quarta-feira, 18 de abril de 2012

Desafortunados: Slavisa Jokanovic

Foto: Premier League
Jokanovic pegou carona na onda de atletas iugoslavos que brilharam na Europa, foi bem no Tenerife e enganou muita gente que pensava que ele poderia ter sido um grande atleta

Na gloriosa década de 1990, os países que um dia formaram a Iugoslávia se tornaram grande fonte de talentos para o futebol europeu. Todo o sucesso dos jovens eslavos passava pelas boas categorias de base das equipes de Belgrado (OFK, Partizan e Estrela Vermelha) e claro, pelo triunfo do próprio Estrela na Copa dos Campeões em 1991, contra o Marseille. 

Cedendo promessas para a Croácia, Iugoslávia e posteriormente Sérvia e Montenegro, o alvirrubro de Belgrado permanece como a maior e melhor escola de formação da região dos Balcãs. Rivalizando fortemente com essa tendência, os rivais do outro lado da Bulevar Oslobodenija (a Avenida Paulista deles), o Partizan também lançava nomes como Pedja Mijatovic, Mateja Kezman, entre outros. Parte dessa geração dourada, Slavisa Jokanovic foi o mais malfadado entre seus honrados colegas do passado.

Como assim Vojvodina campeã?
Pois bem, tudo começou na Vojvodina, tradicionalíssima agremiação de Novi Sad. Na sua temporada de estreia, Slavisa venceu a Liga Iugoslava em 1988-89. Além do próprio Desafortunado de hoje, outra estrela fazia parte daquele plantel. O genial lateral Sinisa Mihajlovic, que brilhou por anos no futebol italiano. Dois bons anos no alvirrubro e um título nacional depois, Jokanovic foi contratado pelo Partizan, em meados de 1990. Entraria de cabeça em uma das maiores rivalidades da Europa. 

Inicialmente um meia de contenção, se destacava pela sua agilidade, precisão e inteligência com a bola nos pés. Aquele menino magricela (mas magricela mesmo) foi ganhando aos poucos seu lugar nos onze iniciais do crno beli, transformando-se num pilar na meia cancha. Foi em 1992-93 que chegou ao seu ponto máximo de glória dentro do clube. Alinhado com Zlatko Zahovic (aqueeeele), Branko Brnovic, Mijatovic e Savo Milosevic, conquistou novamente a liga local.

Foto: Fútbol primera.es
Uma farsa na Espanha
Logo após erguer o caneco iugoslavo pela segunda vez, foi contratado pelo Real Oviedo. Impressionou a facilidade com que o sérvio ocupou a vaga de titular nos Carbayones. Conseguiu se sentir em casa com a companhia de Janko Jankovic e de Robert Prosinecki, realizou 62 partidas e migrou para o Tenerife, onde teria sua melhor fase, apesar de não conquistar nenhum título.

As duas primeiras temporadas foram boas, rendendo um 5º e um 9º lugar em La Liga. Em sua última temporada pelos chicharreros, foi rebaixado e para a sua sorte, contratado logo em seguida pelo Deportivo La Coruña.

Mais uma vez campeão nacional, pouco participou da campanha do Dépor rumo ao troféu de La Liga, o último campeonato vencido pela equipe da Galícia (venceu também a Copa do Rei em 2001-02). Foi justamente nesse ponto que deu o salto de sua carreira: partiu de mala e cuia para o emergente Chelsea, que ainda ganharia investimento maciço de Roman Abramovich. Vivendo bons tempos ainda com seus próprios recursos, os Blues resolveram incorporar o volante ao seu elenco, para indignação de grande parte da torcida e imprensa.

Foto: Sporting Heroes
Uma piada em Stamford Bridge
A piada estava pronta. Os ingleses nunca entenderam o que levou aquele magricela, que já estava na casa dos trinta anos ao Stamford Bridge. Será que os diretores tinham alguma esperança que fosse vingar o rapazote de Novi Sad? Sim, ainda dava relativa segurança aos zagueiros, um autêntico xerife.

A forma, claro, decaía a cada semana. A má fase começou quando Slavisa virou mera peça de elenco. Encostado, ganhou peso e as atuações ficavam cada vez mais escassas. JOKEeanovic, brincavam os corneteiros londrinos. Sem nunca ganhar uma chance real entre os titulares, partiu.

19 aparições e uma Copa da Liga (2000) depois, em quase dois anos de Inglaterra, Jokanovic se transferiu para o Ciudad de Murcia, onde se aposentou em 2003-04, aos 34.

Chegou a disputar uma Copa do Mundo em 1998 (participou dos quatro compromissos iugoslavos no Mundial) e uma Euro em 2000 pelo selecionado nacional. E você aí pensando que só gente realmente boa disputava Copas. Jokanovic é um bom exemplo de que empresários podem fazer toda a diferença nos rumos da carreira de um jogador. Vai daí, Doni.


Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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