domingo, 9 de setembro de 2012

Revivendo um pesadelo

Foto: Placar



Nosso time adora quebrar um tabu e reviver datas históricas dez anos após elas acontecerem. Eu e meu pai trazemos sempre a mesma esperança de que os bons tempos, não como as tragédias, sejam reeditados e que a máxima "depois da tempestade vem a bonança" não seja invertida como já nos acostumamos a assistir. 

Saímos da fila, mas um ano e pouco depois vamos direto para o fundo do poço, para a alegria dos rivais que certamente abandonam suas camisas no primeiro sinal de dor, derrota ou sofrimento. Aos que sabem o que é dar apoio incondicional aos seus amores, o olhar talvez seja mais compreensivo, com a conotação de "já estive lá, sei como é". 

A questão é que o futebol não é feito de compaixão e muito menos de amor ao próximo. Quanto mais sarro puder ser tirado, melhor. No entanto, entre torcedores da mesma bandeira, o sentimento é de solidariedade. Uns preferem enxergar a queda como improvável, outros dizem que a recuperação virá e claro, o restante leva as mãos à cabeça esperando que algum milagre possa evitar que mais essa adaga perfure o peito da sofrida massa. Essa grande parcela alviverde que quinze anos atrás certamente não imaginava que o pior filme de terror na história do Palestra Itália seria exibido não apenas uma, mas em duas oportunidades.

É nesse caminho tortuoso que anda o Palmeiras, rebaixado em 2002, promovido em 2003 e não poucas vezes quase despromovido. O desempenho lamentável se repetiu até chegar num ponto sem volta em 2012. Vencemos a Copa do Brasil, é verdade. Mais por mérito de quem comandou essa campanha sólida com um elenco sofrível (fato que é da sabedoria de todos desde o início) do que dos próprios jogadores, que não sabem ao certo se são aquele time combalido que passou por Grêmio e Coritiba ou o bando abatido que levou três da Portuguesa e do Atlético-MG. 

Enquanto eles ficam com essa interrogação na mente, quem está do lado de fora, já esgotando as preces pela salvação, convive com um belo ponto de exclamação no pensamento sempre que o juiz apita e o Palmeiras está em campo. O que era festa e desabafo virou drama, novela mexicana de 500 capítulos, onde a mocinha se afasta do galã a cada episódio. 

Se esse roteiro de dramaturgia fosse adaptado para a turma do Palestra Itália, o clube seria um ex-funcionário público aposentado por invalidez e que sonhou uma noite ter encontrado a mulher de sua vida. Desde então tem a procurado pelas ruas, sem sucesso, debaixo de chuva e frio, sem sequer um agasalho pra evitar o resfriado. Sem enxergar nada, pensou ter visto uma garçonete qualquer num bar qualquer caindo aos pedaços e fez dela seu objetivo de vida. Era na verdade uma ex-prostituta que se cansou do cotidiano repleto de desamores e para pagar suas contas, passou a servir café na periferia. 

Triste ter sua visão distorcida com o tempo, após anos e anos de incessantes porradas na cara, no ânimo, na alma. Juntando todos esses ingredientes, o resultado só pode ser um desastre. Desonrando e desvirtuando o hino que sempre lembra das lutas que o aguardam, o Palmeiras caminha a passos largos para a reprise de sua maior vergonha. E como dói saber o que vem pela frente e nem sequer resistir. Desafinada de forma melancólica e mórbida, a vitrola com o cântico palmeirense soa alto, soa como um aviso e uma constatação. Não pode ser verdade que iremos passar por tudo aquilo de novo. 

[9 de setembro, 20h37]
O celular toca, meu pai em menos de uma hora foi da empolgação até a completa depressão e a raiva. Seja por mim, por ele, que algum milagre aconteça. O consolo é que a gente sempre deve lembrar de um momento que faça a gente sorrir, do que dez que nos façam chorar. E que isso seja só mais um pesadelo...

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabens filho , expressou o que estamos sentindo , eu voce e a legião de verdadeiros palestrinos .
E a raiva que senti, não foi pela falta de empenho , ou de vontade , que isso pelo menos eles demonstraram , mas foi pela incredulidade em ver que nosso tão competente comandante não viu ainda a total falta de condições de Leandro Amaro e Patrick em vestir nosso manto , em defender nossas cores ...ver o sr. Leandro Amaro cometar tão grotescas falhas , enfurece qualquer um .
Esse é o zagueiro que qualquer atacante sonha enfrentar ....