quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Um quase campeão

Foto: Goal.com



Gaizka Mendieta foi capitão de um Valencia que há muito não se vê: duas vezes consecutivas em finais europeias, o meia não sabe o que é ser campeão continental e é um dos maiores injustiçados do futebol

Ele já foi um dos meias mais caros da Europa. Já foi eleito um dos melhores atletas do continente em 2000 e 2001, quando o seu Valencia perdeu duas finais consecutivas da Champions League. Foi também essencial na campanha espanhola durante a Copa de 2002, que naufragou de forma suspeita diante da anfitriã Coreia do Sul. Passou por Lazio e Barcelona antes de aportar no Middlesbrough. Mesmo assim, seu maior título foi uma Copa do Rey, em 1999. Esse foi Gaizka Mendieta, um legítimo desafortunado.

Tudo começou há um tempo atrás na Ilha do Sol em 1991, quando o menino Gaizka, portador de um penteado tigelinha (como as mães costumam chamar os seus pivetes) estreava pelo Castellón, que na ocasião estava na segundona local. Foi direto para as canteras do Valencia, em função de sua efetividade como meio campo. Excelente na criação e no desarme, foi fazendo seu nome na base de Los Che até que em 1993 ganhou suas primeiras chances.

Em 1995 já era titular absoluto e quase nunca ficava de fora. Naquele ano, o Valencia prosperou em La Liga, alcançando o vice campeonato, apenas atrás do Atlético de Madrid por quatro pontos. No apoio do jovem Gaizka, estavam os brasileiros Mazinho e Viola, além do atacante Mijatovic, que brilhou antes de acertar com o Real Madrid na temporada seguinte.

Jogava a bola onde queria, deixava os coleguinhas na cara do gol. Se notabilizava pela facilidade que tinha ao transitar na meia cancha, seu habitat. Elétrico, não parava de correr nem por um minuto e sempre estava nas divididas, determinado a virar dois ou três Mendietas.

Seu auge coincidiu com a melhor fase do clube valenciano, que alcançou duas finais da Champions League em 2000 e 2001, contra Real Madrid e Bayern. A segunda, com requintes de crueldade, decidida nos pênaltis contra os germânicos. Como capitão, conviveu com a frustração de não levantar a tão desejada taça, reprisando a frustração de Cruyff alguns anos antes nas Copas de 74 e 78 com a Holanda. Nem tudo era só lamento para o menino de Bilbao. Vendido por 45 milhões de euros para a Lazio, queria manter a boa fase da equipe italiana, que estava nas cabeças e com dinheiro de sobra para gastar.

Uma temporada frustrante na celeste romana bastou para que ele retornasse à sua terra. Com a ingrata tarefa de substituir Pavel Nedved, não rendeu e foi emprestado ao Barça. Mesmo em forma e útil ao esquadrão blaugrana, uma sexta colocação no Espanhol serviu como balde de água fria às suas ambições.

Com proposta do Middlesbrough, chegou para conquistar a Copa da Liga em 2005 pelo Boro e rapidamente virou ídolo da torcida. Ao lado de ícones como Doriva, Juninho Paulista, Ricardinho, Zenden e Downing, Mendieta era Rei, era uma estrela entre um elenco de velhas glórias. Possibilitados de disputar a Copa UEFA em 2005/06, os Smoggies chegaram até a final do torneio, mais uma chance para Gaizka se consagrar no degrau mais alto, erguendo a taça.

Esqueceram apenas de avisar o Sevilla que do outro lado estava um homem necessitando daquela vitória. Quiseram os deuses do futebol que Mendieta ficasse só no quase. No placar final, 4-0 para a agremiação andaluz. Choro pelos lados ingleses, mais tristeza ainda para o espanhol, que lidava mais uma vez com o vice.

Após a saída de McClaren do comando do Boro, em 2006, o ambiente que não ajudou, especialmente o novo técnico, Gareth Southgate. O ex-beque não soube se relacionar com os figurões do time e logo as encrencas foram acontecendo. É o que o meia conta em entrevista ao Mirror Football: "Ele nunca foi honesto comigo. O clube queria ir para outra direção, apostando em jovens, querendo se livrar dos medalhões. Jogamos juntos e nos entendíamos, mas de repente ele virou o treinador e eu não fazia mais parte de seus planos. Tive propostas de empréstimo por outras equipes espanholas, italianas, mas não queria aceitar e voltar seis meses depois na mesma situação. Podemos dizer que havia um conflito de atitudes entre eu e ele".

Com cinco anos de Middlesbrough e relegado ao papel de reserva, Mendieta resolveu pendurar as chuteiras, com 34 anos de idade. Participou pela Espanha de uma Copa, em 2002, e da Eurocopa em 2000. Incontestavelmente um grande jogador, mas que carecia de um pouco de sorte, talvez alguns troféus importantes na lembrança...

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