domingo, 24 de julho de 2011

A volta dos que não foram


Por Felipe Portes

Foi uma tarde dentro do esperado no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Um placar justo, um futebol eficiente e um título mais do que merecido. Uns fulanos podem sugerir que o Uruguai é um time limitado, outros dizem que é zebra não contar com Brasil ou Argentina na partida final. Não há uma verdade absoluta sobre o que significou esta vitória celeste além da atuação avassaladora frente os rivais paraguaios.

Se há o que lamentar tendo em vista o futebol bem praticado (entenda bons passes, marcação e estilo de jogo mais solto) é a presença do Paraguai na decisão. Os amigos leitores devem concordar que seria mais justo a brava Venezuela estar peleando com o Uruguai. Este que vos escreve defende o emergir de nomes pouco tradicionais no esporte, especialmente quando se tem muita paixão movendo um grupo de jogadores.

A Celeste não foi brilhante todo o tempo, é importante que se assuma isso. Lutou na primeira fase e com certa dificuldade obteve o ingresso para as quartas de final. No confronto contra os donos da casa foi possível se ver uma mescla do futebol cheio de vontade com algumas artes marciais mais obscuras. Que o diga Diego Pérez, expulso de campo ainda na primeira etapa do duelo. Excessos e carrinhos à parte, o clássico teve um resultado digno do que foi visto nos 120 minutos + pênaltis.

Especificamente na final desta Copa América, o Uruguai deu o seu melhor. Tanto na marcação quanto na precisão de seus homens de frente, que anotaram os tentos do triunfo derradeiro nesta edição. Suárez foi tão letal quanto nos seus bons dias de Ajax e Liverpool, Forlán esteve criativo e os demais desempenharam seu papel com maestria. Foi uma partida fácil, apesar dos ataques galoperos no início da etapa complementar. Além do bom posicionamento defensivo da Celeste, o atacante Zeballos não era muito qualificado para ameaçar o placar final.

Ao fim das contas, o que se pode fazer é comemorar mais uma glória uruguaia, como poucas da história recente e saudosa dos tempos dourados de Ghiggia, Schaffino e Maracanazo. Para que os cegos saibam que a América do Sul não vive só de Brasil e Argentina, Maradona e Pelé. Agora é hora de Forlán e Suárez, que tecem uma história belíssima a ser contada para nossos filhos e netos. O Uruguai representa um guerreiro gigante que retornou mesmo sem ter partido. Ou como dizia meu pai: a volta dos que não foram.

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