sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Rápido, rasteiro e mortal


Foto: El Piojo López.blogspot.com

Claudio López marcou época pelo Valencia e fez gols importantes pela Argentina nas décadas de 1990 e 2000, com passagens por Racing, Lazio, América-MÉX, Kansas City Wizards e Colorado Rapids

Poucos jogadores conseguem aliar a velocidade à frieza, a calma e à tão rara qualidade na hora de terminar seu movimento. Ex-atacante dos bons e que atualmente é piloto no Campeonato argentino de rally (não, você não leu errado), Claudio López, ou Piojo López marcou seu nome na história recente do Racing, apesar de não ter levantado nenhuma taça por La Academia.

Os canhotos que jogam na frente costumam ter talento. Que dirá os argentinos. Era o ano de 1990 em La Plata quando um menino de 16 ganhou uma chance na base do Estudiantes. Os tempos foram difíceis e ele resolveu por assinar com o Universitário de Córdoba, onde chamou a atenção da seleção argentina sub-17. Visado por empresários de equipes tradicionais, Claudio foi contratado pelo Racing em 1992, para anos depois cair nas graças da torcida albiceleste.

Lutando pela titularidade em seus primeiros meses, marcou seu primeiro gol em cima do maior rival, o Independiente. Durante 1993, demorou a engrenar na equipe titular, mas quando isso aconteceu, foi de forma irreversível. Apenas no Clausura daquele ano ele se estabeleceu como figura regular nos onze iniciais, participando de 12 dos 19 confrontos daquele torneio. 

Eram anos difíceis em que o clube não se encontrava. Uma campanha especial foi no Apertura de 1993, quando o Racing ficou em terceiro na classificação geral, apenas um ponto atrás do campeão River. Em 1995, sob a batuta de Maradona, La Academia seguiu sem o progresso esperado. López, por sua vez, escalava de gol em gol, de assistência em assistência o seu lugar na seleção argentina. Sua primeira partida como titular foi contra o Peru, em vitória por 1-0 no mesmo ano.

Mortal na pequena área, desenvolveu sua capacidade em concluir a gol, qualidade que lhe tornou reconhecido mundialmente tempos depois. De qualquer lugar da área representava perigo. Era infernal quando encontrava espaço entre os defensores e com inesperados chutes de esquerda fazia a alegria da sua torcida.

De partida para o Valencia em 1996, teve uma despedida emocionada do Cilindro após o Clausura 1996, quando viu o Vélez ser campeão com onze pontos de distância do Racing, na oitava colocação. A memorável imagem de López sentado em cima do travessão e sendo saudado por todos os presentes ficará registrada nos olhos de quem esteve no estádio naquela noite.

Os anos de Mestalla
Responsável por ser o substituto de Mijatovic, que havia ido para o Real Madrid, o argentino precisava provar o seu valor pelo Valencia e impressionar ao treinador Luís Aragonés, que ainda tinha de contar com a presença de Romário em seu elenco. Encrencado com o baixinho, o técnico deu uma chance para El Piojo, que não decepcionou e tratou de cumprir seu papel com muita competência.

Coitado do arqueiro Molina, do Atlético de Madrid, em outubro de 1996. De muito longe, López acertou uma bomba por cima do goleirão, que ainda tocou na bola mas não conseguiu salvar. O 3-1 no Mestalla com a peripécia do novato foi o que bastou para que a torcida de Los Che aclamasse o atacante.

Vivendo seu auge, Claudio foi o artilheiro do Valencia nos anos que se seguiram com o comando de Claudio Ranieri. Referência no ataque, proporcionou ao seu time um novo panorama em estilo de jogo. Agora os pupilos de Ranieri valorizavam a posse e tinham mais agressividade nas descidas. Somados a um meio campo eficiente formado por Mendieta, Kily González e Angulo, Los Che voaram alto. Ao lado do romeno Ilie, a dianteira valenciana era deveras respeitável e perigosa.

Decisivo ante Barcelona e Real Madrid em 1998/99, El Piojo deu sequência às grandes atuações que o lançaram ao estrelato meses antes, na Copa do Mundo de 98. Contra a Holanda, marcou uma vez e fez parte de um dos mais equilibrados duelos dos Mundiais. A vitória dos holandeses foi com requintes de crueldade, num golaço de Bergkamp, adiando o sonho argentino de voltar a erguer uma Copa.

Campeão da Copa do Rei, marcou duas vezes contra o Atlético de Madrid na decisão, no 3-0. Mendieta completou o placar. Veio também a Supercopa espanhola, e López ergueu seus primeiros canecos. Em 2000, nova despedida: seu destino seria a Lazio, que montava um verdadeiro esquadrão para suceder seus anos de ouro que culminaram no scudetto e na Supercoppa Italia, onde marcou dois gols contra a Internazionale. Deixou no Mestalla a média de 195 jogos e 75 gols, e no Olímpico, 164 aparições com 49 tentos.

Lazio, Azteca e a volta ao Racing: um ciclo se encerra
A boa fase durou pouco, e com uma lesão em 2003/04, Claudio perdeu o prestígio mesmo com a vitória na Coppa Italia daquele ano. Repetindo a parceria com Mendieta na equipe italiana, López teve um início excelente, mas aos poucos foi decaindo. Negociado com o América do México, muito em função da Lazio ter passado por sérios problemas financeiros, o argentino se reencontrou com o bom futebol.

Campeão do Clausura de 2005 pelos Aguilas, era parte vital do grupo que se notabilizou como uma das principais forças no futebol mexicano na década passada. Destaque para a caminhada para o título da Copa dos Campeões da Concacaf em 2006, credenciando o América a disputar o Mundial daquele ano, quando foi eliminado pelo Barcelona.

No início de 2007, voltou ao Racing, onde ficaria mais dois anos. Sem o desejo de renovar ao fim de 2008, foi tentar a sorte na MLS, já aos 34 anos, pelo Kansas City Wizards. Em 65 partidas, anotou 18 gols e estava preparado para encerrar sua carreira no Colorado Rapids, em 2010. O final não poderia ser melhor. Vencendo a liga, El Piojo fechou o ciclo como líder do elenco, apesar de não ter marcado nenhum gol na temporada. Era a última volta olímpica de López, um dos maiores ídolos argentinos da década de 1990.

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