domingo, 17 de julho de 2011

De qualquer forma a justiça seria feita

Dia inusitado para os uruguaios: Muslera salvou a pátria contra a Argentina (Globo Esporte.com)
Por Felipe Portes

Sempre que as bandeiras de Argentina e Uruguai entram em campo, o mínimo da garra apresentada gera faíscas, fogueiras e fora do sentido metafórico, alguns hematomas. Uma única palavra define a partida de ontem pelas quartas de final da Copa América: vontade. Ainda perdida com seu sistema tático, a Argentina vestia a camisa 10 em campo. O Uruguai, por sua vez, não descansava na marcação e conseguiu seu gol numa falha defensiva de seu oponente.

A cidade de Santa Fé via mais um capítulo deste clássico tão charmoso da América do Sul, onde não vimos albiceleste e nem a própria celeste olímpica, visto que as duas seleções adentraram o gramado com seus uniformes alternativos (a Argentina de azul marinho/branco e o Uruguai de branco/preto). Capítulo este que lembrava um filme de guerra, com seus jogadores lutando por cada espaço no campo. O mais bravo (qualquer um dos sentidos é válido na compreensão) foi Diego Pérez, que abriu o placar para os uruguaios logo aos cinco minutos. O volante cometeu quatro faltas e na última sobre Gago recebeu o cartão vermelho, pouco antes do intervalo. 

Solada pra cá, carrinho pra lá, Messi achou espaço por entre a defesa adversária e cruzou para Higuaín testar contra Muslera, que caiu tarde demais na bola para evitar o empate dos donos da casa. A peleja seguiu com uma pitada de violência até os minutos finais. 

Além da situação tensa para as torcidas, tivemos dois gols anulados no primeiro tempo. Aos 30, Messi bate com perfeição uma falta e joga novamente na testa de Higuaín, que guardou mais um. Em posição de impedimento, Gonzalo imediatamente olhou para o auxiliar que levantava sua bandeira. Nem fez questão de reclamar. 

Como bom adversário, não demorou muito para o Uruguai dar o troco na mesma moeda. Lugano (em uma das trezentas cabeçadas ao gol que tentou) acertou a trave de Romero e no rebote, Cáceres balançou as redes argentinas. Mas lá estavam os bandeirinhas para impedir que o placar saísse do empate.

Foi um grande duelo, de qualquer forma. Ao final do segundo tempo, que foi um tanto quanto morno, comparado ao restante do confronto, o Uruguai viu um milagre ser realizado. Muslera fez defesas importantíssimas nos minutos derradeiros, como nunca havia feito em toda a sua carreira. (Que isso não soe como uma crítica severa, mas o goleiro é mediano)

Preservado o empate entre os rivais, tivemos 30 minutos de prorrogação que não serviram para outra coisa a não ser deixar os pobres torcedores mais tensos e sujeitos à ataques cardíacos. Messi fez a jogada mais perigosa do tempo extra, driblando a marcação mas sem conseguir o chute, esbarrando no arqueiro uruguaio. 

Nos pênaltis, muitas cobranças boas por parte das estrelas, exceto Tévez, que ingressou na etapa complementar da partida, depois de vários pedidos da torcida. O quase corintiano (transferência pode pintar nos próximos dias) bateu mal e Muslera pegou. E no final, de qualquer forma a justiça seria feita. Seja pelo bom futebol dos uruguaios ao longo da competição ou o despertar dos argentinos.

Na semifinal, o Uruguai encara o Peru na terça-feira, em La Plata. 

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