sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sono profundo

Dalglish e as constantes taças em Anfield: cenas de um passado colorido
que está longe de ser reprisado no Liverpool (Foto: Meio a zero)




Uma história infantil qualquer cantaria a lenda do gigante adormecido, que assombrou o planeta no passado, mas que hoje repousa inofensivo, sem perspectiva de despertar. É o caso do Liverpool que se faz cada vez mais um conto de fadas às avessas. 

Ex-maior campeão inglês e com várias conquistas continentais, especialmente nas décadas de 1970 e 80, o clube da região de Merseyside foi comandado durante muito tempo pelo gênio Kenny Dalglish, ao lado de estrelas como Bruce Grobelaar (spaghetti legs em 1984 em final europeia), Phil Neal, Alan Hansen, Graeme Souness, Steve Nicol, Alan Kennedy, Terry McDermott, Steve Heighway, Ian Rush, entre outros. Os Reds varreram o planeta, apesar da surra ante o Flamengo em 1981 tentar indicar o contrário.

Apagado na década de 1990, conquistando o último título da liga inglesa em 1989-90, o Liverpool se reergueu no início dos anos 2000, vencendo uma Copa UEFA em 2001 e a Champions League em 2005, em épica decisão contra o Milan. Dois anos depois encarou novo confronto com os italianos, levando o troco pela virada histórica nas penalidades. Destaque para Jerzy Dudek, que repetiu Grobelaar 21 anos antes com a spaghetti legs. Desde 2007, a agremiação parece ter se distanciado de brigar por conquistas e teve seu papel relegado dentro da Premier League.

Atualmente, ainda que tenha um elenco de nível aceitável, a equipe treinada pelo jovem Brendan Rodgers mergulha numa participação melancólica e está cada vez mais desaparecendo da cena dos grandes, gradativamente perdendo espaço e competitividade. Agravada por péssimas campanhas recentes, a situação dos Reds é delicada, mas ainda é cedo para falar em decadência, mal que já acometeu times como o Leeds United e o Nottingham Forest. 

Infelizmente para "The Kop", a mais célebre torcida do Liverpool, a má fase está longe de ir embora. Os 37 de diferença para o campeão Manchester City em 2011-12 e a oitava colocação na tabela não foram lá tão dolorosos, visto que a conquista da Copa da Liga amenizou os seis anos sem títulos pelos lados de Anfield. A falta de entrega de grande parte do plantel e a dependência exagerada no capitão Steven Gerrard, bandeira e ícone local, prejudicou muito a caminhada rumo à recuperação. Sem o seu maior jogador em campo, os Reds viram um simples e modorrento adversário em campo. Com exceção de dois ou três nomes como Luizito Suárez, Daniel Agger e Nuri Sahin, o panorama é desanimador.

Um divisor de águas (de forma negativa) foi a derrota para o Arsenal, em casa, no último domingo. Aceitando o ritmo dos Gunners e sendo amplamente dominada, a formação de Rodgers foi passiva e tomou 2-0, chocando os que acreditavam em reação, considerando a boa atuação frente o City sete dias antes. O que era uma esperança se transformou em consternação. 

Não há um padrão de jogo definido, e a forte marcação que é de praxe ficou mais branda. O meio campo é demasiadamente previsível e por vezes entediante. Lá na frente, quase numa ilha isolada, Suárez se vira para tentar atazanar os oponentes, mas sem o apoio do operário Dirk Kuyt, vendido ao Fenerbahçe, dá constantes murros em ponta de faca, sobrecarregado. A expectativa é que a joia Raheem Sterling ajude a desafogar o índice de trabalho no ataque. Com o empréstimo de Andy Carroll para o West Ham e o investimendo em atletas não consagrados, a mentalidade acomodada de quem negocia as integrações no elenco é evidenciada.

Olhando de forma mais atenta, transparece também o esforço dos dirigentes em retornar ao passado. A quase contratação de Michael Owen nesta janela de transferências e o interesse em Alessandro Del Piero denotam que há um certo despreparo em buscar nomes para uma renovação. A frustração no acerto de Owen com o Stoke atingiu os poucos que ainda queriam ver o baixinho voltar a pisar no Anfield. 

Aos diretores de alta cúpula, pouco importa que o Liverpool fique no meio da tabela ou não. Enquanto isso, a torcida acompanha a lenta derrocada, ano a ano. Para o consolo de Gerrard e seus companheiros, quem quer que vista aquele uniforme nunca andará sozinho. Seguindo o terrível compasso da espera, os fãs seguem suas vidas aguardando que o gigante desperte de seu sono profundo. 

Um comentário:

Anônimo disse...

Na minha opinião o problema do Liverpool é que não sabe investir o dinheiro.Gastaram muito dinheiro com Carrol,dowling,Adam jogadores que não renderam bem no liverpool e custaram caro.