quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Craques: Antonín Panenka

Dono de um bigode clássico, Panenka ficou marcado na final da Euro 76 por pênalti ousado (The Guardian)

Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Numa época de muitos meias talentosos como Cruyff, Antognoni, Rivellino e Platini, um homem de bigodes (característica natural na década de 1970) se notabilizou em território europeu de uma forma um tanto quanto ousada.

Dono da primeira cavadinha notável do futebol internacional, Antonín Panenka foi o responsável pelo título tchecoslovaco na Euro 76, disputada na antiga Iugoslávia e com a decisão colocando frente a frente a poderosa campeã mundial de 1974, a Alemanha, contra os eslavos.

Antonín começou sua carreira como profissional em 1967, no Bohemians de Praga. Por lá desfilou sua precisão para os passes e sua capacidade ímpar como cobrador de faltas. Baixinho e robusto, compensava a sua falta de agilidade com boas ligações entre o meio e o ataque.

Ao lado de azarões como Gögh, Moder e Nehoda, Panenka era uma das forças responsáveis pela boa campanha da Tchecoslováquia na glória europeia em Belgrado. O estilo cerebral de jogo dos eslavos foi marcante e barrou uma hegemonia futebolística da escola alemã, que contava com gênios como Beckenbauer, Maier, Dieter Müller, Hoeness, entre outros.

Na grande final da Euro 76, sediada no Marakana, em Belgrado, casa do Estrela Vermelha (Crvena Zvezda, como queira) um empate em 2-2 (Dobias e Svehlik para a Tchecoslováquia, Müller e Hölzenbein para a Alemanha) dava sinais de que a tradição germânica pesaria ao fim das penalidades. Contudo, desde sempre o futebol foi algo tremendamente injusto com grandes histórias e personagens.

Quis a história da tarde de 20 de junho de 1976 fosse marcada pela má sorte de Hoeness ao isolar a sua penalidade e pela ousadia de um camisa 8 que já havia feito bom papel pela sua pátria (que depois se dissolveria para formar República Tcheca e Eslováquia).

Um cidadão de Praga que fez escola com um chute fraco e caprichosamente colocado no meio das redes de Sepp Maier, uma velha raposa traída pela imprevisibilidade (talvez seria displicência se Panenka tivesse errado) do adversário que decidiu o rumo da taça Henri Delaunay daquela edição.

Uma cobrança para ficar registrada como um dos melhores momentos cruciais de toda a longa vida das competições europeias. Dos influenciados pela tendência panenquesca estão os meros mortais Zinedine Zidane (que reproduziu a façanha numa simples final de Copa do Mundo contra a Itália e acertou o travessão antes de comemorar o primeiro gol daquela fatídica peleja), além do já lendário Loco Abreu, também com culhões para executar a técnica num Mundial.

Cá para os lados do Brasil o movimento é conhecido como cavadinha, diferindo completamente do "à la Panenka", nomenclatura justíssima.

Bem, Antonin, o precursor, permaneceu no Bohemians até 1980, quando foi tentar a sorte no Rapid Viena, onde jogou por mais cinco anos, já em idade avançada. Mais quatro anos na liga austríaca, no St. Pölten e Slovan Hulterdorfer antes da aposentadoria aos 44 anos. Pela seleção da Tchecoslováquia ainda disputou a Euro de 80 e a Copa de 1982 na Espanha, onde os tchecos foram eliminados ainda na fase de grupos.

Mais famoso pelo seu legado do que por outros feitos ao longo da carreira, Antonín é sem dúvida um dos grandes nomes oriundos dos celeiros de Praga e adjacências. Que seriam Nedved, Poborsky, Rosicky e Köller sem a herança de Panenka e seus companheiros? Nem sombra de uma geração que chegou tão perto de 76, mas sucumbiu à força tática grega de Otto Rehhagel. Mas aí é tema para uma outra história...

Veja o momento eternizado no Marakana, em Belgrado, no vídeo abaixo.

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