quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um atacante sem chuteira

Foto: Fodbold Legends.dk




A história dos grandes jogadores dinamarqueses que fizeram sucesso nos anos 1970 e 80 passa pelo crescimento do futebol no país escandinavo e também pela maior referência de sucesso entre os que tentaram a sorte no exterior. Tudo começou com Allan Simonsen, que brilhou no Vejle e depois conduziu o Borussia M'Gladbach ao quase sucesso europeu. Um destes grandes nomes que tiveram destaque na Europa foi o atacante Preben Larsen Elkjaer.

Um ano pelo Vanløse em 1976, por acaso o seu primeiro ano como profissional, serviu para alavancar a carreira de Preben, contratado em 1977 pelo Colônia. O perfil letal do menino, com então 19 anos, chamou a atenção dos alemães como um bom talento para jogar ao lado de Dieter Müller. Entretanto, sem muita sequência, fazendo apenas nove partidas em um ano, preferiu mudar de ares para mostrar o seu futebol.

Em 1978, partiu para o Lokeren, onde virou astro e titular absoluto. Em sete anos na equipe belga, marcou mais de 100 gols em quase 200 atuações, sendo inclusive convocado para a seleção danesa com mais frequência desde então. Ao lado de craques como René Verheyen e Grzegorz Lato, se consolidou como um dos principais centroavantes da época.

Reconhecimento mesmo veio em 1984, na sua chegada ao Hellas Verona. A equipe italiana estava querendo se firmar no cenário nacional e com um plantel sólido caminhou para o seu primeiro e único scudetto na história. Uma formação repleta de operários, que soube crescer na hora certa. Hans-Peter Briegel, Roberto Tricella, Luigi Sacchetti, Pietro Fanna, Antonio Di Gennaro e Giuseppe Galderisi marcaram seus nomes no clube e com a chegada de Elkjaer, parecia ser a peça que faltava para o sucesso.

Bem cotado, Preben ficou entre os três melhores do mundo de acordo com a France Football nos anos de 1984 e 1985, atrás apenas de Platini e Tigana (84) e Platini em 85. Eficaz na arte de marcar gols e de dar dribles desconcertantes, fora dos campos era um fumante inveterado e mulherengo assumido. Coisas que só alguem com talento de sobra poderia conciliar. As obras de arte que pintava correndo de um lado para o outro e deixando adversários no chão eram parte do seu cartel de armas secretas.

Nunca se sabia para que lado o dinamarquês ia. Ora cortava, ora parava com a bola entre os pés ou executava um drible da vaca em curto espaço. Inesquecível foi a vitória contra a poderosa Juventus, por 2-0 no Marc Antonio Bentegodi, onde arrancou do meio campo até a grande área e marcou um golaço driblando alguns defensores. Ao fim do lance, comemorando, apontou para o pé direito, que estava sem a chuteira, perdida vários metros antes numa dividida. 

Um Mundial em 1986 e duas Eurocopas (84 e 88) depois, Preben deixou a seleção nacional, anotando 38 gols em 69 jogos. Nesse período, a Dinamarca ganhou a alcunha de Dinamáquina, em virtude da arte e do alto nível técnico apresentados. Nem a eliminação perante a Espanha apagou a excelente participação que mostrou ao mundo uma dinâmica formação por parte dos escandinavos, que bateram na Escócia e na Alemanha e ainda golearam o Uruguai por 6-1. 

Incrivelmente técnico, o atacante permaneceu no Verona até 1988, quando decidiu assinar com o Vejle, clube que revelou o gênio Allan Simonsen e que o abrigou durante seus dois últimos anos no futebol, por acaso os dois últimos também de Elkjaer, que se aposentou em 1990, cessando os gols de placa, por cima do goleiro, com cortes secos e de fora da área. 

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