quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desafortunados: Emmanuel Amunike

Foto: Solo fútbol
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP

O perfil desse Desafortunado é o típico caso do jogador que BARBARIZA jogando pela seleção, mas que não tem a mesma fortuna jogando pelos grandes clubes, que clamaram por seus serviços graças as boas exibições pelo esquadrão de sua terra natal. Ainda houve o agravante da lesão, que acabou com a sua carreira e não rendeu aquilo que todos esperavam dele.

Emmanuel foi um dos símbolos dos tempos de glória das Super Águias, a seleção nigeriana que encantou os gramados na década de 1990, o ala-esquerdo Amunike (que virou seu nome, de tanto que erraram a pronúncia) era um talento promissor, estava em campo quando a Nigéria foi campeã da Copa Africana de Nações em 1994 (fazendo os dois gols na final, consagrando-se ídolo dos nigerianos) e também fez parte do grupo que participou da primeira Copa da história dos Águias verdes naquele mesmo ano.

O ponto máximo daquela geração nigeriana foi a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, que além de Amunike, tinha jogadores da estirpe de Amokachi, Babayaro, Kanu, Babangida, Okocha e West (com seu cabelo [?] que ficará eternamente nas nossas memórias). A vitória sobre o Brasil nas semifinais já tinha deixado os espectadores perplexos, então veio o triunfo sobre os argentinos na final olímpica, foi ainda mais estonteante, com o nosso Desafortunado tendo grande participação na partida, mostrando que tinha mística de decisão, marcando o gol do triunfo histórico dos nigerianos no último minuto do segundo tempo.

Na sua carreira profissional, Amunike começou a impressionar no Julius Berger, clube do seu país natal, mas logo foi para um gigante africano, o Zamalek do Cairo, onde se consagrou como um ala ofensivo esquerdo. Conquistando o bicampeonato egípcio de 1992 e 1993, viveu quatro anos na beira do Rio Nilo. Seu futebol logo chamou atenção do mercado europeu, principalmente por suas atuações pelo selecionado nacional, que lhe renderam o prêmio de melhor jogador africano de 1994. O presidente do Sporting de Lisboa na época, Sousa Cintra, fez de tudo para ter o jovem jogando pelos leoninos, inclusive foi ao Egito acertar pessoalmente com atleta e clube, já que era iminente a sua ida para um desconhecido da Alemanha, a atitude do presidente sportinguista fez com que o destino de Amunike fosse diferente.

O desembarque na Europa foi o melhor possível, Amunike logo assumiu a titularidade no elenco leonino, mostrando que era rápido, técnico e tinha um excelente chute. Essas qualidades ajudaram a agremiação lisboeta na temporada de 1994-95, finalizando o Campeonato Português em segundo, enquanto ele encaixava 24 jogos/8 gols (inclusive o seu primeiro gol foi contra o rival Benfica) e se sagrando campeão da Taça de Portugal.

Os tempos dourados de Amunike em clubes vieram no Sporting
(Craques e flops leoninos)
Na temporada seguinte, Amunike novamente foi um dos destaques do Sporting, 34 jogos e 9 gols, com direito a uma Supertaça de Portugal no bolso. No fim da época, Amunike embarcou para Atlanta e deu no que deu, campeão olímpico com as Super Águias, sendo um dos destaques daquele time, o Sporting não poderia segurar mais o jogador. Ainda jogou parte da temporada 1996-97 pelo alviverde luso, mas no fim do ano foi embora.

Sir Bobby Robson viu aquele jovem de 25 anos encantando os torcedores nas Olímpiadas, e não titubeou em trazê-lo para a Catalunha. Para isso o Barcelona desembolsou 4 milhões de dólares dos seus cofres. Amunike chegava a um elenco muito forte, entre os novos companheiros da Pantera Nigeriana estavam Figo (que havia jogado com ele no Sporting), Ronaldo e Guardiola.

Amunike parecia que ia ajudar muito os blaugranas, teve oportunidades, mas começou a padecer de sucessivas lesões no joelho (já havia sofrido de algumas no fim de sua passagem pelo Sporting), que deixaram ele parado por muito tempo, e graças a elas, ele não foi para a Copa do Mundo de 1998. Suas lesões voltavam, ele perdia ritmo de jogo, e isso começou a comprometer na sua habilidade, não era o mesmo, estava em processo de Pedrinhozação descraquização. As únicas lembranças que deixou em Barcelona foram seus arremessos laterais, que eram potentes; (não chegava a ser um Delap, mas dava para o gasto) a outra, foi o canto que os madridistas fizeram para o meia Luís Enrique do Barça, que dizia ‘’Luis Enrique tu padre es Amunike’’, bom...não preciso explicar o sentido do canto.

Choro ou cansaço? Só o tempo irá dizer
(The offside)
Foram três temporadas no clube (''conquistou'' 2 Ligas, 2 Copa do Rei, 1 Recopa Europeia e 1 Supercopa da Europa) mas de fato só conseguiu jogar 1 temporada e meia, foram cerca de 20 jogos e 1 gol com a camisa do Barça.

A carreira de Amunike só decaía, chegou ao Albacete na temporada de 2000-01, após a passagem frustrada pelo Camp Nou. As lesões destruíram a carreira do winger nigeriano, já não tinha a velocidade de antes, nem a técnica, o velocista que passava e colocava os zagueiros para dançar agora era colocado na roda de bobinho, não tendo o mesmo folego de antes. Seu futebol nunca mais foi o mesmo, o Albacete foi mais uma passagem frustrada na sua carreira, foram duas épocas pouquíssimo aproveitadas pelo africano. Depois foi para a Jordânia, vestiu a camisa do Al-Wihdat (temporada 2003-04), mas quando viu que não estava bem nem em terras jordanianas, decidiu que era a hora de parar.

Apostou nos cargos técnicos para seguir no futebol, foi treinador adjunto na Arábia Saudita, e depois foi contratado pelo Manchester United como observador de jogadores africanos, principalmente na Copa da África de 2008. Dirigiu o Julius Berger e o Ocean Boys da sua terra natal, mas depois voltou a Espanha, onde participou de um anúncio publicitário que tirou onda de sua fracassada passagem pelo Barcelona. Amunike mostra no anúncio que está vendendo um VHS com a sua melhor jogada, que é o seu arremesso lateral, único lance mostrado em toda vídeo-aula fictícia, pobre Emmanuel.

Atualmente dirige uma escolinha de futebol na Nigéria, apesar de viver na Espanha esperando por uma oportunidade em alguma comissão técnica de algum clube espanhol, apostando que pode triunfar em terras hispanas, já que não pôde quando jogador espera ter melhor sorte como treinador. 




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