sexta-feira, 9 de março de 2012

Grandes Jogos: Palmeiras x Boca

Em era dourada, Palmeiras venceu o Boca com placar assaz elástico na Libertadores 1994
(A Tribuna Digital)
Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
Há exatamente 18 anos o Palmeiras conseguia uma façanha histórica, ao aplicar inimagináveis 6 a 1 no Boca Juniors. A diferença de gols foi absolutamente surpreendente, mas a vitória alviverde era esperada. Naquele momento, as equipes viviam momentos muito distintos.
Dirigido por Vanderlei Luxemburgo, o Palmeiras vivia o auge da fase Parmalat. O dinheiro da multinacional possibilitou a chegada de grandes jogadores ao Parque Antártica, dois dos quais seriam titulares da seleção campeã mundial logo depois: Mazinho e Zinho. Naquele 1994 o Palmeiras repetiria o sucesso do ano anterior, se sagrando então bi campeão paulista e bi campeão brasileiro, uma façanha ainda inalcançada no futebol paulista (no Brasil apenas o Internacional conseguiu o mesmo resultado, em 1975/76);
Por outro lado, eram tempos duros para a tradicional equipe de La Boca. Os xeneizes conquistaram apenas um título entre 1981 e 1998, o Apertura 1992. Logo em seguida o clube faria pesados investimentos, trazendo grandes estrelas, como Maradona e Caniggia. A estratégia não deu resultado, e o Boca reencontraria o caminho dos títulos apenas com a chegada de Carlos Bianchi. Naquela Libertadores, os comandados de César Menotti ficaram na primeira fase, com 4 derrotas em seis jogos, e ocuparam a lanterna do grupo.
Mas nada naquela noite faria prever tamanho massacre. A partida era válida pela segunda rodada daquela Libertadores, e as duas equipes haviam estreado bem. O Palmeiras havia vencido o Cruzeiro por 2 a 0 em casa, enquanto o Boca conseguira um empate com o Vélez fora de casa, um resultado muitíssimo aceitável. Naquele dia os argentinos vinham para o Brasil enfrentar seus rivais: enquanto o verdão destruía os xeneizes, o Vélez conseguia um bom empate no Mineirão contra a Raposa.
Mas aquela partida teria um grande fator desequilibrante: Mazinho. O camisa 8 palmeirense fez a melhor partida de sua vida, em uma atuação que ninguém que tenha assistido à partida vai esquecer. Os muitos críticos do sistema tático da seleção brasileira da época, com Mauro Silva e Dunga como volantes, se desesperavam só de pensar que o Brasil deixaria tal craque no banco (ao fim aconteceu o inesperado, e Mazinho foi campeão mundial como titular, mas na vaga de Raí).
O primeiro tempo terminou com vantagem mínima para o Palmeiras, um gol marcado logo aos 15 minutos. Navarro Montoya conseguiu fazer duas grandes defesas no mesmo lance, mas finalmente Cléber conseguiu estufar a rede com um potente arremate. O goleiro colombiano certamente não imaginava ter de voltar tantas vezes para buscar a bola no fundo da meta.
E no segundo tempo veio o massacre. Aos 6 minutos Evair deu lindo passe de calcanhar para Roberto Carlos fuzilar Navarro Montoya. Três minutos depois Edílson marcou o terceiro. Aos 20 Mazinho fez grande jogada individual, só sendo parado por uma falta dentro da área. Evair cobrou o pênalti e marcou o quarto.
Aos 26 minutos Mazinho cobriu Navarro Montoya com um toque maravilhoso, deixando o colombiano imóvel, apenas torcendo para a bola não entrar. A trave salvou o Boca, mas no rebote Evair marcou mais um. Aos 33 Jean Carlo aproveitou uma jogada coletiva para marcar o sexto. Um minuto depois Martinez descontou de pênalti.
Em termos concretos aquela partida não teve muita relevância. Palmeiras e Boca Juniors fariam partidas muito mais importantes anos depois, chegando a decidir a Libertadores de 2000. Mas os palmeirenses têm razão em considera-la inesquecível. Primeiro: não é todo dia que o Boca leva seis gols. Mas o principal é que naquele dia o verdão fez um dos maiores jogos de sua história, colocando na roda e dando um baile em um clube que é uma superpotência mundial.
Palmeiras: Sérgio, Cláudio, Antonio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio (Tonhão), Amaral, Mazinho (Jean Carlo) e Zinho; Edílson e Evair. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Boca Jrs.: Montoya, Soñora, Noriega, Giuntini e MacAllister; Peralta, Mancuso, Márcico e Carranza; Martinez e Da Silva (Acosta). Técnico: César Menotti.
Gols: Cléber (15") no primeiro tempo; Roberto Carlos (06'), Edílson (09'), Evair (20'), Evair (26'), Jean Carlo (33'), Martinez (34') no segundo tempo.

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