segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Pelé e Stallone contra os nazistas

Foto: A football archive
Se você preferia ter ido ver o filme do Pelé ao invés de sair para um programa de índio, te damos bons motivos para assistir "Fuga para a vitória", onde várias estrelas do futebol mundial se uniram contra o nazismo. 

O filme é de 1981, mas se passa em 1942. "Fuga para a vitória" é um dos poucos filmes legais sobre futebol, justamente por contar com jogadores de verdade nos papeis. Esqueça aquela papagaiada de "Goal", onde Santiago Muñez passa por dramas típicos de "Malhação". Tudo que envolve a obra dirigida por John Huston é lendário. A começar pelo fato de Sylvester Stallone ser o goleiro de um time com Pelé, Bobby Moore, Osvaldo Ardiles, John Wark, Mike Summerbee, Paul Van Himst e Kazimierz Deyna.

Seria fácil simplesmente atribuir a Pelé um papel de brasileiro talentoso entre prisioneiros de guerra (que é praticamente todo o contexto do filme), e por essa razão, o Rei é Luis Fernandez... um tobaguenho. Não vamos antecipar muito o resto da trama, mas tudo que você precisa saber é que o time dos aliados enfrenta os nazistas como forma de propaganda do governo alemão.

Terry Brady (Moore), Colby (Caine) e Robert Hatch (Stallone) Foto: IMDB
Todo o time é recrutado por John Colby, interpretado por Michael Caine. Esses prisioneiros estão concentrados em um pequeno quartel general, e ao longo da história você vai reconhecendo alguns rostos mais famosos como o de Ardiles (campeão mundial em 78 com a Argentina), Wark (famoso meia atacante do Ipswich e da seleção escocesa), Moore (campeão mundial em 66 com a Inglaterra e capitão do West Ham), e Van Himst (ex-atacante do Anderlecht e técnico da Bélgica em 94).

Você já conhece a trama de 98% dos filmes de Stallone. Ele de alguma forma é o líder ou um dos grandes heróis. No papel de Robert Hatch, um prisioneiro americano, Sly é quem se ocupa de comandar o time no sentido de planejar a fuga do campo. Colby é o mentor intelectual e treinador da equipe, que não é nem de longe um selecionado de melhores do mundo pela FIFA, mas quebra o galho. Quem marca o amistoso é Colby, em conversas com um major alemão, interpretado por Max Von Sydow.

O pouco que Stallone sabia da posição de goleiro foi
aprendido com Gordon Banks, seu treinador
Foto: The Sun
O goleirão inglês Gordon Banks também participou do filme, mas como treinador de Stallone, sem aparecer no longa. Paul Cooper e Kevin Beattie, ex-atletas do Ipswich, foram dublês de Stallone e Caine, respectivamente. Pelo lado alemão, Laurie Sivell (também do Ipswich) e Werner Roth (grande ídolo do Cosmos) alinharam com o uniforme negro dos nazistas. Não há uma relação direta entre os então comandados de Bobby Robson e a escolha do elenco. É apenas uma coincidência que o filme tenha sido lançado em junho de 1981, meses após a conquista da Copa UEFA pelo Ipswich. 

No enredo, a partida entre os Aliados e os Nazistas foi disputada no Colombes Stadium, na França. Na verdade, o jogo foi filmado no Estádio Nandor Hidegkuti, em Budapeste. Algumas coisas bizarras acontecem durante o confronto, mas como não é uma final de campeonato, e sim uma obra cinematográfica, ninguém liga. Mesmo assim, as cenas finais são bem legais. As jogadas foram criadas por Pelé, não poderia ser diferente.

A seleção completa de jogadores é: Paul Van Himst, Co Prins, Russell Osman, Osvaldo Ardiles, Bobby Moore, John Wark, Soren Lindsted, Mike Summerbee, Pelé, Kazimierz Deyna, Kevin O'Callaghan, Hallvar Thoresen, Werner Roth, Laurie Sivell e Robin Turner. Os três últimos citados jogaram pelo time dos nazistas.

Da esq. para a direita: Van Himst, Summerbee, Stallone, Wark, Deyna, Lindsted.
Agachaos: Thoresen, Ardiles, Caine, Pele, Moore e Co Prins
Foto: The Sun
Para homenagear o dia em que Pelé ganhou a Bola de Ouro da FIFA, nada mais justo do que relembrar a vitória do Rei e seus colegas contra o nazismo, nesse filme indispensável para quem gosta do esporte e claro, é fã de Sylvester Stallone. 

Abaixo, o trailer de "Fuga para a vitória" que foi veiculado no Reino Unido. A nossa dica para você que ainda não viu é: faça o quanto antes. O mesmo vale para quem já conhece o filme, que é um verdadeiro clássico.



Felipe Portes ainda é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol. 

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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