sexta-feira, 4 de maio de 2012

Grandes jogos: Milan x Barcelona

Jogadores do Milan vibram com o título da Liga dos Campeões 1993-94 (Foto: Getty Images)

Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)
De Araçatuba/SP

18 de maio de 1994. A data era marcada para fazer com que o Dream Team do Barcelona comandado por Cruyff e com atletas como Ronald Koeman, Pep Guardiola, Hristo Stoichkov, Romário, entre outros, entraria para a história como um time imortal, praticamente imbatível. No entanto, o destaque maior dessa noite é o fato da tão comentada equipe ter visto seu grande sonho e seu encanto terem sido "assassinados" pelo Milan, treinado por Fabio Capello, que em seu plantel tinha Paolo Maldini, Franco Baresi, Roberto Donadoni e Dejan Savicevic na final da Liga dos Campeões de 1993-94.

A campanha de ambos durante a competição havia sido excelente. Era notório que as duas equipes possuíam os melhores planteis da Europa e um confronto direto pelo título era questão de tempo. 

Dono de um estilo de jogo tipicamente italiano, baseado na forte marcação e na frieza em decidir confrontos em poucos lances, o Milan de Fabio Capello era um esquadrão com uma eficiência enorme. Enquanto isso o Barcelona de Johan Cruyff vinha cercado de alardes, visto que o Dream Team era considerado por muitos como uma das melhores equipes de todos os tempos e, de certa forma, imbatível.

Às vésperas da decisão, a imprensa europeia dava pleno favoritismo ao lado culé, condição que era considerada até mesmo entre a comissão técnica e os atletas blaugranas. A forma com o que tratavam o Barça mostrava que os títulos dos catalães eram apenas questão de tempo, ainda mais que o adversário da grande decisão não poderia contar com Franco Baresi e Alessandro Costacurta, tão importantes durante toda a competição e que acabaram por levar o terceiro cartão amarelo na semifinal contra o Monaco.

Até que chegou o épico dia 18 de maio. Os olhos estavam todos voltados para Atenas. Será que seria possível parar o Dream Team do Barcelona? Era o questionamento que todos faziam. Poucos colocavam fé naquele Milan de defesa desfalcada, e que já não podia contar mais com Marco Van Basten, além de ter uma das maiores sensações do futebol europeu, Gianluigi Lentini, no estaleiro.

1° tempo: O Dream Team para na barreira do Milan do oportunista Massaro

O início tenso evidenciava o clima de decisão. O Barcelona jogava com a marcação adiantada, pressionando fortemente a saída de bola do Milan e trabalhando bem a bola, bem ao estilo da equipe atual. Enquanto isso, os italianos buscavam marcar forte e surpreender nos contra-ataques, impulsionados pelos pontas (Zvonimir Boban e Donadoni), além do sérvio Savicevic condicionando as jogadas.

Com a figura de Romário bem anulada por Maldini, a válvula de escape dos blaugranas acabou por ser as boas jogadas de Stoichkov oriundas do lado direito do campo. Contudo, os rossoneros conseguiam criar ofensivas perigosas, deixando claro que o Dream Team não era tão superior como muitos pregaram nas vésperas do duelo.

Jogando de maneira brilhante, Savicevic era responsável pelas melhores iniciativas do Milan, que ditava bem o ritmo da partida e merecidamente conseguiu chegar ao gol. O craque da antiga Iugoslávia desceu pela direita, deixou Nadal no chão e tocou na medida para Daniele Massaro empurrar para as redes. Estava aberto o placar no Estádio Olímpico de Atenas.

Em desvantagem no marcador, o Barça saiu mais para o jogo, porém, os comandados de Fabio Capello seguiam marcando forte e ditando o ritmo do confronto, apesar de que nada estava decidido, mas, as coisas se colocaram de maneira ainda mais favorável aos italianos antes do intervalo. Nos acréscimos da etapa inicial, Donadoni caiu muito bem pela ponta direita, sempre nas costas de Nadal, e tocou para Massaro novamente aparecer, aumentando a vantagem dos rossoneros.

2° tempo: A surpresa se confirma
A metade final serviria para definir a grande surpresa ou a prova de tamanha eficácia do Barcelona comandado por Cruyff. Contudo, logo nos primeiros minutos o destino já desenhava sua escolha.

Pouco mais de dois minutos de jogo no segundo tempo, Nadal volta a dar mole, Savicevic se aproveita e, mesmo sem ângulo, finaliza de maneira espetacular, encobrindo Zubizarretta, confirmando sua tamanha genialidade e ressaltando que os deuses do futebol apontaram para o Milan, visto que tudo dava certo para os italianos, que se desdobravam em campo visando a glória máxima.

Perdido em campo, o Barcelona se rendia a espetacular atuação do rival, que avançava com facilidade e via Savicevic dar show a frente da defesa blaugrana. Ainda haveria mais um tento para aumentar a goleada e tornar a vitória ainda mais brilhante: a defesa catalã deu mole na linha de impedimento, Desalilly se aproveitou, saiu na cara do goleiro e fazia 4 a 0, deixando todos os fãs de futebol pasmos com a fabulosa atuação milanista.

Após o quarto tento, a partida esfriou. Não houveram mais tantas jogadas de efeito e muito menos qualquer lance que pudesse trazer maiores surpresas. Todos pararam e apenas aplaudiam aquela partida do Milan de Capello, atuação considerada por muitos como a melhor na história de uma Liga dos Campeões.

O que todos esperavam, passou longe de acontecer. Impiedosa goleada de 4 a 0 do Milan sobre o Barcelona e a taça da UEFA em San Siro.

Milan: Rossi; Tassotti, Galli, Maldini (Nava) e Panucci; Albertini, Desailly, Boban, Donadoni e Savicevic; Massaro. Técnico: Fabio Capello

Barcelona: Zubizarreta; Ferrer, Koeman, Nadal e Sergi (Estebaranz); Bakero, Guardiola e Amor; Stoichkovc, Romário e Begiristain (Estebaranz). Técnico: Johann Cruyff

Gols: Massaro, aos 22' e 47' do primeiro tempo; Savicevic, aos 2', Desailly, aos 13', do segundo tempo

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