quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O renascimento do BATE Borisov


Viktor Goncharenko, o condutor do BATE (UEFA)

Gilmar Siqueira, @GilmarSiqueira
De Jaboti-PR


Neste último fim de semana o BATE Borisov conquistou seu oitavo título da Belarrusian Premier League, sendo o sexto consecutivo e reafirmou sua hegemonia (se é que alguém duvidava dela). Mas quem vê este time hoje não sabe que já chegou a ser dissolvido e só se tornou tão grande graças a Anatoli Kapski.

A fundação da equipe ocorreu em 1973, quando funcionários da fábrica BATE decidiram montar um time de futebol. Mas como ainda era sua primeira temporada, a equipe disputou uma espécie de segunda divisão bielorrussa e conseguiu vencê-la.

Logo em 1974, o BATE conseguiu seu primeiro título nacional (SSR League), depois de terminar a época regular invicto em seu grupo e vencer Motor e SKA na fase final. O poder desta equipe emergente seguiu e em 1976 e 1979 vieram mais duas taças.

Em 1981 aconteceu a maior tragédia da história do pavilhão de Borisov: a dissolução. Veio após a fábrica ter sérios problemas financeiros. E do BATE foram formados 4 outros times, que não obtiveram sucesso algum na SSR League. Detalhe é que em 1981 o BATE ainda conseguiu chegar à quarta colocação, novamente mostrando que era um forte grupo.

A situação só mudou -para melhor- em 1996, quando o empresário Anatoli Kapski decidiu comprar a fábrica e reviver o BATE Borisov. Logicamente o elenco não começou na primeira divisão, mas sim na terceira, conseguindo imediatamente o acesso para a segunda e posteriormente para a primeira.

Seu primeiro título da Liga Bielorrussa, já no formato de Belarrusian Premier League, aconteceu em 1999 e em grande estilo, terminando 12 pontos à frente do Slavia. Em 2001 veio a segunda conquista, de forma muito emocionante. No returno do campeonato, o BATE tinha uma diferença de menos sete pontos para o Neman Grodno, mas conseguiu empatar na última rodada. Para decidir quem seria o campeão, os dois oponentes tiveram de se enfrentar e o BATE venceu por 1x0.

A hegemonia propriamente dita começou em 2006, quando o BATE conquistou o primeiro dos seis títulos consecutivos. Mas a partir de 2008 é que esta agremiação passou a ganhar ainda mais destaque, isso graças a chegada do jovem treinador Viktor Goncharenko -na época com 31 anos.

Ele dedicou toda a sua carreira ao BATE. Estreou pelo clube em 1998 e conquistou dois títulos nacionais. Era um bom zagueiro, mas foi forçado a se aposentar aos 25 anos devido à uma lesão. Seguiu trabalhando na comissão técnica de Borisov até ganhar uma chance como treinador. Hoje é um dos principais expoentes da New Wave de treinadores da Europa oriental, sendo muito tático e competitivo.

Após sua chegada vieram mais quatro títulos, sendo o último conquistado nesta edição. Aliás, 2011 não foi tão bom -financeiramente- para o clube, que ainda apresenta um modelo soviético de administração, tendo inclusive um teto salarial para os jogadores. Anatoli Kapski precisou até mesmo vender algumas peças importantes, mas nada que interferisse no título.

Dentro de campo, Goncharenko arma a formação sempre em um 4-2-3-1, que dificilmente sofre variações. Alguns jogadores merecem destaque, dentre eles Renan Bressan, jogador brasileiro que já tem até passaporte bielorrusso. Tido como craque do time, joga em qualquer posição nos 3/4 do campo e até mesmo como o camisa nove.

Por falar em "9", chegou para o BATE nesta temporada o mítico Mateja Kezman, a custo zero, depois de passar por uma experiência meio frustrada no South China FC. Outro que merece uma menção é o versátil Dmitri Baga, que esteve no plantel da última seleção bielorrussa sub-21. Mais um jogador do BATE e que também serviu a Bielorrússia foi o goleiro Aleksandr Gutor, considerado um dos melhores na posição no leste europeu.

Não restam dúvidas de que este selecionado do BATE Borisov é muito bom e ainda por cima conta com um período de "hibernação" do Dínamo Minsk, equipe mais tradicional da Bielorrússia. Por isso, é bem provável que esta hegemonia ainda siga por um bom tempo...

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