segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Aquela camisa: Nagoya Grampus 1995

Foto: Wix.com.br
Lembra aquela camisa bacana daquele time, naquele ano em que aquele jogador fez aquele gol e ganhou aquele campeonato? Nós vamos dar um trato especial a essa peça, relembrando como foi a temporada em que ela esteve em uso, o grande craque e o que ela conquistou. 

Resolvi começar a seção "Aquela Camisa" com uma peça que me seria muito útil na coleção. A camisa do Nagoya Grampus de 1995 é marcante por uma série de motivos, apesar de não ter sido usada num ano de conquista da J-League.

Quem jogava lá?
Quando o Grampus venceu a Copa do Imperador, em 95, tinha Arsène Wenger como treinador. Em seu primeiro ano no comando, o francês levou uma taça e o prêmio de melhor técnico do ano. Dentro de campo, o camisa 10 era Dragan Stojkovic, em sua segunda temporada no Japão. O sérvio faturou o prêmio de MVP da liga. Piksi também foi o único da equipe a integrar a Seleção do campeonato. Alexandre Torres, filho de Carlos Alberto Torres, era zagueiro do Nagoya na ocasião. Jogou por cinco temporadas até voltar para o Vasco, onde se aposentou em 1991.

Como foi a temporada?
A campanha do título na Copa do Imperador deixou Kyoto Purple Sanga, Yokohama Flügels, Vissel Kobe, Kashima Antlers (e com goleada por 5 a 1, de quebra) e Sanfrecce Hiroshima. Na decisão, um sonoro 3 a 0 em cima da Sanfrecce. Certamente uma forma convincente de conquistar o primeiro troféu a integrar o salão nobre. Os nomes dos clubes japoneses, assim como as camisas daquela época, são sensacionais. Haja criatividade para essas sungas púrpuras. Nagoya Grampus Eight é um bom exemplo dessas maluquices.

Na J-League, que era disputada em dois turnos, o Nagoya foi 4º colocado no Suntory Series e 2º no NICOS Series. Sim, os japoneses vendiam naming rights de cada turno. E há quem diga que o futebol de lá não é de vanguarda. 

Foto: Minhas camisas
Fabricante e curiosidades
Essa camisa era produzida pela Mizuno e foi também o último uniforme da empresa em parceria com o Grampus. Em 1996, a Le Coq Sportif passou a desenhar o fardamento do Nagoya, com ideias ainda mais ousadas do que esses retângulos aleatoriamente colados. A estampa é bem Fausto Silva, diga-se de passagem. Oloco, meu, brincadeira.

VOLTA, BALEIA-SAN!
Foto: Welt fussball archiv
Repare também que este foi o primeiro modelo do Nagoya a não trazer mais a carismática baleia e sua bolinha no escudo, um elemento indispensável para a composição da peça. Hoje a baleinha até marca presença, mas bem tímida e entediada, sem a bola como companheira. Em 1995, o escudo era parecido com um Doritos. Vai entender.

Em 1996, Wenger fez as malas para o Arsenal e treinou Stojkovic para ser seu sucessor. Piksi até esteve cotado para assumir os Gunners no ano passado, e tudo indica que essa passagem de bastão pode acontecer num futuro não muito distante. Para provar que aprendeu bem com o mestre, Dragan se aposentou em 2001 e em 2008 voltou ao Japão para treinar o Nagoya. Dois anos depois conquistou a J-League pela primeira vez. Até protagonizou um vídeo engraçado onde fez um gol da linha lateral, sendo expulso pelo árbitro, um sem graça. 

Felipe Portes ainda é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é o dono e criador da Total Football. É fã do Stojkovic e se precisasse escolher um time no Japão, seria o Grampus.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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