domingo, 17 de julho de 2011

Jogamos como sempre, perdemos como nunca

Vargas: força decisiva dentro do plantel peruano

Por Rodolfo Zavati

É adaptando o célebre mote mexicano de fracassos futebolísticos que podemos ter uma noção do que representou Colômbia x Peru para os cafeteros.

Antes de falar da partida, faremos uma pequena viagem no tempo. Mais especificamente para 1990, Copa da Itália. A seleção de Valderrama avança para as oitavas de final do Mundial, conseguindo a classificação num grupo difícil, que contava com Alemanha e Iugoslávia. No primeiro mata-mata, um duelo "acessível" contra a sensação Camarões. O placar em branco no tempo normal levou a partida para a prorrogação. E foi no tempo extra que ruiu o sonho colombiano de chegar pela primeira vez entre as oito melhores seleções do mundo. Numa das falhas mais bizarras da história das Copas, o goleiro René Higuita perdeu a bola para Roger Milla enquanto tentava driblar o atacante. A Colômbia ainda descontou, mas o gol camaronês foi um balde de água fria.

De volta ao presente para o Colômbia x Peru de ontem, em Córdoba. A partida que valia uma vaga nas semifinais da Copa América de 2011 foi exatamente o que se imaginava. Peruanos fechados, apostando no contra-ataque, aguardando o erro do adversário. Colombianos passando a sensação de estarem sempre mais perto do gol.

Em momento algum o Peru foi dominado, é verdade. Mas, mesmo sem ser incisiva, a Colômbia controlava o jogo, imprimindo sua habitual escola de toque e valorização da posse de bola. O primeiro tempo, morno, terminou 0-0. Na segunda etapa, o sumido Guarín entrou no jogo e o volume colombiano aumentou, com direito a bola na trave. Ao Peru, restava assustar com chutes de fora da área.

Aos 20 minutos, lance capital: pênalti para a Colômbia. A vitória estava nunca esteve tão próxima. Na cobrança, contudo, Radamel Falcão García desperdiçou a chance de possivelmente liquidar a fatura. E poucos minutos depois, o mesmo Falcão, abatido, furou na hora de completar ótima jogada de Dayro Moreno. Nos acréscimos, as traves peruanas tremeram novamente, em bomba de Guarín que explodiu no travessão.

O fim do tempo regulamentar e o desânimo pelo gol que não saiu derrubou o time de Hernán Darío Gómez. Apáticos, apenas assistiram Juan Manuel Vargas e Paolo Guerrero tomarem conta da partida (conforme nós da TF cantamos a bola no dia anterior). E foi após um cruzamento do ala da Fiorentina que o goleiro Neco Martínez saiu mal, permitindo a Lobatón abrir a contagem. Gómez promoveu alterações e a Colômbia partiu para a tentativa do empate, num improvável 4-1-1-4. No entanto, em novo erro de Martínez, Vargas fechou o caixão colombiano.

Para a Colômbia, fica a lição que vem sendo dada ao time há, no mínimo, vinte anos: a habilidade diferenciada dos jogadores do país não é suficiente na hora de um jogo eliminatório, em que muitas vezes a disposição supera a qualidade técnica. Falta à seleção colombiana o "algo a mais" que sobrou ao Once Caldas, último clube local a vencer a Taça Libertadores.

Do lado peruano, prêmio para um time frio, que soube aguardar pacientemente pela falha do adversário para dar o bote. E festa pela primeira classificação para as semifinais da Copa América em 14 anos.

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