segunda-feira, 26 de março de 2012

Craques: Karl-Heinz Riedle

(Welt.de)
Riedle teve uma temporada iluminada em 1996-97 e foi premiado com dois gols na decisão da Liga dos Campeões contra a Juve; seu feito lhe rendeu a eterna gratidão da muralha amarela em Dortmund

Campeão do mundo com a Alemanha em 1990, Karl-Heinz Riedle foi um dos mais importantes e vencedores atacantes germânicos na década em que o Dortmund brilhou mundialmente.
Foto: Old School Panini
Somando passagens por Augsburg, Blau-Weiss Berlin, Werder Bremen, Lazio, Dortmund, Liverpool e Fulham, conquistou três Bundesligas: uma pelo Werder em 1987-88 e duas pelos aurinegros em 1994-95 e 1995-96.

Teve sua estreia como profissional pelo Augsburg, em 1983. Por três anos lutou para conquistar uma vaga no plantel principal, até que pediu para ser negociado. Em 1986, acertou com o Blau-Weiss Berlin, julgando encontrar mais oportunidades para mostrar seu dote como matador e referência ofensiva.

Um ano foi suficiente para que o Werder olhasse para aquele garoto oportunista, ágil e preciso com a bola nos pés. Qualquer bola ricocheteada pela defesa era uma grande ameaça para o goleiro.

Logo ao desembarcar em Bremen, em 87, não só conseguiu se notabilizar como o grande artilheiro daquela equipe, como levantou a salva de prata da Bundesliga, em notório trabalho do Otto Rehhagel. Três bons anos no Bremen lhe renderam presenças constantes pela seleção da Alemanha, inclusive a participação no Mundial de 1990. Muito técnico, oportunista e com bom senso de posicionamento, foi muito bem pelos alviverdes.

Foto: Spox
Um bomber alemão na Lazio
De malas prontas para a Lazio logo após a Copa, decidiu por ficar na Itália, onde fora consagrado, levantando o mais importante troféu para um futebolista, diante da Argentina de Maradona em 1990.

Importante para os aquilotti, mas sem nenhum brilho que resultasse em títulos, Kalle deixou a capital italiana com modestos 30 gols em 84 aparições. Seu próximo destino era o Dortmund, que queria figurar entre os grandes europeus.

Em sua segunda época nos aurinegros, experimentou mais uma vez da glória de ser campeão alemão. A conquista de 1994-95 teve em Riedle um atacante mais refinado e que passava a desempenhar outras funções além de simplesmente esperar a bola na área e resolver as jogadas. Exímio cabeceador e apelidado de Air Riedle, somava tentos importantes em decisões, tal qual a semifinal da Euro 1992, onde balançou duas vezes as redes suecas.

Foram bons tempos no Vale do Ruhr. O bicampeonato na Bundesliga colocou o Dortmund na posição de dominante no futebol germânico. A glória maior, no entanto, não veio na sua primeira tentativa. Pelas quartas de final da Liga dos Campeões de 1995-96, veio a derrota para o então campeão Ajax. Os holandeses avançaram novamente até a decisão, vencida pela Juventus nos penais.

Foto: Tieba.baidu.com
Bicampeonato na Bundesliga e título europeu 
Ao conquistar novamente a salva de prata em 96, com seis pontos de vantagem sobre o Bayern, o BVB teve mais uma oportunidade para entrar na lista de equipes vencedoras da Liga dos Campeões. Passando por Auxerre, Manchester United e Juventus nas fases finais do torneio, o Dortmund chegou lá.

Com atuação fantástica de Riedle, que marcou duas vezes em cinco minutos, o lado italiano ficou acuado e não conseguiu a reagir em tempo.

Por mais que Del Piero entrasse e marcasse o seu, de letra, não foi o bastante para a Juve, que viu Ricken marcar um golaço minutos depois. Em seu primeiro lance o menino de 21 anos encobriu Peruzzi e orgulhou o professor Hitzfeld. O Borussia era campeão europeu no Olímpico de Munique.

Ciladas inglesas e aposentadoria
Chegava a hora de partir, novamente, em 1997. Uma proposta interessante com o Liverpool permitiu que Kalle tivesse seu primeiro contato com a Premier League. No período em que esteve no Anfield, lidou com a forte concorrência de Fowler e Owen, ficando em segundo plano e amargando grande parte da temporada no banco. Até 1999 a tendência era ser simplesmente um reserva de luxo para os jovens ingleses que davam seus primeiros passos na carreira.

O último clube em que Karl-Heinz esteve foi o Fulham, já aos 34 anos. Um final de carreira melancólico para quem já havia sido campeão mundial e europeu. Ironicamente, seu último título foi a LC pelo Dortmund, o qual as imagens devem ficar tatuadas na memória do atacante e da fanática torcida na muralha amarela.

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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