quarta-feira, 23 de maio de 2012

Craques: Marcel Desailly

Foto: ABC.net
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Nascido em Accra, capital de Gana, o pequeno Odenke Abbey pouco entendeu o que a vida lhe traria aos quatro anos, quando mudou para a França. Sua mãe havia se casado com o responsável pelo consulado francês no país africano, e a chance era grande para que os meninos (Seth Adonkor era o outro filho, mais velho) fossem criados em condições melhores de vida. 

A nova fase em Nantes veio e agora Odenke era Marcel. Marcel Desailly. Juntamente com seu irmão, seguiu o caminho que o futebol proporciona, e dava seus primeiros chutes na bola, colocado na defesa. Grandalhão e bom na marcação, logo figurou entre o plantel do Nantes. Em 1986 estreou pelos canários, mas teve de esperar até 1988 para ser efetivamente titular.

As atuações seguras lhe valeram uma passagem para Marseille, onde defenderia o Olympique em 1992, que formava um esquadrão para tentar o título europeu, em história já conhecida por aqui na TF. No ano seguinte ganharia sua primeira chance na Seleção francesa e claro, a taça de campeão continental contra o Milan. Uma simples temporada rendeu o interesse dos italianos nos serviços de Marcel.

Foto: Quattro tratti
O ciclo glorioso continuou e logo de cara pelo Milan, Desailly ergueu a taça da Liga dos Campeões. Desta vez, com o requinte de marcar o gol da vitória, no famoso 4-0 em cima do Barça (relatado aqui neste mesmo blog pelo Felipe Ferreira). Já consagrado como atleta, viu de perto a eliminação francesa frente a Bulgária nas eliminatórias para a Copa de 1994, com gol de Emil Kostadinov restando dois minutos para o fim.

Nem tudo era frustração na segunda metade de 1994. Acumulando com a conquista europeia a Serie A italiana, também venceu a Supercopa UEFA. Atuando como volante na equipe rossonera, o francês se via como peça essencial no esquema armado por Fabio Capello, que mais tarde foi substituido por Óscar Tabárez, treinador uruguaio que concluiu o trabalho que resultou em mais um scudetto milanista, em 1995-96.

De partida novamente, desta vez para o Chelsea, em 1998-99, foi crucial para a sólida equipe francesa que venceu a Copa de 1998, em casa. Passando a segurança necessária para o restante do grupo, Desailly foi exemplo de garra e disciplina durante a competição que coroou Zinedine Zidane como estrela de nível mundial e na opinião de quem acompanhou de perto, o melhor de sua geração. A expulsão na final contra o Brasil de forma alguma tirou o brilho de sua participação como um todo no evento.

Foto: Daily Mail
No Stamford Bridge, chegou com pompas merecidas de campeão mundial. Não demorou para o traçado vitorioso voltar aos trilhos. Vencedor da Supercopa UEFA com o Chelsea, ainda carimbou no seu currículo os títulos da F.A Cup de 1999-00 e a Charity Shield em 2000, incrementando ainda mais uma história repleta de troféus. Sempre marcando suas aparições com força, vigor e precisão defensivas, Desailly comandou a defesa de Les Bleus na conquista da Eurocopa em 2000, contra a Itália, encerrando ali a era de um dos grandes esquadrões do futebol moderno.

Fosse em questão de elenco ou de domínio no cenário internacional, aquela França marcou época. E Marcel, pilar na retaguarda, tinha boa parcela no sucesso. Capitão do selecionado nacional após a Euro 2000, passou também pela maior decadência do futebol francês, no início da década de 2000.

Vencendo a Copa das Confederações em 2000 e 2003, foi o líder de um plantel apático que fracassou em sequer avançar às oitavas no Mundial de 2002. Duas derrotas, para Senegal e Dinamarca e um empate com o Uruguai selaram a volta para casa dos campeões, que entraram para a história como primeiros detentores do título a serem eliminados na primeira fase.

Seu tempo de Chelsea acabou em 2004, antes da última oportunidade em que vestiu a camisa da França. Novamente numa Eurocopa, e tal como no Mundial anterior, uma discreta passagem pela competição. Derrotados nas quartas pela futura campeã Grécia (com um gol de Angelos Charisteas), os campeões em 1998 experimentaram o ostracismo.

Antes de encerrar a carreira, Desailly jogou pelo Al-Gharafa, onde venceu a Liga Qatariana em 2004-05, e pelo Qatar SC, em 2006, este sim seu último ano como profissional.




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