quarta-feira, 28 de março de 2012

TF História: A queda de um Dream Team

Stoichkov: um pilar para o Dream Team blaugrana derrotado
no Camp Nou em 1992 (Sector ofensivo)
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB

O dia 4 de novembro de 1992 ainda é um grande marco na história do CSKA Moscou. A equipe, conhecida por ser fortemente ligada às Forças Armadas russas, conquistaria 13 anos depois o título da Copa UEFA em cima do Sporting, em Lisboa. Contudo, uma façanha realizada contra o lendário Barcelona (que já se tornou um mero elenco estelar perto desse que joga hoje) em pleno Camp Nou pela Liga dos Campeões é lembrada com muito carinho pelos torcedores soviéticos.

A partida, válida pela 2ª rodada (antecedeu a fase de grupos na primeira edição que levaria a alcunha de Liga dos Campeões, de fato) decidiria qual dos oponentes ingressaria no Grupo 1, ao lado de Marseille (futuro campeão), Rangers e Club Brugge. Na outra chave, Milan, Göteborg, Porto e PSV. O formato ainda era experimental, então o campeão de cada agrupamento seria credenciado a disputar a grande final.

Pelo lado espanhol, o trio estrangeiro formado por Ronald Koeman, Michael Laudrup e Hristo Stoichkov já havia sido anulado no duelo em Moscou, no empate por 1-1. Neste confronto em especial, Alexandre Grichine inaugurou os trabalhos aos 17` e Txiki Begiristain deu números iguais ao 58`. O clima era de confiança para o embate em solo catalão, no Camp Nou. Completas, as formações rivais tiveram como plano de fundo uma bela noite em Barcelona para o espetáculo.

Foram necessários 13 minutos para que Nadal subisse mais alto que os defensores russos para testar e fazer 1-0 Barça. Aos 31, Begiristain recebeu belo passe de Laudrup e saiu somente com o goleiro Dmitri Kharin em sua frente, para aplicar um corte seco e mandar a bola para a meta vazia e desprotegida. 2-0 e a torcida local já se inflamava com a chance de ver o atual campeão do certame avançar à próxima fase. Bem, ainda havia um adversário do outro lado e que dificilmente se renderia apesar da desvantagem no marcador e no agregado. Aquele CSKA voltaria para o segundo tempo com a determinação de poucos para reverter o cenário.

Não estava resolvido
Antes do soar do gongo para o intervalo, Evgeny Bushmanov finalizou grande troca de passes e bateu forte no alto da meta de Andoni Zubizarreta. Os moscovitas então passaram a trabalhar com velocidade nas suas investidas, aproveitando-se da péssima atuação defensiva dos mandantes. Foi num escanteio bem cobrado que o CSKA encontrou a igualdade. 

Com o placar agregado, a vaga passou a ser dos visitantes, que marcaram dois tentos. Não satisfeitos com a proeza de segurar aquele verdadeiro esquadrão do Barcelona, foram necessários apenas dois lances para que o cotejo se definisse de fato. Mais uma troca rápida de passes, e de forma magistral (ok, foi sem querer) Dmitri Korsakov tocou de letra para vencer Zubizarreta. 

A desolação de Laudrup contrasta com a alegria de Sergeev (UEFA)
Desmontando todo e qualquer plano por parte do técnico culé Johann Cruyff, os soviéticos só precisaram fazer o mesmo papel da primeira perna em Moscou e manter a postura equilibrada que permitiu a reviravolta no Camp Nou. A eliminação surpreendente do Barça fez com que os atletas saíssem apressados do gramado, sob olhares no mínimo descontentes da torcida. 

A intrépida trupe russa fez uma grande festa, sabiam que o momento seria inesquecível tanto para o elenco quanto para o clube. Ironicamente foram os lanternas na Chave A, somando apenas dois pontos, longe de qualquer expectativa. Neste caso, talvez o troféu seja a memória daquela brava noite de 4 de novembro e essa honraria ninguém nunca vai poder roubar.

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