundial em 1950).
Nessa galeria está o histórico “clássico dos 8 contra 11”, que completou 25 anos esta semana. E a partida a princípio não parecia talhada para entrar para os anais do futebol uruguaio. Nada mais era do que parte de um triangular amistoso que incluía também o Bétis, da Espanha.
O primeiro tempo terminou com o Peñarol vencendo pela vantagem mínima, gol de Viera. Logo no início do 2º tempo Cardaccio empatou para o Bolso. Tudo parecia normal, até que veio uma sequência de expulsões que mutilou a equipe aurinegra. Entre os 23 e 30 minutos foram expulsos Ricardo Viera, José Perdomo e José Herrera. Parecia o fim do clássico. Com três a mais e com 15 minutos pela frente, o tricolor tinha a vitória nas mãos.
Mas o Peñarol não havia se resignado ao final que parecia inevitável. Seus oito jogadores restantes lutaram como nunca, e aos 37 minutos aconteceu o absolutamente inimaginável. Diego Aguirre fez boa jogada e passou para Jorge Cabrera marcar o gol da vitória Manya.
Nos últimos minutos o Nacional atacou como nunca, mas os jogadores carboneros conseguiram suportar tudo. Um dos leões naquela partida foi o zagueiro Obdulio Trasante, que posteriormente defenderia o Grêmio.
Quando a partida acabou, o Peñarol não havia vencido apenas um clássico amistoso. Aqueles jogadores haviam escrito uma das mais memoráveis páginas de um dos maiores clássicos do planeta. Mais que isso, a jovem equipe comandada por um iniciante Oscar Tabarez se enchia de brios. Meses depois venceria a Libertadores de forma igualmente heróica, com um gol de Aguirre aos 120 minutos do terceiro jogo da final contra o América de Cali.
Os oito heróis que inscreveram seu nome na história do Peñarol foram: Eduardo Pereira, Jorge Gonçalvez, Obdulio Trasante, Alfonso Dominguez, Eduardo da Silva, Gustavo Matosas, Jorge Cabrera e Diego Aguirre.

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