domingo, 11 de março de 2012

TF História: Petric, o multi homem do Basel

Petric teve seu momento épico durante a passagem pelo Basel (Welt.de)
Felipe Portes, @portesovic
De Novi Sad-SRB

Era novembro de 2006 e a Copa UEFA rodava a todo vapor para definir os classificados para a etapa de mata mata. O grupo E tinha Blackburn, Nancy, Feyenoord, Wisla Krakow e Basel. Os suíços, em dada jornada, lutavam para abocanhar a segunda vaga para o próximo round. Somando apenas um ponto, enfrentariam o Nancy no St. Jakob, na Basileia.

Pois bem, o Basel à época contava com um seleto pelotão estrangeiro. Apenas Zanni era natural da Suíça entre os onze iniciais, figurando num elenco com atletas já renomados como Kuzmanovic, Rakitic, Chipperfield, Ergic, Sterjovski e Petric, o protagonista dessa curta história de hoje. Não bastasse o amontoado eslavo escalado pelo então treinador Christian Gross, aquela partida em especial seria marcada pelas participações de australianos. 

Kim e um voleio na cara de Chipperfield (UEFA)
Truncado, o confronto teve os franceses saindo na frente, aos 32 pelos pés de Kim (sim, aquele mesmo, que hoje está no Vasco). Um minuto depois, Chipperfield empatou. Não satisfeitos, os visitantes desempataram novamente, com Berenguer. Só aos 12 da etapa complementar Sterjovski daria números iguais ao marcador. 

O Nancy tomou conta do segundo tempo e estava com a faca e o queijo nas mãos, quando Kim tabelou com Issiar Dia, disparando na esquerda. O senegalês cortou para o lado de fora e tentou o drible no arqueiro Costanzo, que saiu assaz atrapalhado para pegar a bola e acertou as pernas do rival, cometendo pênalti. Detalhe, o lance foi nos acréscimos. 

"Cara, e agora?", indagou o argentino, expulso de campo. "Sai que é minha, mano", respondeu sem pestanejar o croata Petric. "Como assim, véi?" tornou a indagar o guarda redes. "Deixa que eu vou resolver essa parada, senta lá no banco que é nois, irmão", completou o croata ao pegar as luvas e a camisa já suja do colega. "Firmeza, vai lá, brou", aceitou Costanzo.

Saindo de campo frustrado pela bobagem, o arqueiro já esperava pelo pior. A culpa pela derrota e virtual eliminação, a bronca do pofexô Gross, a cobrança da torcida do Basel. Parado debaixo das traves, Petric assumiria mais uma responsabilidade além da de ser craque do elenco. De ser um dos poucos jogadores de linha a quebrarem galho no gol e passarem sem ser vazados. 

Chretien, que havia ingressado na peleja já no segundo tempo se encarregou da cobrança. Petric abriu as asas e se preparou para escolher o canto. Na bola, o marroquino estava tenso com a importância da penalidade. Como dizem os antigos, correu e telegrafou o local do chute, facilitando a vida de Mladen, que deu um passo maroto à frente e acertou o lado. Em dois tempos (quase soltou a pelota) praticou a defesa e evitou a derrota, de forma heroica e inesperada. 

Em tempo, o embate terminou em 2-2, e por obra do destino, o Basel foi lanterna do grupo. Eliminado e perdendo seu último compromisso frente o Wisla, por 3-1 na derradeira ronda daquele certame que teve como campeão o Sevilla, em eletrizante final contra o Espanyol. 

O restante da história de Petric vocês já sabem. Peça essencial na seleção croata, já soma passagens por Borussia Dortmund e Hamburgo. No entanto, seus gols jamais chegarão ao tom épico daquele inusitado penal defendido na extinta Copa UEFA.


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