terça-feira, 3 de abril de 2012

Bugados: Mateja Kezman

Foi no Chelsea que iniciou a derrocada de Kezman no futebol (Postmatch playmaker)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

102 gols em 105 jogos no PSV. Um recorde e meta de qualquer atacante que se preze, esse número conseguido por Mateja Kezman em quatro anos jogando em Eindhoven é uma proeza que muitos grandes nomes do esporte tentaram alcançar. O sérvio que já era bem conhecido nos seus anos de Partizan pela mesma perícia ao colocar a bola nas redes simplesmente teve seu brilho apagado assim que deixou a Holanda ao fim de 2004.

Era a segunda metade da década de 1990 na Sérvia. O futebol de lá não se deu muito bem no pós título do Estrela Vermelha em 1991. Nunca mais as equipes de Belgrado apareceram bem em cenário europeu. Nesse marasmo que estavam mergulhados os grandes rivais de lá, foi que surgiu um baixinho que conhecia muitos dos atalhos para o gol. 

No Radnicki Pirot (um dos 303 Radnickis espalhados pelo território sérvio), uma simples temporada (1996-97) foi suficiente para que a diretoria do Loznica, à época disputando a segundona local, contratasse os serviços do garoto. Um semestre depois, o Smederevo pediria um empréstimo para encerrar 1997-98 com um bom nome no ataque. Foi o último passo dado antes da tão sonhada chegada ao FK Partizana, separado por 800 metros de uma rivalidade que nunca cessou, entre os alvinegros e rubronegros que vivem em Belgrado.

Gol em dérbi contra o Estrela Vermelha: tudo estava
 indo bem, bem demais (Sportal.rs)
Artilheiro da temporada 1999-00, na qual o Partizan venceu o Servião, Mateja se identificou com a torcida grobari com seus muitos gols, (alguns importantes em clássicos) e claro, pelo fato de ser um torcedor do clube. O PSV então faria uma proposta tentadora para tirar o jovem e levá-lo para uma das cinco principais ligas europeias. 41 jogos e 35 tentos serviram de ótimo currículo.

Guarde este momento, amigo leitor. Será o ponto alto e o clímax deste texto. Em 2000-01, logo na sua chegada, se adaptou rápido e assumiu a titularidade, ao lado de Ruud Van Nistelrooy. Foram 31 gols em 49 jogos, média satisfatória para alguém que vinha de uma liga muito inferior, tecnicamente. A rotina de sempre ir às redes se repetiu até 2004, quando o emergente Chelsea, com impul$o de Roman Abramovich se interessou pelo futebol do sérvio. 

Kezman chegaria ao Stamford Bridge juntamente com Robben. Os dois já haviam feito parceria de sucesso no Philips Stadion. Dois títulos da Eredivisie depois, tentaria manter o sucesso na terra da Rainha. Com 102 tentos a mais na conta, já era presença constante na seleção da Sérvia e Montenegro.

E então, Batman (o técnico de som do estádio do PSV tocava o tema do Batman a cada gol de Mateja) e Robben reencenariam a dupla na Inglaterra, na difícil Premier League. Somando tudo o que o atacante fez na temporada, não deu nem o seu primeiro ano como profissional. Flop nos Blues, apesar do título nacional e a Copa da Liga em 2004-05, foi emprestado ao Atlético Madrid. Nova época em baixa no Vicente Calderón, foi muito inferior ao que poderia fazer. O único destaque fica por conta do gol de calcanhar contra o Real Madrid em La Liga.

Em 2006, no Fenerbahce, conseguiu retomar a moral. Mas os gols... (The offside)
Após o tenebroso Mundial pela Sérvia e Montenegro (Kezman foi expulso na estreia contra a Holanda), desembarcou em Istambul, no Fenerbahce. Sempre marcando, mas dessa vez bem menos do que costumava, ajudou o Fener a ser campeão turco em 2006-07, além da Supertaça turca em 2007. Duas temporadas ilusórias, que em nenhum momento viram o mesmo desempenho por parte do sérvio. A essa altura do campeonato, já era visto como fracasso, sombra do que era anos antes.

A franca decadência resultou numa transferência para o Paris Saint Germain, que atravessava péssima fase. Em nenhum momento pareceu boa ideia, para ambos os lados. O PSG não fazia boas campanhas na Ligue 1 e Kezman há tempos não era imponente como referência na área. Por incrível que pareça, a parceria rendeu uma Copa da França, em 2009-10. Em duas temporadas e meia no Parc des Princes (foi emprestado na metade de 2009 ao Zenit, desnecessário dizer que falhou) marcou apenas 10 gols.

Dragan Djuric, presidente do Partizan, e Kezman: negociação não vingou
por pouco, para a sorte da equipe sérvia (Partizan.rs)
Beirando os 30 anos, apostou no futebol chinês como seu último trunfo como profissional. Cada vez mais os gols iam deixando de acontecer e a aposentadoria mais próxima. Em 2011 negociou com o Partizan para um retorno. Jogando a Liga dos Campeões, o alvinegro sérvio acabou por não finalizar os termos, levando em conta a descente do atleta. Kezman então acertou com o BATE Borisov para a campanha seguinte na LC.

Sem um mínimo gol, retornou ao South China ao fim de 2011 e jogou apenas mais algumas vezes antes de se retirar definitivamente do futebol, em janeiro de 2012, passando longos 8 anos no ostracismo.

Joguetes em que brilhou
Até as versões 2011 de FIFA e Pro Evolution Soccer, Kezman era um nome excelente para o ataque. Fazedor de gols (os programadores nunca levaram muito em conta a maré negativa de Mateja na vida real), pode ser facilmente titular em qualquer equipe quatro estrelas que você possa escolher. Tem ótima finalização, mas peca na velocidade e tem péssimo preparo físico.




Um comentário:

Douglas Muniz disse...

O Kezman era um dos atacantes mais promissores quando eu vi ele fazer uma dupla fantástica com o Robben, no PSV. Na época, os três grandes da Holanda possuiam grandes atacantes: O Feyenoord contava com Van Persie e Dirk Kuyt e o Ajax com Ibrahimovic, e na armação com Sneijder e Van der Vaart. Pena que Kezman não conseguiu confirmar essa sua fama em mercados maiores do futebol europeu, eu sou torcedor do Ajax, mas sempre jogava no PS2 com o PSV por causa dele...