terça-feira, 24 de abril de 2012

Craques: Predrag Mijatovic

Foto: Tumblr
Na história recente do futebol originado nas nações ex-Iugoslávia, as glórias clubísticas e os craques formados nas três potências (Dinamo Zagreb, Partizan e Estrela Vermelha) se espalharam pelo mundo e foram bem sucedidos em sua maioria. Um dos exemplos mais célebres deste sucesso certamente é Predrag Mijatovic, formado no alvinegro de Belgrado no final da década de 1980

Descoberto pelas categorias do Buducnost, equipe montenegrina, Pedja não demorou a entrar na vitrine dos grandes europeus em 1989, ao assinar com o Partizan. Promessa que estourou durante o Mundial sub-20 de 1987, no Chile (vitória iugoslava sobre a Alemanha Oriental de Matthias Sammer), retornou ao seu clube com pompas de grande promessa para os anos seguintes. Seu êxito como atleta era inevitável.

Foto: Crno bela nostalgia.rs
Dono de uma movimentação precisa, veloz e capaz de criar grandes lances em pequenos espaços no campo, Pedja foi se notabilizando por seus gols decisivos e logo em 1989 já integrava a seleção principal da Iugoslávia. Progredindo a cada ano, mesmo sem títulos nacionais (já que o Estrela Vermelha atravessava seus melhores anos em toda a história), o jovem seguia sendo vital para retomar o prestígio dos rolos compressores

Determinado e indiscutivelmente talentoso, o rapaz permaneceu até 1993 no Partizan, quando foi negociado com o Valencia, até então sob a batuta de Guus Hiddink. Demorou até que Los Che se acertassem, em 1995-96, com o vice-campeonato espanhol, com quatro pontos a menos que o Atlético de Madrid.

Foi essa terceira temporada no Mestalla que iluminou a mente dos dirigentes madridistas em sua busca por um parceiro ideal para Iván Zamorano. Contudo, o chileno sairia do Santiago Bernabéu e iria para a Internazionale. A solução foi trazer outro eslavo que estava em grande fase: Davor Suker. Semanas depois Mijatovic também assinaria.

Dupla de ataque eslava em Madrid
Fabio Capello, manager do Real, conseguiu o objetivo inicial e recolocou os merengues nos trilhos. O título espanhol veio de forma imediata, superando por dois pontos o Barcelona de Ronaldo, Luís Figo e Hristo Stoichkov. A dupla croata-montenegrina funcionou bem e a vaga na próxima Liga dos Campeões estava garantida. Para tentar tirar a equipe da fila, Jupp Heynckes seria o novo treinador, já que Capello saiu para o Milan.

Momento do gol de Pedja em cima da Juventus
na final europeia de 1998
(Foto: Defensa central)
Imagine que a sintonia do elenco madridista era impecável, e ainda possuía Suker-Mijatovic-Raúl se revezando pela vaga no ataque. O lendário camisa 7 do Real ainda tinha 19 anos e assombrava com o seu faro de gol. Sem dúvida o Real era um grande time e fez uma campanha sem sustos até a final frente a Juventus, na Amsterdam Arena. Atravessando o jejum de 32 anos sem levantar o troféu da Copa/Liga dos Campeões, os blanquillos seriam recompensados pela longa espera. Guardadas as emoções (e a atuação crucial de Mijatovic) para o último capítulo do torneio.

O equilíbrio marcava o confronto entre espanhóis e italianos, quando aos 67 minutos, Roberto Carlos chutou mal uma bola na entrada da área e no meio da trajetória, o camisa 8 dominou, tirou de Angelo Peruzzi e mandou para as redes. 1-0, o grito de campeão ecoou em Madrid. Era o primeiro gol de Pedja na competição.

Insucesso na França e despedida do Bernabéu
Convocado para o Mundial de 1998 na França, Mijatovic chegava com grande responsabilidade. Marcando apenas um gol contra a Alemanha na primeira fase, o atacante não conseguiu evitar a derrota para a Holanda nas oitavas de final, por 2-1. Uma Supercopa espanhola e um Mundial de Clubes depois, o montenegrino entrou em má fase no Real, transferindo-se para a Fiorentina. 

Foto: Soccer Legends
Inicialmente disputando posição com Enrico Chiesa e Gabriel Batistuta, Pedja se tornou a terceira opção na Viola, até o dado momento em que Giovanni Trapattoni optou por uma formação mais ofensiva. Mijatovic então foi deslocado para o meio campo, beirando os trinta anos e já sofrendo os efeitos da idade. Cada vez mais relegado ao banco e sofrendo com lesões, acompanhou de fora o título violeta na Coppa Italia de 2000-01. Rebaixada em 2001-02, a Fiorentina acabou por falir logo depois. 

Pouco antes de deixar Florença, Predrag foi chamado para disputar a Euro 2000, sua última competição internacional como atleta. Somando quatro pontos em três jogos, os eslavos ficaram com a segunda colocação, atrás da Espanha na chave C.

Passando perto de perder a credencial nas quartas para a Noruega, o adversário no mata-mata seria a Holanda. Poucos esperavam o acachapante 6-1 por parte dos laranjas, que enterrou os derradeiros sonhos de Mijatovic em ter destaque vestindo a camisa iugoslava. Ao contrário de Suker, seu antigo parceiro de ataque que desfrutou do reconhecimento e da fama com a Croácia em 1998.

Por fim, aceitou o convite do Levante para encerrar sua carreira, em 2002-03. Dois anos depois, não havia nem somado 21 aparições, terminando de forma melancólica um ciclo de muitas glórias no esporte.

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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