sábado, 1 de outubro de 2011

Superando preconceitos


A comemoração do título do Shkendija

Por Gilmar Siqueira
Não é segredo para ninguém que minhas duas maiores paixões são política e futebol. Quando consigo unir os dois, tudo fica perfeito. E é isso que tento fazer em muitos de meus artigos. Agora falarei do FK Shkëndija, equipe macedônia formada por albaneses, que na temporada passada conseguiu um inédito título nacional.
O FK Shkëndija foi formado no ano de 1979 na cidade de Tetovo, na antiga Iugoslávia. A equipe surgiu de um sentimento de união por parte dos albaneses que queriam criar um time com "a sua cara". Isso desgostou as autoridades iugoslavas por medo do sentimento nacionalista que poderia ser despertado nos albaneses que lá viviam.
Contudo, nada foi feito nos primeiros anos, já que ninguém acreditava no crescimento desta agremiação. Mas para a surpresa de boa parte da população iugoslava, logo em sua primeira temporada na última divisão (até então a quarta), o Shkëndija conquistou o título e, consequentemente, o acesso à terceira divisão.
E a ascensão dos Kuq e Zi não parou por aí. Já em 1980-1981 veio o título da segunda divisão e a popularidade do time aumentou de forma exorbitante. Este fator foi decisivo para que o governo iugoslavo o dissolvesse.

Mas esta decisão não foi bem aceita pelos seus torcedores ultra-nacionalistas, que protestaram violentamente. Aliás, os torcedores do Shkëndija são mundialmente conhecidos pela fortíssima oposição ao governo macedônio. Se auto-denominam  Balli Kombëtar, que foi o nome de um grupo paramilitar criado na Albânia durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar do ódio declarado ao comunismo, o grupo se mostrou bastante antagônico fazendo oposição tanto às forças aliadas quanto às do Eixo, até que a Alemanha invadiu a Albânia e um acordo foi feito.

O FK Shkëndija só voltou a existir quando a Macedônia conseguiu sua independência. Entretanto, as coisas não começaram fáceis, já que o time foi forçado a disputar mais uma vez a quarta divisão. A prova de que os Kuq e Zi entrariam para a história é que vieram mais três acessos consecutivos, assim como na antiga liga iugoslava.

Para coroar tantos esforços veio o inédito título nacional em 2010-2011, logo após a promoção. Mas não foi uma campanha qualquer. A taça foi conquistada de forma honrosa: foram 65 gols marcados e apenas 23 sofridos, caracterizando o melhor ataque e a melhor defesa da ARJ. Não obstante a isso, o Shkëndija chegou a manter uma invencibilidade de 21 jogos. Ao final do campeonato o time tetovo havia conquistado 72 pontos, 11 a mais que o vice-campeão FK Metalurg. 

Um dos principais responsáveis por este título foi o treinador croata Qatip Osmani, que chegou em 2008 e, desde então, só conheceu glórias. Osmani é considerado por muitos o maior ídolo da história do Shkëndija, pois também defendeu as cores do time como jogador, marcando mais de 150 gols.

A temporada 2011-2012 começou há pouco na Macedônia e não há muito o que dizer. O líder é Metalurg Skpje, com 20 pontos. O Shkëndija ocupa a 3a. posição, com 18. O fato é que o rubronegro demonstrou muita competência no último campeonato e mais um título já não seria surpresa.

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