quinta-feira, 19 de abril de 2012

Craques: Henrik Larsson

Foto: Interia.pl
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Se fosse possível definir Henrik Larsson em uma só palavra, ela seria VENCEDOR. O sueco foi vitorioso por onde passou, sempre dando o ar de seu talento até os últimos dias em que jogou futebol profissionalmente. Como se não bastasse a sua competência, era carismático e durante grande parte das décadas de 1990 e 2000 ostentou um rastafari que virou marca registrada.

Tudo começou em 1989, no Högaborgs, na Suécia, onde deu seus primeiros chutes. O faro de gol era apuradíssimo, o que fazia dele um grande nome a despontar no cenário escandinavo, que com exceção da Dinamarca, atravessava tempos inglórios antes de entrar nos anos 90. Uns podem lembrar daquele Göteborg bicampeão da Copa UEFA em 1982 e 1987, mas a verdade é que o futebol sueco em especial não gerava grandes nomes como antigamente. Em divisões inferiores, Henrik mostrava ao país que queria ser especial.

Foto: Yangin Cikisi
Até 1991 permaneceu no Högaborgs, quando recebeu em 1992 um convite do Helsingborgs, que lutava para deixar a segunda divisão local. Missão cumprida: com 34 gols em 31 aparições, Larsson foi vital para o acesso da equipe das vacas leiteiras. A boa sequência foi mantida, ainda que em menor número do que o ano anterior. Foi em 1993 que ganhou sua primeira chance na seleção sueca e o olhar atento do Feyenoord. 

Em Roterdã virou xodó da torcida e presença constante no selecionado nacional. Sua melhor performance no  De Kuip foi em 1994-95 quando encaixou 16 tentos em 38 partidas. Nada perto do que havia conseguido no Helsingborgs, mas ainda sim provara que tinha sim muita capacidade de figurar entre os grandes atacantes da época. A fama veio em definitivo após a bela participação na Copa de 1994, nos Estados Unidos.

Foto: FIFA.com
Entrando como reserva em quatro confrontos e ganhando a titularidade no derradeiro duelo do terceiro lugar contra a Bulgária, o até então cabeludo deixou sua marca quando teve a chance. Suas convocações eram quase que obrigatórias. Atravessava grande fase na Eredivisie, quando em 1997-98 recebeu uma boa proposta para jogar no Celtic. Foi artilheiro quase que instantaneamente, sempre em alto nível para mostrar que era a maior referência de gols na liga escocesa.

Os assombrosos números mostram a temporada 1998-99 como divisor de águas na carreira de Henrik. Somando 38 tentos em 48 partidas, logo no início da próxima época que disputaria pelos bhoys, sofreu uma grave lesão. Em meados de outubro de 1999, o Celtic enfrentava o Lyon pela Copa UEFA. Numa dividida com Serge Blanc, Larsson quebrou a perna em dois lugares, ameaçando um futuro ainda mais vitorioso. A preocupação geral passou a ser se ele recuperaria a boa forma depois dessa contusão, quando ficou cerca de oito meses afastado dos gramados.

Superando os próprios limites, Larsson deu a volta por cima após lesão e reinou
absoluto no Celtic, onde sempre será lembrado pelos seus feitos (Telegraph)
Assistindo grande parte da temporada 1999-00 de casa, Henrik sabia que a hora para se reafirmar novamente estava próxima. Retornando ao seu posto no ataque do Celtic em 2000-01, emplacou 53 gols em 50 jogos, seu recorde pessoal. Até 2004, quando defendeu as cores do alviverde de Glasgow, Larsson ergueu quatro campeonatos locais, duas FA Cup, e três taças da liga. Já aos 33 anos, foi para o Barcelona, que queria mais experiência no seu setor ofensivo. Mesmo como reserva, continuou a sequência de títulos.

Durante o período de um ano e meio que passou pelo Camp Nou, levantou dois campeonatos espanhois (2004-05, 2005-06) e uma Liga dos Campeões em 2005-06. Forçado por sua idade a adotar um estilo mais cerebral, entrava pouco, mas de forma eficiente. Passou a ser uma espécie de talismã blaugrana, ocupando a posição de segundo atacante. Vendo a aposentadoria de perto, retornou ao Helsingborgs em 2006.

Evidente que a capacidade de balançar as redes continuava a mesma. Dois mundiais (2002 e 2006) e três Eurocopas (2000, 2004 e 2008) depois, ainda tinha prestígio o suficiente para ir jogar no Manchester United, que caminhava para mais uma final europeia, em 2007. Os planos foram frustrados pelo Milan de um explosivo e decisivo Kaká, nas semifinais. Larsson não chegou a fazer nem 15 aparições e voltou para a Suécia, onde encerraria sua carreira no Helsingborgs. Capitão e homem gol das vacas leiteiras uma vez mais, parou em 2009, quando marcou 10 vezes em 22 oportunidades. Um legítimo matador.

Um comentário:

Douglas Muniz da Silva disse...

O Larsson é um dos melhores atacantes que vi jogar, foi brilhante em todos os clubes que jogou. Me lembro de quando eu jogava Winning Eleven 8,9 e 10, sempre contra o Barcelona, sabia que com ele jamais poderia falhar, mesmo já veterano, faltou uma grande conquista para ele ter sido apontado como um atacante de nível "mundial", pena que não jogou tanto tempo num grande centro.