quarta-feira, 11 de abril de 2012

Desafortunados: Glenn Helder


Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)
De Araçatuba-SP

Quando surgiu no futebol holandês, Glenn Helder era apontado como uma das maiores promessas da Laranja Mecânica, mas, bastou uma passagem sem sucesso pelo Arsenal para que sua carreira desandasse e seu psicológico fosse abalado, tanto que acabou na cadeia. Bem, realmente uma história com aperitivos diferentes do da maioria, contudo, Helder é mais um desafortunado clássico.

Nas categorias de base, passou três clubes da Holanda: os pequenos Orange Groen e UVS, além do grande Ajax. No entanto, sua carreira profissional se deu início em outro time: o Sparta Roterdã. No ano de 1989, então com 23 anos, o habilidoso ponta-esquerdo contou com uma boa sequência de jogos no clube da cidade portuária, passando quatro temporadas lá, ele buscou ares novos para sua carreira, se transferindo para o Vitesse, em 1993.


No Vitesse, Helder explodiu de vez e mostrou para a Europa a sua qualidade. Tornando-se um ponta-esquerda bastante explosivo e que aparecia muito bem no ataque, marcando vários gols, ele começou a despertar interesse de equipes maiores tanto da Holanda como de outros países. Os Vitas bem que resistiram em não negociar o seu talento, mas, passada uma temporada e meia, os diretores holandeses não tiveram como resistir e negociaram o jogador com o Arsenal, em 1995.

Em seus tempos de Highbury, o ponta bem que recebeu algumas oportunidades mas não conseguiu ter boas atuações e atender às expectativas. Como consequência disso tudo, não demorou para a torcida passar a odiar o jogador que chegara com pompa de uma nova estrela da escola holandesa. Com isso tudo, os diretores do Arsenal decidiram por emprestar Helder para o Benfica afim de que ele se reencontrasse com o bom futebol, em meados de 1996.


A tentativa de se recuperar foi em vão. O ponta não conseguiu se encontrar, muito menos manter uma sequência de jogos, sendo que atuou apenas em pouco mais de 10 partidas pelos Encarnados. Sem o mínimo interesse em renovar o empréstimo, os portugueses mandaram o holandês de volta para o Arsenal que por sua vez também queria se desfazer do traste. Glenn então voltou ao futebol de sua terra pelo NAC Breda, para a temporada de 1997-98.

Já na agremiação aurinegra, não fez nada de relevante e começou a sofrer por distúrbios psicológicos tanto que teria tentado cometer suicídio, de acordo com jornais locais. Ainda em busca da sua redenção no futebol, Helder começou a apostar na carreira no pôquer e representava a Holanda em torneios internacionais. Contudo, não conseguiu êxito com o carteado e seguia "brigando com a bola".

Depois do NAC Breda, o jogador foi para a China tentar a sorte no Dailan Wanda, em 1998, voltou para o NAC menos de seis meses depois. Não desistindo, tentou mais um trunfo pelo MTK Budapeste, em 1999, retornou à Holanda para defender os pequenos Roosendaal e TOP Oss, contudo, realmente, ele tinha desaprendido a jogar futebol e o sucesso foi nulo.

Largou o futebol profissional em 2003, com 35 anos, e partiu para o futebol amador, contudo, nesse tempo, seus distúrbios psicológicos só cresceram e Glenn veio a ser uma pessoa completamente transtornada. Antes de ser preso em 2007 por posse de arma, abuso e perseguição a uma ex-namorada, o flop voltou a aparecer na mídia um ano antes quando participou da despedida do mito Denis Bergkamp do Arsenal.

Aparentemente curado dos mais diversos problemas, o ex-ponta esquerda achou um meio em que vem conseguindo êxito: o da música. Hoje, o antigo talento brilha como percussionista na Holanda, onde toca nas mais diversas festas e boates.



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