sexta-feira, 25 de maio de 2012

Fomos campeões: Parma 1994-95

Foto: Storie di Calcio
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB (200/200 posts, um marco histórico)

A saga crociati na Copa UEFA de 1994-95 começou na bela campanha feita na Serie A da temporada anterior. Naquela oportunidade, o quinto lugar para Nevio Scala e seus comandados serviu como alento para um grupo que se reforçou bem após o promoção da B, quatro anos antes. Com investimento da leiteria local Parmalat, o Parma conseguiu crescer no cenário italiano e assim tentaria também conquistar seu espaço continental.

Pela primeira vez qualificado a alguma competição europeia, a equipe gialloblu montou um plantel equilibrado, com bons valores em cada um dos setores. Luca Bucci era o titular debaixo das traves, deixando um jovem talentoso chamado Gianluigi Buffon no banco. Na defesa, Fernando Couto, Alberto Benarrivo, Luigi Apolloni, Roberto Mussi, Gianluca Falsini e Roberto Sensini, todos já devidamente internacionalizados. A meia cancha era formada por Gabriele Pin, Massimo Crippa, Dino Baggio, Tomas Brolin e Alberto Di Chiara. Por fim, o ataque trazia Gianfranco Zola, Faustino Asprilla, Marco Branca e Mario Lemme. 

A primeira rodada se demonstrou um tanto desafiadora. O Vitesse, equipe mediana da Holanda, parecia não trazer problemas para o lado italiano. Parecia. Em Arnhem, Hans Gillhaus marcou o único tento dos aurinegros na partida, aos 51'. Para o duelo no Ennio Tardini, os donos da casa precisariam balançar as redes ao menos duas vezes para avançar na competição. Zola tratou de cumprir a missão e marcou duas vezes, aos 24 e aos 75.

Avançando para a segunda rodada, o próximo adversário do Parma era o AIK, que jogava a primeira perna em seus domínios, em Solna. Com certo sufoco, Crippa marcou aos 73' e deu ampla vantagem para os crociati, que poderiam empatar em casa e ainda sim se classificar. Na Itália, Lorenzo Minotti emulou Zola na fase anterior e garantiu mais um ticket para as oitavas, contra o Athletic. Sem nenhum sufoco, a barca seguia.

Bilbao de Etxeberria e Guerrero complicou a vida do Parma
Foto: Iniestata.blogspot.com
O primeiro rival à altura (oitavas de final)
Com muito esforço, os gialloblu venceram o Athletic. Não sem suar frio com a possibilidade real de derrota no Ennio Tardini. A emoção começou em San Mamés, onde os bascos venceram por 1-0, gol marcado por José Ziganda, num confronto equilibrado em que os mandantes estiveram longe de perder o comando no placar. As saídas de contra ataque levavam perigo à defesa do Parma, que escapou de ser vazada mais de uma vez, o que complicaria a situação em casa.

Diante de 18.000 expectadores, os crociati começaram fazendo a lição de casa. Zola e Baggio (duas vezes)  marcaram para reverter o dano causado no País Basco. O embate ganhou contornos dramáticos quando Óscar Vales diminuiu para o Athletic aos 56'. Nove minutos depois, Couto aproveitou jogada na área adversária e concluiu, para deixar o Parma mais nas quartas. Julen Guerrero marcou o segundo dos visitantes e o caldo quase entornou com mais algumas descidas rojiblancas. Para a sorte de Nevio Scala e sua patota, ficou por isso mesmo. 

Toda a disciplina tática e a alta qualidade na ligação do meio campo com o ataque faziam o Parma um esquadrão sólido e capaz de encarar grandes rivais naquela Copa UEFA. O dinamismo e a objetividade certamente fizeram diferença nos passos dados pela agremiação, que se não tinha atletas de absoluto topo, compensava com dedicação e empenho em cada minuto de jogo.

Em foto de partida contra o Real Madrid, o ferrolho danês fica evidente (OB.dk)
Dinamarqueses e o ferrolho
Era chegada a hora das quartas de final. O adversário, o Odense, trazia uma retranca das temíveis, neutralizando as armas ofensivas italianas, e retardando o ritmo adversário. E assim se fez um singelo 1-0 com gol de Zola, marcado num pênalti, pouco após a volta do intervalo. A dificuldade em furar o bloqueio dinamarquês era grande e para o retorno, na Escandinávia, o buraco seria bem mais embaixo.

Um modorrento e tedioso 0-0 sem quase nenhuma chance de gol foi o retrato do cotejo em Odense, no qual os crociati puderam sem emoções avançar no certame, para enfrentar o emergente Bayer Leverkusen, no último passo antes da grande final.

Leverkusen e a afirmação gialloblu
Não tão tradicional assim, mas emergente, o Leverkusen pleiteava a vaga na finalíssima, tentando encontrar do outro lado o também alemão Dortmund. Contudo, nem mesmo a própria tarefa os moços da farmácia puderam executar e em casa, apanharam do Parma. A festa do visitante não deixou de acontecer mesmo com gol de Paulo Sérgio (aquele, ex-Corinthians e Bayern), aos 27. Descendo para o intervalo com a vantagem, os germânicos provavelmente julgaram que o ímpeto italiano havia acabado, a moral adquirida com as constantes vitórias estava minada. Erraram. 

Baggio e Asprilla destronaram o Leverkusen em cerca de dez minutos e a partir daí, só alegrias para os comandados de Nevio Scala. Sem correr grandes riscos jogando no Ennio Tardini, era hora de administrar a boa margem e colher os frutos antes de encarar a Juventus, que havia vencido os negro-amarelos na outra semifinal. Ah, enquanto isso na partida de volta, o Parma fez 3-0 com Asprilla (2) e Zola.

Retrato tirado na segunda perna da final da Copa UEFA de 1994-95 (twb.blogspot.com)
Rival doméstico é sempre problema
Já acostumados a se enfrentarem na Serie A, Parma e Juventus caminharam até a final com muito mérito. No Ennio Tardini a primeira parte da decisão foi marcada pelo nervosismo de ambas as partes e pela objetividade do lado gialloblu. Seria mais um daqueles 0-0 que não empolgam e até irritam, não fosse o gol de Dino Baggio aos cinco iniciais. Para a equipe bianconera, restava tentar fazer prevalecer a sua tradição e camisa, no San Siro, afim de colecionar mais uma copa.

Vialli tratou de igualar o agregado aos 33 iniciais da derradeira batalha daquela Copa UEFA. A esperança juventina permanecia viva, e por mais que um duro duelo contra aquela ousada formação crociati implicasse em penalidades, a confiança ainda estava com os atletas de Marcello Lippi. Pressão aqui, pressão ali e quem marcou foi o Parma. Aos 54', Dino Baggio decidiu a peleja e a missão de Scala era apenas segurar as investidas da Juve e comemorar ao fim dos 90 minutos. Novamente cumprido com maestria, o objetivo foi assegurado e assim a simpática equipe emiliana levantou a primeira de suas duas taças UEFA (a outra foi em 1998-99, com Hernán Crespo e grande elenco).

Campanha
1a Rodada
Vitesse 1-0 Parma 
Parma 2-0 Vitesse

2a Rodada
AIK 0-1 Parma
Parma 2-0 AIK

3a Rodada
Athletic Bilbao 1-0 Parma
Parma 4-2 Athletic Bilbao

Quartas de final
Parma 1-0 Odense
Odense 0-0 Parma

Semifinal
Leverkusen 1-2 Parma
Parma 3-0 Leverkusen

Final 
3 de maio de 1995 - Ennio Tardini, Parma
Parma 1-0 Juventus

17 de maio - San Siro, Milão
Juventus 1-1 Parma


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