domingo, 28 de outubro de 2012

Reencontro com Túlio e meia hora com Seedorf

Arquivo Pessoal
Wenceslau Neto, @jackalopods

O grande acontecimento dessa rodada foi mais ou menos fora dela, o retorno do eterno Túlio Maravilha ao Botafogo, algo que moveu não só os botafoguenses, mas fãs do bom e velho futebol irreverente que está morrendo a cada dia. Eu sou torcedor do Fluminense, mas quis ver esse ídolo de perto, da última vez eu mal o vi em campo, era a final do estadual de 2005. Aproveitaria pra também ver Seedorf em ação e poder contar com orgulho depois e até torcer pra esse time ganhar uma vaguinha na Libertadores, Seedorf merece.

Fui com meu amigo Douglas, que por ser sócio tem acesso a uma área exclusiva do estádio e pude ir junto, até pra retribuir a vez em que eu o convenci a ir num jogo do Flu comigo e acabamos no meio da Young Flu, mas isso é outra história. Estávamos prontos pra ir, só que ele e sua camisa do Botafogo foram pra um lugar primeiro: uma loja do Flamengo. Ele teve que comprar um presente de aniversário lá e nem pensou em arranjar outra camisa, bom pra mim, que nunca me diverti antes com tanto constrangimento, principalmente porque quando ele adentra a loja começa a tocar um funk com aquela música "e ninguém cala esse chororô". 

Eu já tenho uma certa experiência em ir em torcida adversária desde que vi meu time ser campeão carioca justamente na torcida do Botafogo meses atrás. Na ocasião tive de ficar pianinho porque a torcida era um tanto ameaçadora, principalmente depois da goleada do primeiro confronto. Dessa vez a tranquilidade reinou na area vip, ótima visibilidade e uma revista de pré-jogo. Chegamos em cima da hora, perdemos Túlio entrando em campo e a torcida estava em menor número do que se esperava. O adversário era o Boavista, equipe que dá trabalho nas edições recentes do Carioca e deu trabalho aos Túlio Boys, fazendo 1 x 0 antes da minha chegada e jogando a partida seriamente. 

Túlio se esforçava bastante, mas me parece que o time sub-23 que arranjaram pra ele foi montado escolhido pegando as primeiras 18 pessoas que estivessem passando pelo Engenhão no dia do jogo e que algumas deveriam ter nomes esdrúxulos, como TELLECHEA(chamado por mim de Tele Sena) ou YGUINHO ou NATAN. O único relativamente conhecido era Galhardo, irmão do que jogou no Flamengo e Santos recentemente. Chegou a um ponto de nas substituições combinar: "Esse se parece com o Elkeson e aquele se parece com o Lucas Zen, vamos chama-los assim, é mais fácil".

E além disso houve o juiz, que estava apitando sério demais pra um amistoso, não deu uns 3 pênaltis que seriam meio que obrigatórios pro filho de MUSSOLINI[1] fazer a sua festa no jogo. Ao menos serviram pra acordar os quase 1000 torcedores que foram prestigiar o jogo. No segundo tempo foi o mesmo, um time despreparado que não sabia acertar passes, cruzamentos ou cavar pênaltis "Se o Wagner Diniz estivesse aí ele já teria cavado três penaltis", disse Douglas. Já eu acho que se houvesse um RODRIGO FABRI da vida (ou Seedorf jogando por 10 minutos) nesse time pra dar experiência ajudaria bastante. Boavista sempre esteve mais perto do segundo gol, embora Tulio finalmente teve suas chances no final do jogo, defendidas pelo goleiro que foi devidamente xingado por todo o estádio. No fim do jogo eu fui com uns 10 pedir pro Maravilha jogar a camisa, mas não sabia que ela será leiloada e o dinheiro irá pra caridade. E apesar da derrota todos cantaram e o aplaudiram. O verdadeiro destaque do jogo no entanto estava fora dele, aquela gandula maravilhosa estava justamente na nossa frente e ela é mais espetacular ao vivo do que na tv, nota 10 pra ela e pra uma repórter da Band que lá estava.

Então veio o segundo jogo, com o estádio um pouco mais cheio. Nada nesse mundo me preparou pra ver Botafogo entrando ao som do tema do DARTH VADER enquanto um dirigível com a cara de um PITBULL rodava o estádio dando uns rasantes furiosos (aliás, Furioso era o nome do dirigível). Começa então o jogo e o duelo entre Seedorf contra RICARDO BUENO. Meia hora de futebol ardente e dinâmico depois, Seedorf faz o primeiro gol depois da bela jogada de Bruno Mendes, sente a coxa, chora bastante e sai do jogo vencendo o duelo. Elkeson entrou no lugar, mas poderia muito bem ter sido o sósia do time sub-23 de tão ruim que estava, só não venceu um duelo de ruindade com Bueno por não ter jogado os 90 minutos .

O jogo seguiu tranquilo, apesar de alguma pressão do Atletico-BYE e de uma torcida facilmente enfurecida, principalmente com o filho de Elke e Andrezinho. No ultimo lance do primeiro tempo o Botafogo faz o segundo com Dória, melhor em campo e talvez a maior revelação do Botafogo em décadas, chega até ser absurdo ver que ele é da base alvinegra depois do fiasco visto mais cedo. No segundo tempo tudo ficou mais tranquilo quando Gabriel fez o terceiro gol enquanto as pessoas ainda voltavam do banheiro e Douglas gritava "toca essa bola, filho da puta" e depois ficando com cara de bunda após o gol. Bruno Mendes fez o último gol no finalzinho mantendo a idolatria da torcida.

No fim, o Botafogo jogou bem e embora os resultados não tenham colaborado muito, ainda há uma certa esperança pra conseguir Libertadores pros Seedorfinos. E foi divertido assistir jogo dos outros ao vivo só pra variar.

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