terça-feira, 4 de setembro de 2012

Reconstrução

Ljajic não cantou hino nacional e rodou por ordem do treinador: crises
pessoais começaram cedo na Era Mihajlovic (Foto: Telegraph)


Campeã do grupo 7 das Eliminatórias para o Mundial de 2010 superando França, Áustria, Lituânia, Romênia e Ilhas Faroe, a Sérvia chega para mais uma dura batalha em busca do reconhecimento como uma das principais herdeiras do futebol iugoslavo. Depois do fiasco na classificação para a Eurocopa 2012, onde fraquejou em sequer chegar na repescagem em derrota para a então eliminada Eslovênia, o selecionado sérvio foi reformulado de forma radical. A começar pelo abandono de Nemanja Vidic e Dejan Stankovic às convocações internacionais, ainda em 2011.

Outra mudança considerável foi a saída de Radomir Antic em 2010. O treinador já teve três sucessores: Vladimir Petrovic, Radovan Curcic e Sinisa Mihajlovic, hoje dono do cargo. No caso de Mihajlovic, que não teve sucesso na Fiorentina, o último clube por onde passou. Imediatamente tentando demonstrar pulso, o técnico barrou Adem Ljajic após o meia (que foi seu pupilo na Fiorentina) não cantar o hino nacional em amistoso contra a Espanha, em maio.

A tendência a convocar novos talentos criados nas principais forças do país e outros nomes pouco conhecidos do grande público, Sinisa concentra seus esforços na juventude sérvia e pelo menos por agora o resultado foi abaixo do esperado nas partidas disputadas, se levado em consideração o potencial do elenco.

As partidas realizadas às vésperas da Eurocopa, contra Espanha, França e Suécia evidenciaram uma fragilidade defensiva, além da falta de criatividade no meio campo. O desentrosamento ficou claro e antes que aquela consistência demonstrada anos antes ficasse para trás, o comandante tratou de reparar o erro. 

Estão presentes nas duas primeiras convocações para as Eliminatórias de 2014 o ótimo goleiro Zeljko Brkic, da Udinese, o lateral Dusan Basta, também da Udinese, o volante carniceiro Aleksandar Ignjovski, Srdan Mijailovic, meia do Estrela Vermelha e o atacante  promessa do Partizan, Lazar Markovic. Ficaram de fora alguns medalhões como os já citados Vidic, Stankovic, Milos Krasic, Ivan Obradovic, Nenad Milijas, Bosko Jankovic e Zdravko Kuzmanovic. Assumiu a faixa de capitão o lateral Branislav Ivanovic, que parece ter reencontrado o bom futebol no Chelsea.

Ao abdicar de atletas mais rodados, Sinisa corre risco de pecar pela inexperiência, já que a média de idade no plantel é baixa. O mais velho do grupo é o temperamental goleiro Vladimir Stojkovic, do Partizan, com 29. Do meio para frente, por exemplo, a média oscila entre 23 e 24 anos. Se essa moçada fizer o talento prevalecer, talvez tenha sido uma aposta certa por parte do comandante, mas é cedo para avaliações mais profundas.

O tempo até a próxima Copa é curto e a caminhada começa neste sábado, contra a Escócia, pela chave A. Disputando ponto a ponto com Bélgica, Croácia, Macedônia, os próprios escoceses e País de Gales, a Sérvia deve mesmo figurar entre a terceira ou quarta posição. Na mais otimista previsão, pegaria repescagem, mas ainda sim teria de desbancar os belgas e croatas, absolutos favoritos no agrupamento. 

Será dificílimo repetir o sucesso daquela campanha de 2010, especialmente sem o mesmo projeto ou as peças necessárias. Desta vez não haverá uma França em crise, uma Áustria imatura, uma Romênia sem brilho e as fraquíssimas Lituânia e Ilhas Faroe. Todos os países presentes nessa chave para 2014 possuem a missão de buscar o seu espaço entre as 16 principais forças do futebol europeu. Já não se pode mais dizer que os sérvios entram com nome e reputação a zelar. Agora tudo começa do zero e as memórias não devem servir apenas de consolo num possível insucesso, e sim como inspiração nessa reconstrução.

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