segunda-feira, 17 de setembro de 2012

38 badaladas no relógio mágico do Campeonato

Foto: Globoesporte.com
José, @zenascimento

Era uma vez uma floresta mágica, em que viviam diversos tipos de personagens. No meio desta floresta havia um castelo, Campeonato, onde morava uma princesa chamada Vitória e suas duas irmãs: Empata e Derrota. Elas andavam sempre juntas e gostavam de pregar peças em quem tentasse se mover dentro de Campeonato.

Esse castelo era um local muito disputado. Durante meses, todo ano, diversas entidades entravam lá e passavam procurando a melhor maneira de chegar ao seu topo, antes ou no limite das trinta e oito badaladas mágicas do relógio central.  Do lado de fora, multidões aglomeravam-se, na torcida para que uma daquelas entidades que os representava pudesse chegar ao topo e jogasse, de lá, a magia da glória para eles.

Para quatro entidades (normalmente, porque havia uma bruxaria que poderia modificar esse número), o topo de Campeonato reservava uma vista gloriosa do exterior da floresta. Como Campeonato era muito apertado, havia um local especial próximo às estrelas, em que aquele que ali chegasse poderia contemplar o cenário de forma mais confortável. Ao contrário, os outros três ficariam espremidos.  

Pois no tempo em que nós, aqui neste mundo, chamamos de “final-de-semana passado”, a disputa pelo topo e pela glória acirrou-se um pouco mais – ainda que nem tanto, enquanto a desgraça que atormenta os desgarrados perdidos na parte de baixo no labirinto de Campeonato encostou a faca do desespero na garganta de uma galerinha. E as princesas acabaram por exibir todas as suas habilidades na arte da zuera mágica™.

No sábado, o destemido batalhão tricolor da bandeira branca, verde e grená, sob a motivação das mais puras doses de uísque e cachaça, alçou-se com toda a luxúria de um príncipe encantado contra o Dragão da lanterna. Uma luta clássica, como vocês todos conhecem de outras histórias de príncipes, princesas e dragões (para detalhes, ver SHREK). Desta vez, porém, saíram chamuscados (1-2). Mas de tão mágico este Campeonato, os guerreiros (?) tricolores não ficaram sem sua dama: acabaram a noite envoltos nos braços cabeludos da Derrota, enquanto olhavam com aquela cara de cachorro para a irmã mais bonita, logo ao lado.

Esperançoso pelos atributos suculentos da princesa Vitória, e tendo visto que o então líder dormia um sono conturbado ao lado da Derrota, o galináceo dentuço de cabelo blackpower e cara de choro viu no enfrentamento com o Timbu a chance de retomar a frente rumo à glória. Mas o aparente conto de fadas aviário transformou-se em pesadelo quando Souza fez o gambá de orelha branca emitir um xixi no olho do Atlético. Atordoado, o galo ainda conseguiu se livrar de outro jato fétido (Victor pegou um pênalti), mas acabou mesmo se abraçando na mesma princesa que o rival abraçara anteriormente (1-0). Ao final do domingo, mesmo de mãos dadas com Derrota, o Fluminense, por algum tipo de torpor, sorria ao vislumbrar, na irmã feia, o rosto de Vitória.

Pois a terceira irmã tava dando sopa, sem ter o que fazer, entediada por só ter trabalho com alguns ocupantes do meio de Campeonato. Atravessava uma ponte preta em chamas, onde não acontecia nada (0-0), para chegar onde uma raposa brigava com um navegador europeu (1-1). De um lado pra outro, sem emoção nenhuma. Então notou que sua irmã Vitória ouriçava-se nos encantos de um MONERO sensual, solteiro no Rio de Janeiro, braços abertos sobre a Guanabara, e resolveu patifar a coisa toda. Colou num jovem reserva, sob a bandeira do urubu, e o fez dar asas à bola que empatou a partida entre Flamengo e Grêmio (1-1).

Então apareceu um grupo de ninjas, todos vestidos de preto. Eram bons ninjas, uma vez que ninguém tinha a menor idéia de onde eles haviam saído. Começaram a tocar aquelas bolinhas de fumaça, e todos começaram a ficar atordoados. Empata, que estava saracoteando com Flamengo e Grêmio, pareceu, a ambos, Derrota. O saci, quando notou que não possuía uma perna, pensou que ela houvesse sido devorada por um leão que estava próximo. Mas era apenas delírio tropical, fantasia, e, após algum tempo, conseguir recuperar-se do cagaço e acabou ficando tudo mais ou menos bem (2-2). 

Nesse meio tempo, houve um tipo de desmatamento em Campeonato: uma figueira que andava foi derrubada por um pitbull baiano (2-1), e uma palmeira levou duas machadas (2-0) (de uma turminha que já descobriu uma passagem secreta para fora do castelo) e está perto de cair. Assim, no calabouço de Campeonato, hoje, encontram-se um dragão, duas áveres... averezes... árvoros (enfim) e um leão.

O final da noite foi conturbado em Campeonato, porque os ninjas tiraram as máscaras e todos viram que eram apresentadores de programas esportivos querendo dar um pouco de alegria àquela disputa. Como não funcionou e todos estavam bem loucos, eles trouxeram algumas dançarinas mascaradas, que ficarão fazendo dança do ventre até o final de semana que vem. Mal sabem os pretendentes que elas são as três irmãs, e que tudo isso deve se repetir na próxima badalada.

Troféu BRANCA DE NEVE da rodada: São Paulo, único dos 8 primeiros a vencer, o que lhe garante sobrevida na luta pela vaga à Libertadores;

Troféu MADRASTA MÁ: Leandro Damião, que foi dar uma letra e perdeu o gol que poderia ter dado a vitória ao Internacional contra o Sport.

Troféu SETE ANÕES (ns): Coritiba e Santos, só pra constar que foi 1-2 e que o Neymar fez um gol que vai ser usado para compará-lo a Messi e Maradona.



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