domingo, 25 de março de 2012

Grandes Jogos: Milan x Liverpool (2005)


Gerrard e Benítez com a "orelhuda" (The Sun)
Arthur Barcelos, @arthurbarcelos_ 
De Marabá-PA

Era 25 de maio de 2005. Dez conquistas da Liga dos Campeões/Copa Europeia em campo. Quis o destino que a peleja fosse disputada em Istambul, Turquia, com 70 mil espectadores. E os envolvidos não decepcionaram.

Em sua primeira temporada pelo Liverpool, após passagem vitoriosa no Valencia, Rafa Benítez surpreendeu a todos levando os Reds até a final da Liga dos Campeões 2004/05, quando ficou devendo na Premier League, tendo uma campanha muito irregular, e até mesmo na própria Liga, na fase de grupos. O espanhol ainda conseguiu levar o time até a final da Carling Cup, entretanto, caiu para o, quase, invencível Chelsea de Mourinho. E foi contra o próprio Chelsea por quem venceu nas semifinais da principal competição europeia.

Já o Milan de Carlo Ancelotti teve uma campanha excelente até a final, na Serie A, embora, acabou sendo "refém" de uma Juventus avassaladora de Fabio Capello, que, no entanto, não pôde comemorar o título oficialmente pelo campeonato ter sido cancelado, devido ao Calciopoli, esquema de manipulação de resultados descoberto em 2006. 

O favoritismo era maior por parte dos rossoneri, com um elenco melhor e maior força. Não à toa, dominaram a primeira etapa, ganhando quase que todas as bolas no meio-campo com o trio Gattuso-Pirlo-Seedorf, assessorados por um Kaká que progredia cada vez mais. E foi o mesmo Kaká quem sofreu falta de Traoré pela direita, logo no primeiro minuto. Na cobrança, Andrea Pirlo colocou a pelota na área e o capitão Paolo Maldini, com toda sua categoria, se antecipou de Xabi Alonso, acertando bom chute cruzado.

O gol logo no primeiro minuto foi um duro baque para os comandados de Benítez, apresentando erros capitais. Um dos erros era o mau posicionamento da linha defensiva, o que era explorado pelos italianos por meio de passes longos e enfiadas de bola nas costas dos defensores reds. Muitas chances assim foram criadas, como no segundo gol, aos 39 minutos, com Hernán Crespo, após passe de Kaká para Shevchenko nas costas de Traoré, esse passando para o argentino, sempre bem posicionado, marcar.

Cinco minutos depois veio o terceiro, em novo contragolpe, Kaká acertou ótimo passe para Crespo, nas costas de Carragher, e o camisa 11 não desperdiçou, tocando na saída de Dudek. 


Na volta do intervalo, mudanças no Liverpool. Rafa Benítez, que já havia colocado Smicer no lugar de Kewell, lesionado, promoveu a entrada do volante grandalhão Hamann, no lugar de Finnan. O espanhol reposicionou sua equipe num inesperado 3-4-2-1. Foi a chave para o empate.

Aos 54 minutos, Riise levantou a bola na área e Gerrard, livre de marcação, subiu sozinho para o cabeceio certeiro. Ainda baqueado pelo gol, o Milan deu espaço para o Liverpool fazer o segundo, quando aos 56, a bola foi passando entre os jogares que compunham a linha de quatro red: Riise, Xabi Alonso, Hamann e Smicer, esse que acertou ótimo chute de fora da área.

Embalado pelo dois gols em dois minutos, o time inglês partiu para cima e aos 60 minutos, Gerrard veio em velocidade após o passe de Baros e acabou sendo deslocado por Gattuso, caindo na grande área e sendo marcado o penal. Na cobrança de Xabi Alonso, Dida defendeu, mas pecou ao dar rebote, esse aproveitado pelo volante espanhol, empatando a peleja e levando à loucura os kopites presentes no estádio.


E a partida seguiu tensa, movimentada, mas o placar manteve-se inalterado até o fim do segundo tempo da prorrogação, com destaques para duas defesas espetaculares de Dudek aos 117 minutos, nos chutes de  Shevchenko.

Decisão por pênaltis na Turquia. Na primeira cobrança, Serginho elanou, mandando a bola para longe da meta. Na sequência, Hamann converteu. Então veio Pirlo, que viu sua cobrança ser defendida por Dudek, com toda sua malemolência polonesa. Cissé, que havia entrado no final da segunda etapa, ampliou a vantagem red. Precisando de um gol, Tomasson não deu atenção para as provocações do arqueiro adversário e converteu sua cobrança. 

Foi a vez de Dida mostrar sua capacidade de defender pênaltis, defendendo o bom chute de Riise. E assim como Tomasson, Kaká não ligou para Dudek e empatou a disputa. Smicer também não desperdiçou sua cobrança. Então veio Shevchenko, aparentemente desatencioso, e acabou perdendo a penalidade de forma medonha, para a festa de Dudek, o herói inesperado, dos demais jogadores, comissão técnica e torcedores do Liverpool. 


Milan (4-3-1-2/3-4-1-2): Dida; Cafu, Nesta, Stam, Maldini; Gattuso (Rui Costa), Pirlo, Seedorf (Serginho); Kaká; Shevchenko, Crespo (Tomasson). Téc.: Carlo Ancelotti

Liverpool (4-4-1-1/3-4-2-1): Dudek; Finnan (Hamann), Carragher, Hyypia, Traoré; Luis García, Gerrard, Xabi Alonso, Riise; Kewell (Smicer); Baros (Cissé). Téc.: Rafa Benítez

Gols: Maldini (1-0, 1'), Crespo (2-0, 39'), Crespo (3-0, 44'); Gerrard (3-1, 54'), Smicer (3-2, 56'), Alonso (3-3, 60')

Pênaltis: Tomasson, Kaká; Hamann, Cissé, Smicer / Desperdiçados: Serginho, Pirlo, Shevchenko; Riise


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