quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Futura potência?

Foto: Premier League Brasil




Uma das seleções que mais tem admirado nos últimos tempos e fugindo do óbvio dos campeões do mundo, certamente é o Japão. Demonstrando consistência desde a Copa de 2002 e passando por um longo período sob a batuta de Zico no comando técnico, os nipônicos cresceram bastante no esporte e hoje podem muito bem figurar entre os melhores times do planeta.

As razões? Empenho, ótimo comportamento tático e acima de tudo, disciplina. Hoje treinados por Alberto Zaccheroni, que teve como último trabalho a Juventus antes de assumir o selecionado japonês, o pessoal da terra do sol nascente parece ter encontrado uma grande referência para o seu estilo de jogo: a Espanha.

Durante as Eliminatórias da Ásia para 2014, tem ficado claro o bom desempenho do Japão em campo. Um meio campo talentoso e que passa bem a bola, além de um ataque satisfatório, que prende bem a posse nos momentos de tensão. Fato é que a correria da década passada, característica tão marcante no futebol deles, não é mais vista. 

Tomemos como base a atuação contra a Austrália, na última partida jogada no mês de junho. Dominando o adversário (ainda que levando contragolpes perigosos), o esquete de Zaccheroni se comportou muito bem com e sem a bola nos pés. Para se ter uma noção da similaridade com o estilo espanhol, até o excesso de zelo antes da finalização está presente, e muitas vezes as ofensivas dos samurais terminavam em frustração, com desarmes dos oponentes.

Visto isso, alguns dirão que o sistema japonês é nada mais do que o tic-tac da Fúria, de forma mal acabada. Evidente que qualquer outro plantel no mundo que se dispuser a copiar ou basear suas forças no modo técnico e letal do grupo de Vicente Del Bosque vai parecer uma tentativa fracassada. Primeiramente por questões de mão de obra. Nenhuma outra equipe além do Barcelona e da própria Espanha possui um Xavi na meia cancha. A precisão e a inteligência do baixinho é inigualável no cenário atual e é o que torna La Roja uma força ainda maior. Andrés Iniesta também é outro que não pode ser replicado. 

Sabendo também que o plano das categorias de base formadas no Barcelona carregam uma filosofia que já tem mais de vinte anos, é difícil exigir que em três ou cinco anos alguém seja capaz de imitar perfeitamente. E já que a comparação está sendo feita, é possível também fazer um paralelo entre o próprio Barça e os trejeitos da seleção nacional. Mas se olharmos para os que disputam a J-League, não há um padrão ou sequer semelhança com o que é jogado pelos pupilos de Zaccheroni.

A fragilidade dos japoneses começa pela defesa. Yasuyuki Konno e Yuzo Kurihara (expulso no confronto contra os australianos nas Eliminatórias) são pouco eficientes e pecam na marcação. Por outro lado, Atsuto Uchida e Yuto Nagatomo fazem as laterais sem sustos e com ofensividade. (Nunca pensei que iria elogiar Uchida num texto, mas vá lá) O dinamismo com que eles descem para atacar e cruzar a bola é algo a se destacar. No entanto, se resguardam caso enfrentem um adversário mais rápido nas saídas.

Tal como a Espanha, o Japão abriga no seu meio campo as suas maiores estrelas: Shinji Kagawa. Keisuke Honda, Makoto Hasebe e Yasuhito Endo possuem bom controle da posse, bons passes e compostura. Na frente, Shinji Okazaki e Ryoichi Maeda (alternando com Ryo Miyaichi) são os encarregados de mandar a bola para as redes. A estatura da dupla não é a ideal para a posição, quanto mais a força corporal nas divididas. Entretanto, espere lances acrobáticos e habilidade de Okazaki, além de boa finalização por parte de Maeda. 

Sempre classificados para a fase de grupos na Copa do Mundo com tranquilidade e cada vez indo mais longe (oitavas de final em 2002 e 2010), é de se esperar que o Japão cresça a cada grande competição. O futebol tem sido convincente e cada vez mais bons jogadores despontam para a fama. Será ousadia apontar os samurais como fortes candidatos a chegarem nas quartas de final em 2014? Talvez nem tanto.


Nenhum comentário: