quinta-feira, 14 de julho de 2011

Brasil segue roteiro de suspense contra o Equador e avança às quartas

Pato e Neymar fizeram a diferença contra o Equador,
apesar de Caicedo e Júlio César (GloboEsporte.com)
Por Felipe Portes

Não há quem convença o torcedor mais atento que esta última atuação brasileira contra o Equador foi algo brilhante, digno dos anos mais dourados da camisa amarelinha no futebol. A mídia pacheca insiste em exaltar o placar de 4-2 como efeito colateral do pragmatismo, do jornalismo de resultado praticado neste país desde a chegada de Dunga ao comando da equipe nacional.

Mas se há algo a se preocupar para as próximas partidas é a inconsistência do setor defensivo -com ressalvas para Júlio César- que foi vazado por quatro vezes nas últimas duas rodadas. O duelo contra o Paraguai ainda tem o desconto de que Roque Santa Cruz e sua turma têm crescido no esporte na última década, o que por si não é nenhuma mentira ou exagero. Entretanto, de Paraguai para o frágil Equador há muita diferença, um abismo, um oceano inteiro. 

As comparações com a campanha argentina acontecem a todo instante. Uma hora a Argentina é menosprezada por ter vencido a inexperiente Costa Rica, outra hora o Brasil conseguiu retomar seu melhor futebol. Exageros e parcialidades à parte, as duas equipes tiveram certa dificuldade para abater o nervosismo na primeira etapa de seus desafios nesta derradeira jornada na Copa América. A albiceleste conseguiu seu primeiro tento com Agüero apenas no último minuto do primeiro tempo. O Brasil foi para o intervalo empatando em 1-1 e com falha fragorosa de Júlio César. 

Durante o segundo tempo, a maioria dos cronistas esportivos apontam que o meio campo brasileiro passou a funcionar. Uma verdade das mais discretas, dado o fato que a horrenda atuação dos homens de retaguarda quase comprometeu o restante da formação. O Brasil foi mesmo melhor, principalmente nos vinte minutos finais, o que não deve ficar como sucesso absoluto tendo em vista o contexto em que a partida estava inserida.

Neymar e Pato funcionaram e deixaram dois gols cada. Muito se falou sobre Robinho (mais do penteado do que o jogador, propriamente dito) e Ganso (continua objetivo e de certa forma reticente) como as forças decisivas deste selecionado de Mano Menezes. Ao menos Filipe Caicedo não entrará em campo contra os canarinhos na próxima partida, para alívio de muitos. Mas o traiçoeiro Paraguai pode trazer um jogo diferente e mais maduro que este Equador. 

A esperança para o torcedor brasileiro é que o velho clichê do "camisa pesa nos grandes jogos" se faça valer nas próximas fases desta competição. Por outro lado, futebol é 11 contra 11, bola e um extenso gramado, não só fantasias e superstições. 

Nenhum comentário: