terça-feira, 18 de setembro de 2012

O paladino

Foto: Goal.com





Tinha 19 anos quando iniciou sua trajetória como profissional, em 1991. Despontando bem pelo Dukla Dejvice, o menino de Cheb tinha a bola como melhor amiga. Tímido e consciente, Pavel tinha um controle impressionante da pelota que ficava ali, do lado da cama, companheira das suas epifanias de adolescente. 

Tão logo seus passes, sua determinação e sua classe em campo foram vistos pelo titã tcheco, o Sparta Praga, o sonho de nove entre dez meninos que crescem na capital da República Tcheca. E assim foi desenhando sua história na equipe por quatro anos, levantando três vezes a liga local e uma vez a copa, em sua passagem. Chegado o ano de 1996, alçou voo para a Lazio, que representava o espírito aguerrido do meia. 

A águia celeste queria mesmo voar, e juntando aos seus poderes o talento de Nedved, parecia ter encontrado o caminho certo. Dominando o setor de meio campo laziale, Pavel era peça chave do melhor esquadrão que a agremiação romana já havia montado. Um plantel excelente comandado por Sven-Goran Eriksson e que alinhava Luca Marchegiani, Alessandro Nesta, Paolo Negro, Giuseppe Favalli e Giuseppe Pancaro, Matías Almeyda, Vladimir Jugovic, Diego Fuser, Pierluigi Casiraghi, Roberto Mancini e Giuseppe Signori. 

Bem adaptado ao clima e ao estilo de jogo italiano, o tcheco ditava o ritmo, soltava a bola e pintava o sete. Não demorou para que chegassem ao primeiro dos memoráveis triunfos: a Coppa Italia em 1998. Acompanhando o sucesso, veio a Taça das Taças UEFA em 1999, em cima do Mallorca, a Supercopa Europeia e coroando uma geração espetacular em 2000, a Serie A, com um doblete repetindo a Coppa Italia.

A Lazio se tornou o time a ser batido em território italiano, missão que só foi cumprida pela eterna rival Roma, no ano seguinte. Se juntaram ao bando o lateral Sinisa Mihajlovic, o lateral Roberto Sensini, o beque Fernando Couto, os volantes imortais Diego Simeone e Juan Sebástian Verón, os meias ariscos Sérgio Conceição e Dejan Stankovic, além do atacante Alen Boksic. No entanto, a partir de 2001, a magia de Pavel deixou de acontecer no Olimpico. Resolveu tentar chegar mais longe e aceitou a proposta da Juventus, outra que montava um elenco invejável no início da década de 2000. 

Importantíssimo e valioso, o menino de ouro de Cheb seguia encantando e resolvendo a situação quando era requisitado. Estava destinado a ser a referência de sua geração no país, ídolo de muitas das crianças e adultos que queriam ver a reprise das glórias de Antonín Panenka nos anos 1970. Força a seleção tcheca tinha. 

O primeiro indício veio na decisão da Eurocopa de 1996, onde deram muito trabalho para a campeã Alemanha, do predestinado Oliver Bierhoff. Oito anos depois, nova grande campanha. As esperanças desmoronaram com a lesão do capitão e protagonista deste texto, frustração repetida em 2006, no Mundial.

Foi um duro golpe ver o grande nome de um país sucumbir a lesões em momentos cruciais. Tricampeão italiano com a Juventus, Nedved seguia reinando em Turim. Durante o ano de 2003, venceu a eleição do Bola de Ouro pela France Football, coroando um gênio do seu tempo. Fato é que Pavel era incansável. 

Corria pra cá, pra lá, tocava a bola como se fizesse com a velocidade duplicada em relação aos seus rivais. O futebol se rendeu ao homem que fazia os ponteiros do relógio mais lentos, impassíveis diante da sua passada ligeira, precisa. Como poucos, o tcheco fazia o esporte parecer algo fácil, praticado por qualquer criança em busca de diversão. Enquanto esteve em atividade, o campeonato italiano tinha uma grande estrela, colorindo as páginas de uma liga que já teve tantos dinossauros.

Passou também pela amargura da segunda divisão, punido pelo envolvimento da Juventus em escândalos de aposta em 2006. Dois títulos cassados e um ano depois, voltava a velha senhora em 2007 para a elite italiana. Pavel esteve lá durante o ano mais amargo na história do clube de Turim. Como herói que foi, teve pleno reconhecimento da torcida bianconera no regresso e por mais essa razão permanecerá nos corações deles.

Ironia mesmo para um atleta tão consagrado e incontestável como ele, foi justamente ter no título da Serie B o seu último antes do adeus. O ano de 2009 marcou as derradeiras partidas do lendário meia. Fecharam-se as cortinas em meio a campanha do vice campeonato italiano, dez pontos atrás da Internazionale. Pela Champions League, a eliminação veio cedo, nas oitavas de final frente o Chelsea.

Superando o feito de Zidane, Nedved cravou seu lugar no coração juventino, como poucos conseguiram em menos de uma década. Carente do seu maestro na meia cancha, a equipe alvinegra esperou seis anos para tornar a ser temida em território italiano. Agora tudo são flores novamente, mesmo sem o paladino com a camisa 11. 

Um comentário:

Anônimo disse...

o melhor , motivação pelo menos pra mim