terça-feira, 30 de outubro de 2012

Os bons, os maus e os feios, parte II

Foto: The Guardian




Roy Keane nunca foi flor que se cheire. Nascido em 10 de agosto de 1971, em Cork, na Irlanda, foi astro do Manchester United na década de 1990, quando os Red Devils renasceram para o futebol internacional. Revelado em 1989 pelo Cobh Ramblers, de Dublin, ganhou projeção em 90 pelo Nottingham Forest, já em processo de decadência. Três anos no City Ground lhe renderam um contrato com o United de Alex Ferguson.

Temido mundo afora por seu temperamento e por não aliviar nas divididas, o irlandês virou lenda em Old Trafford. Tanta fama de bad boy foi justificada em duas oportunidades específicas. Em 1997/98, durante uma partida contra o Leeds, se lesionou em dividida com Alf Inge Häland. 

Xingado pelo rival enquanto estava caído, o volante se enfezou com o norueguês, mas só conseguiu devolver quatro anos depois, quando o zagueiro jogava pelo Manchester City. O troco veio com uma solada no meio da canela de Häland, enquanto ele subia para cabecear uma bola. Não parecendo surpreso ao ser expulso de cara, o capitão do United (sucessor de Cantona no cargo) se lembrou de retribuir também os palavrões que ouviu em 1997. 

Queridinho de Ferguson, Keane era perito em proteger sua defesa, nem que isso significasse infligir dano aos seus concorrentes. Uma versão mais comportada do bárbaro Vinnie Jones, Keane sabia sim jogar bola e como volante era inquestionável. Sem evitar carrinhos ou pernadas, foi durante muito tempo um paredão na meia cancha dos Red Devils.

Para os torcedores brasileiros, ficou marcado por ter feito de cabeça o gol que causou a derrota do Palmeiras no Mundial Interclubes em 1999. O tento, aliás, ainda incomoda Marcos até hoje por ter se equivocado na saída. Alguns outros preferem atribuir a jogada ao perito Ryan Giggs.

Às vésperas da Copa de 2002, discutiu e criticou abertamente com o treinador da seleção irlandesa, Mick McCarthy, sendo cortado na última hora do grupo que foi até as oitavas de final, perdendo para a Espanha nos penais. Quem pensava que as brigas poderiam ficar por aí, provavelmente se esqueceu de 2005, quando Roy quase chegou às vias de fato no túnel antes do clássico contra o Arsenal. Um bate boca com Patrick Vieira quase teve fim violento, o que alguns vídeos mostram.

Encerrando sua carreira de 16 anos pelo Celtic, em 2006, ficou o resquício de um bravo (mas bravo mesmo) marcador, exímio no bote e com pecha de mau, a qual Roy nunca fez muita questão de renegar. E os dourados anos da Era Ferguson também passam pelos pés e pela força do volante. Afinal, alguém tem de fazer o serviço sujo.

Em tempos que os brucutus são só brucutus e não são lembrados pela sua coragem, mas sim pelas suas entradas maldosas, as bombas de Keane, dentro e fora de campo, fazem certa falta. Além de tudo, o ex-capitão do United era original. E esse tipo de figura está cada vez mais escassa no cenário do futebol mundial. 

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