domingo, 5 de agosto de 2012

Craques: Andriy Shevchenko

Foto: TN Talk




Muitos atletas elevam o patamar de seu país no futebol, simplesmente por serem craques ou gênios do seu tempo. Outros não repetem a atuação dos clubes pela seleção e dão a impressão de que poderiam ter sido muito mais. Para Andriy Shevchenko, que se não foi o melhor jogador ucraniano de todos os tempos, ao menos pode ser o maior deles após a dissolução da URSS. 

Com dez anos, o menino Andriy ingressou na base do Dynamo Kiev, onde faria seu nome no futebol mundial. A sua capacidade de fazer gols ficou explícita durante a Champions League em 1997-98. Fazendo três gols, ajudou a sua equipe a fazer 4-0 no Barcelona. A atuação fantasmagórica chamou a atenção do Milan, que enxergou no rapaz um grande potencial. Pentacampeão nacional, o atacante estava mudando de ares.

Rapidamente habituado ao clima italiano, Shevchenko emplacou 29 gols em 43 jogos durante a temporada 1999-00. Era o prelúdio de uma era de sucesso, tanto do Milan quanto do atacante, que agora era Sheva, um dos queridinhos do elenco. O maior brilho veio em 2002-03 com a conquista da Champions em cima da Juventus na decisão por pênaltis. 

Foto: Football cosmos
Determinado e confiante para seguir com o bom trabalho, a média de Sheva em 2003-04 foi muito superior à temporada anterior, que culminou no título europeu. Crucial na campanha do scudetto em 2004, somou 29 tentos em 45 aparições no total. Cada vez mais importante para o plantel rossonero, o camisa 7 tinha características que o faziam se sobressair em relação aos principais nomes da posição no resto do mundo: rápido, com ótimos reflexos e excelente finalização, o ucraniano não tinha dificuldades em chutar com nenhuma das pernas e também se apresentava bem para cabecear. 

Mais duas temporadas magníficas pelo Milan e a perseguição de outros clubes pela contratação de Sheva chegou a um ponto irreversível. O dono do Chelsea, Roman Abramovich, sempre declarava que queria contar com os serviços do camisa 7, mais determinado a permanecer no San Siro do que os dirigentes milanistas. 

Apesar das cifras astronômicas que atravessaram os anos e poluíram as páginas esportivas italianas, Andriy só foi mesmo deixar o clube em 2006, cinco taças depois de sua chegada em 1999. Bola de ouro em 2004 pela France Football, o ucraniano talvez precisasse provar a outra torcida que era vencedor de fato. A derrota para o Liverpool na UCL em 2005 foi um duro golpe às ambições do camisa 7, que esteve brilhante em campo, mas não pôde evitar uma reação por parte dos ingleses.

Pouco antes de partir, Shevchenko teve participação vital na campanha Ucrânia pela Copa de 2006. Grande craque de uma nação, marcou duas vezes na histórica participação de sua seleção, caindo para a Itália nas quartas de final por 3-0.

Apagado no Chelsea, Sheva era o queridinho de Roman Abramovich
Foto: The hard tackle
Desembarcando em Londres como principal nome na renovação do Chelsea, a torcida dos Blues se decepcionou com o desempenho do ucraniano, que ficou apenas duas temporadas no Stamford Bridge e balançou as redes em apenas 14 oportunidades, entrando em 51 jogos. Marca pouco admirável se levada em conta sua média no Milan. 

Sem se enquadrar no sistema de José Mourinho, Sheva virou reserva e sua motivação foi caindo por terra. Em 2007-08, apenas 25 participações e oito gols. Vencedor da F.A Cup e da Football League Cup, ao menos sua passagem não foi em branco total. A situação ficou desfavorável demais e o atacante solicitou sua transferência. Veio apenas um empréstimo ao Milan, para quem sabe retomar os tempos de glória.

Em 2009, já em franca decadência, retornou ao Dinamo Kiev para encerrar sua carreira em casa, perto do calor da torcida. O maior ídolo recente do país defendeu as cores do Bilo-Syni até a metade de 2012. Logo de cara foi consagrado como destaque da Liga ucraniana, em 2009. Chegando ao fim do seu ciclo como profissional, disputou sua última competição em casa, na Eurocopa 2012, em que a Ucrânia dividiu com a Polônia as sedes.

Foto: The football sack
Na estreia da sua seleção, Sheva provou que ainda tinha presença de área. Marcou duas vezes contra a Suécia, surpreendendo grande parte do público, que sabia que se tratava de uma das últimas ocasiões em que o capitão estaria em campo. Era noite do dia 19 de junho, quando a Inglaterra derrotou a Ucrânia e selou a eliminação dos donos da casa. Aos 25 do segundo tempo, Devic deu lugar a Shevchenko, que poderia mudar os rumos da partida. Abatido pela má forma física, o camisa 7 teve de se contentar com uma derrota amarga em sua despedida.

Tal como Zidane, que não teve um adeus tão glorioso quanto o planejado, Sheva deixou o futebol num momento em que o sorriso já não era mais rotina. Ídolo das torcidas do Dinamo, do Milan e do povo ucraniano, a lenda envolvendo o atacante ganhou seu último capítulo ali naquela derrota frente os ingleses.

Contudo, as grandes histórias nem sempre precisam terminar bem para continuarem sendo grandes. Mesmo com um fim melancólico, o jogador Andriy Shevchenko deixou para trás um filme que sempre passará na memória dos que o viram atuar.

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