sábado, 22 de outubro de 2011

Solskjaer e o sonho inédito na Tippeligaen

Grande referência do surpreendente sucesso do Molde, Solskjaer já não tem
mais a mesma cara de garoto dos seus tempos de United (Dagbladet)

Por Felipe Portes

Acostumado a ser coadjuvante na Tippeligaen norueguesa, o Molde alça altos vôos na competição nacional desta temporada sob o comando de Ole Gunnar Solskjaer, ex-jogador com passagem gloriosa pelo Manchester United. O pequeno e simpático clube da região de Romsdal só possui três títulos domésticos, a Adeccoligaen de 2007 (divisão de acesso à Tippeligaen) e duas Copas Norueguesas (1994 e 2005).

Em novembro de 2010, o acanhado pavilhão assinou contrato com Solskjaer para o seu comando técnico. O aparentemente jovem (38 anos) já tinha trabalhado com as categorias de base do Manchester United e pareceu uma saída interessante para tentar uma campanha acima da modesta sétima posição na última edição do Norueguês. 

As expectativas não eram tão altas assim, já que se trata de um treinador relativamente novo no ramo, inexperiente. Contudo, rodada após rodada, Solskjaer mostrou que pode ser mais um destes exemplos de jovens maestros, tal como Guardiola. Não que isso sirva de comparação, mas não podemos minimizar o mérito de Ole, que conduziu o Molde a uma campanha invejável e na altura da 27ª rodada, já tem a larga vantagem de nove pontos sobre o Tromso. 

Com um início complicado, os azulados escorregaram nas três primeiras jornadas, perdendo para o Sarpsborg por 3-0, empatando com o Tromso e o Viking por 2-2. Antes de uma possível crise, o grupo soube se encontrar e tomar o caminho das vitórias. Neste intervalo, os revezes perante o Rosenborg (3-0) e para o Haugesund (5-0) evidenciaram o equilíbrio do campeonato, que tem a inusitada média de 7 derrotas dos seis primeiros colocados.

A grande arrancada do Molde veio na nona rodada, contra o Valerenga. 2-1, o primeiro passo de cinco compromissos vencidos em sequência. Daí em diante ficou difícil interromper a boa fase. Destaque para Pape Pate Diouf, que marcou 12 gols até aqui no certame e deixou a equipe para assinar com o Kobenhavn. 

Além do senegalês, que facilmente seria o artilheiro da Tippeligaen, Jo Inge Berget, atacante de excelente movimentação, Davy Angan (oito gols), o lateral Magne Simonsen e o meia Matthias Moström têm sido as forças decisivas desta equipe que chega cada vez mais perto do título.

Restando apenas três rodadas para o fim da competição, fica a sensação de que Solskjaer foi o passo mais acertado da diretoria do Molde, que sempre sonhou com o título nacional e agora está na iminência de realizá-lo. 

Ansiedade adia a definição do campeão
Na última sexta-feira, os comandados de Ole enfrentaram o Stabaek e poderiam muito bem ter assegurado a conquista, jogando fora de casa na Telenor Arena, em Baerum. A ansiedade em alcançar a glória inédita impediu que os azuis obtivessem êxito na tarefa de simplesmente vencer o mandante. Berget inaugurou o marcador aos vinte iniciais, mas o Molde não conseguiu resistir à pressão do adversário, que deu muito trabalho ao arqueiro Pettersen. 

A retranca armada por Solskjaer foi furada aos 10 da etapa final, pelos pés de Alain Olle Olle. O sufoco durou até o apito final e por pouco não custou a derrota ao visitante. O empate em 1-1 adiou pelo menos por uma rodada a inédita façanha do Molde. Pela frente, confrontos contra o Stromsgodset, Sarpsborg e Sogndal, os dois primeiros no Nye Molde Stadion. 

Os três futuros oponentes não estão na briga por vagas europeias, tampouco pelo título. Apenas o Sarpsborg pode trazer problemas, já que luta para evitar o rebaixamento e um possível revival do 3-0 no primeiro turno
seria ideal para as pretensões de sobrevivência do clube na Tippeligaen. 

É apenas questão de tempo para que o sonho vire realidade.

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