terça-feira, 6 de março de 2012

Desafortunados: Hao Haidong


Hao sendo marcado por Lúcio na Copa de 2002

Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Aproveitando a onda Chen Zhi Zhao, ou Zizão, como queiram, o Desafortunados vem falar de uma das grandes esperanças chinesas em tempos passados.

Ele nunca foi famoso. Longe disso, pelo menos em âmbito internacional, mas teve uma grande responsabilidade em suas costas. No auge de seus 32 anos, Hao Haidong era o camisa 10 da seleção chinesa em sua primeira participação em Copas do Mundo, em 2002. Seria o primeiro mundial da seleção, a oportunidade da China se tornar uma potência mundial... mas não deu.

Muito além disso. Os asiáticos nem sequer passaram da primeira fase. Foram três decepcionantes derrotas, uma inclusive para o Brasil, por 5-0 e sem sequer um gol marcado. Nem o mítico e carismático técnico Bora Milutinovic deu jeito.

Ainda sim, Hao foi uma grande referência no futebol chinês. Apesar de ser camisa dez, jogava como atacante e é o maior artilheiro da seleção e da história da liga local, antes de seu profissionalismo, em 2004, considerado até hoje o melhor jogador, em termos técnicos, que os chineses tiveram.

Haidong começou sua carreira cedo, ainda com 16 anos no Bayi FC, time do Exército da Libertação que tinha sede em Pequim, após ser recrutado com apenas dez anos. Apesar de ter uma base militar no controle, a equipe nunca foi uma potência local. Despontando desde cedo, Hao ficou lá por incríveis onze anos, alternando entre o futebol e as atividades militares, até realmente pensar grande e se transferir ao Dalian Shide, que apesar de nova é uma das grandes forças da China.

Sua ida ao Sheffield só serviu para divulgar o nome do time no Oriente

Desde que aterrissou por lá, Hao ganhou sete títulos nos dez anos de Dalian, de 1996 à 2005. Já com 35 anos, ele teve a grande oportunidade de sua carreira, seria um dos primeiros chineses a jogar na terra da rainha, mais precisamente no Sheffield United. Comandado por Neil Warnock, os Blades, até então na segunda divisão buscavam uma maneira de expandir seu nome, principalmente no mundo asiático. Contudo,  Hao sofreu uma séria lesão  logo que chegou, que o impediu até de estrear pela equipe inglesa. Permaneceu então por dois anos treinando o time de reservas.

Haindong (ao centro) tem papel fundamental na busca de novos talentos para a seleção local

Embora não tenha pisado em campos europeus, Haidong pode se orgulhar de ainda ser o mais habilidoso jogador de seu país (não que isso seja muito difícil). Hao teve azar de jogar em uma época que a China não tinha nem metade do investimento atual, mas deixou seu legado. Aposentado, é o “manda-chuva” do Tianjin Songjiang, da terceira divisão local. Bem que sua história pode servir de inspiração para um novo goleador chinês. Quem sabe não é o Chen?


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