terça-feira, 27 de novembro de 2012

Um tricolor infiltrado, a gandula e a estrela solitária

Fernanda Maia, a gandula do Botafogo (suspiros)
Foto: Placar
Wenceslau Neto, @jackalopods

Tricolor infiltrado conta detalhadamente como passou mais uma tarde no Engenhão, onde viu Seedorf, o Botafogo e uma gandula pra lá de sensual como atração extra campo

Eu não gosto do Atletico Mineiro. Geralmente é simpático, um Botafogo mineiro, mas nesse ano o chororô deles foi bem agressivo, e o que mais me incomodou como tricolor que sou foi o fato de não termos vencido os jogadores do Galo nesse ano (e olha que houve roubo, mas enfim). Até pra ver o Galo perder eu resolvi ver o jogo deles contra o maior time que são fregueses: o Botafogo original, que chegou a ficar mais de 10 partidas invicto contra os mineiros em Brasileirões.

O esquema foi o mesmo da outra vez, fui com meu amigo na parte de sócios, onde a visão é boa. Como dessa vez não havia preliminar do Túlio e ainda estava chovendo. Chegamos em cima da hora e o estádio estava quase vazio, com umas aglomerações aqui e ali, coisa e tal. Já a torcida galinácea chegou em bom número, que nem quando a do Corinthians vem ao Rio. Vale dizer que AQUELA gandula tava na nossa frente, geralmente de costas, então era um pouco complicado se concentrar no jogo em alguns momentos. Começa o jogo com o Botafogo em ritmo de festa, sem muita disposição e recuando muito a bola, além de errar alguns passes bestas. 

Vocês devem se lembrar que no meu outro texto um dos motivos pra ir ao jogo do Botafogo foi ver Seedorf ao vivo, se eu tivesse ido com essa intenção hoje me decepcionaria um pouco. Ele tava quase andando em campo durante o primeiro tempo, inventando uns passes que não davam em nada e num desses erros se originou a falta em que Bernard fez 1 x 0 pro Botafogo-MG. Foi aí que vi quem era o dono do estádio. Haviam uns 500 atleticanos no estádio, um número impressionante levando em conta que haviam 4.500 presentes no total, e esses 500 fizeram barulho e cantaram o tempo todo,o barulho só aumentou depois do gol, eu só ouvia uma vaia fraca da torcida do Botafogo, nada suficiente pra parar a farra mineira.

Mas então qual era a especialidade da torcida local? Ser sem sentido e eventualmente xingar qualquer um. Por exemplo, só depois do gol os botafoguenses começaram a gritar, só que eles gritaram "ole ole ole olá cucá cucá" e depois disso eles xingaram quase todos os jogadores que pegavam na bola, exceto por Lodeiro, já que Seedorf estava em um dia de Thiago Neves. Até por estar em dia de Neves, o holandês não jogou tão bem mas compensou nas bolas paradas, antes dos 30 do primeiro tempo o Botafogo virou o jogo graças a escanteios cobrados pelo camisa 10 do Glorioso. 

No primeiro Antonio Carlos fez de cabeça e no segundo o mesmo zagueiro escorou pra Elkeson marcar, mas a mudança foi mais no placar mesmo, já que a torcida botafoguense ainda não fazia muito barulho. Ouvi dizer que houve um gol mal anulado pro Atlético, mas nessa hora voltei minhas atenções para a gandula e uma repórter lá embaixo, ninguém na torcida notou. Aliás, mesmo com a virada notei a galera do Fogão tensa no intervalo e no retorno alguns mais próximos do banco começaram a xingar Cuca na volta ao gramado.

Durante a etapa complementar, o Botafogo voltou num ritmo mais acelerado, com Seedorf e Elkeson dando umas arrancadas bonitas de se ver. Em uma dessas arrancadas do holandês voador ele conseguiu a expulsão de Junior Cesar, que estourou a fúria da torcida por duas vezes, na pancada que deu e depois disso por ter assistido o jogo escondido sentado no túnel que leva pros vestiários. Nesse espaço de tempo, o que mais houve foram botafoguenses berrando pra que ele saísse. Meanwhile, Richarlyson entrava em campo enquanto era alvo de piadas como "cuidado que esse arranha" "olha que vai quebrar a unha" e "uuuui". 

Em seguida veio o perigo de ir num jogo de um time que não é seu, Richarlyson fez o gol de empate 10 minutos depois e não pude rir como gostaria ou deveria dele comemorando e da loucura, psicopatia e caos liberados pela torcida local. Depois disso se concentraram mais em xingar o Junior Cesar que ainda estava escondido vendo o embate, Cuca, Oswaldo de Oliveira e qualquer um que falasse uai e fizesse barulho, como a torcida mineira, que estava calada no segundo tempo até a hora do gol e voltou com força total. 

O Botafogo então ficou desesperado, o lateral Lucas foi expulso já aos 43 do segundo tempo e em uma jogada meio estranha, a defesa parou e Réver proporcionou uma daquelas botafogueadas clássicas. A partir daí o encontro foi desespero puro do mandante e a torcida querendo a cabeça do Oswaldo numa bandeja.

Foi o duelo mais divertido da rodada e em outras circunstâncias eu certamente teria apanhado de tanto gargalhar, já que quem acompanha o futebol daqui sabe que Botafogo é o equivalente ao Chaves, que você sabe como termina, mas mesmo assim não deixa de rir. 

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