quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Queria ser Rei

Foto: JBlog

2002 foi mesmo um ano inesquecível para o torcedor brasileiro. O título mundial da Seleção coroou um grupo seleto de estrelas que levantaram a taça sem nenhuma grande turbulência nos sete jogos disputados na Coreia/Japão.

Em agosto, um mês depois da conquista de Ronaldo e sua turma, Emerson Leão fazia uma aposta de risco no Santos. Lançou ao time titular um grupo de garotos que ficou conhecido como "Meninos da Vila". O experiente Fábio Costa ditou o ritmo da molecada que era composta por Léo, Alex, André Luis, Maurinho, Paulo Almeida, Elano, Renato, Diego, Robinho, Adiel, Alberto e William (Batoré). Ainda contando com o rodado Robert (aquele), o xerife Clebão, o predestinado Oséas, o caneleiro Galván e o ícone Odvan, o Peixe chegou comendo quieto na disputa do Brasileirão e ao fim das 25 rodadas ficou na oitava posição, abocanhando a última vaga nas quartas de final. 

A primeira vítima no mata-mata foi o São Paulo de Kaká, Julio Baptista e Luís Fabiano, que concluiu a primeira fase como líder absoluto, cinco pontos na frente do São Caetano. Duas surras (uma por 3-1 na Vila e outra por 2-1 no Morumbi) eliminaram o tricolor, franco favorito ao caneco. A surpresa com a vontade e a ginga dos garotos alvinegros foi enorme.

Veio então o Grêmio de Rodrigo Fabri, Grafite, Gilberto, Luís Mário e Luizão, que sentiu a pressão fora de casa e voltou para Porto Alegre com três gols de desvantagem na mala. Fazendo apenas 1-0 no Olímpico, o Imortal caiu perante os então azarões do torneio. Crescendo demais na etapa final da competição, o esquete de Leão enfrentaria o Corinthians na decisão. 

Foi aí que despontou a estrela do menino Robinho. Abrindo 2-0 na primeira partida contra o Timão, o Santos chegou para a finalíssima com tranquilidade e uma mão na taça. Aquele time do Corinthians, no entanto, não se renderia tão fácil. Aos 35 do primeiro tempo, com 0-0 no placar, a inesquecível jogada. Oito pedaladas em cima de Rogério, que indefeso e estabanado derrubou o camisa 7 dentro da área. Pênalti. 1-0 Santos. 

O alvinegro da capital chegou a virar o placar no fim do segundo tempo, mas não esperava outra peripécia do menino Robson. A assistência para Elano, que marcou o 2-2, foi uma descida pela direita com um passe preciso. Léo ainda completou o 3-2, sacramentando o título. Aquele Santos virou potência nacional, após anos de espera por mais uma conquista. Contribuição enorme do camisa 7, aquele magrinho que driblava os oponentes e a tristeza. A partir daí passou a ser astro, sinônimo de talento e futebol alegre, uma marca que ficou registrada durante a década passada.

Não demorou para que Robinho se tornasse a maior esperança do Brasil depois de Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Romário. Levantando outra vez o Brasileirão em 2004 (agora por pontos corridos) sob a batuta de Vanderlei Luxemburgo, o moleque viu sua vida complicar durante o longo sequestro de sua mãe, ao final daquele ano. Forçado a amadurecer, ainda era contestado por muitos, que alegavam faltar objetividade e sobrar firula em campo.

Passou a ser assediado pelos gigantes europeus, lançado nas vitrines após a Libertadores de 2003, na qual o Santos foi derrotado pelo Boca de um certo Carlos Tévez. Era questão de tempo para que o xodó da Vila Belmiro arrumasse as malas. E assim foi para o Real Madrid na metade de 2005 com moral de craque e pegando logo a camisa 10. Demorou a ter espaço nos onze titulares, convivendo com grandes nomes como Zinedine Zidane, David Beckham, Roberto Carlos, Raúl e Thomas Gravesen (risos) (até saíram na porrada durante um treino em 2006).

Convocado para o Mundial de 2006, virou o reserva de luxo de Carlos Alberto Parreira e no meio de uma geração vencedora, acabou se tornando aquele que não teve chances suficientes para provar seu valor. Queria ser o melhor do mundo, queria ganhar o planeta com as suas pedaladas. Largou o estilo adolescente pra virar homem em Madrid. O pequeno de São Vicente então enxergou o lado menos glamouroso do esporte e as críticas ao seu jogo voltaram a aparecer. 

A venda para o Manchester City em 2008, representou a fase mais difícil dos risonhos anos do franzino como atleta. Ao início de 2010, sem espaço no clube inglês, pediu para ser emprestado ao Santos, onde dividiria espaço com o velho Giovanni e os novatos Paulo Henrique Ganso e Neymar. Três gerações distintas unidas no mesmo time, treinado por Dorival Júnior. Venceram o Paulistão e a Copa do Brasil. Era o bastante para que o já experiente atacante chegasse na Copa da África do Sul como protagonista de um grupo dedicado, mas sem o mesmo brilho de outrora. 

O insucesso daquela seleção foi um duro golpe para Robinho, que deixou sua molecagem de lado e se transformou num elemento mais coletivo, objetivo e sem aquela necessidade de ser a principal referência.  Aprendeu a ser peça de um grupo, de um quebra cabeça, no Milan. Já está muito longe de ser visto como o melhor do mundo, na sombra da própria frustração. 

No entanto, o menino não se abate, beirando os 30 anos. Hoje não é mais o dono da bola, o carro chefe. Ainda ontem era Santos de Robinho, atualmente atende por Robson. Robson do Milan, dedicado e com grande técnica, boas assistências. O final está sendo feliz?

Nenhum comentário: