quinta-feira, 24 de maio de 2012

Descraques: Jerome Rothen

Foto: Telegraph.co.uk
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (199/200)

Jerome Renée Marcel Rothen, um jogador que já começou errado pelo nome. Canhoto, nascido em Chatênay-Malabry, uma pequena comuna localizada na Ilha da França, começou sua carreira no futebol em 1994, pelo Caen. 

O garoto foi ganhando espaço com sua velocidade, bons passes e movimentação. Como meia, tinha domínio dos fundamentos da posição e não demoraria muito a ganhar autonomia dentro da França. Na verdade, demoraria sim. Depois do Caen, onde ficou até 2000, acertou com o Troyes, e aí sim se projetou nacionalmente, aos 22 anos.

Seu auge seria no Monaco, onde disputaria uma decisão de Liga dos Campeões, anos mais tarde. Todavia, deixemos isso para depois, vamos falar um pouco mais sobre os anos anteriores de menino Jerome. Trinta jogos em 2001-02 e atuações fantásticas pelo Troyes renderam uma transferência ao time do principado, que montava um plantel interessante e recheado de estrangeiros.

Derrotados pelo Porto, os monegascos lutaram bravamente até a grande final
Foto: Getty images
Titular já em 2002-03, colaborou e muito para o vice-campeonato francês do Monaco, que foi vencido pelo Lyon por apenas um ponto (68 a 67). Na temporada seguinte, era hora de subir um degrau, disputando a LC. Aquele ano, em especial, surpreendeu muitos especialistas no certame estrelado. Saindo de uma chave complicada, Les Rouge et blanc ficaram com a liderança, vencendo com 11 pontos, apenas um a mais que Deportivo e PSV, que foi eliminado.

Um a um os adversários iam caindo, juntamente com o seu favoritismo. E Rothen era considerado uma joia rara no meio campo monegasco, ao lado do capitão Ludovic Giuly, de Lucas Bernardi e Akis Zikos. Nenhum deles teve vocação para o estrelato, o que não eliminava a chance de mostrarem grande valor e eficiência. Foi-se o Lokomotiv, nas oitavas, depois o Real Madrid (esse com uma pitada maior de emoção, 4-2 no Santiago Bernabéu para os espanhois e 1-3 no Louis II classificaram Didier Deschamps e seus comandados).

Era hora de derrubar mais um azarão. O Chelsea de Hernán Crespo, que estava começando sua era de altos investimentos por Roman Abramovich, havia passado pelo grande rival Arsenal num eletrizante duelo em Stamford Bridge. Sem grandes dificuldades, o Monaco bateu os blues assegurou sua presença na Veltins Arena, em Gelsenkirschen, casa do Schalke 04, na finalíssima, contra o Porto.

No PSG, começou a decadência (Foto: Planéte PSG)
Considerado o segundo grande nome daquele plantel, Jerome só ficava atrás de Giuly na popularidade com os fãs europeus. Mesmo com a derrota para os portugueses na LC, Rothen foi lembrado pelo treinador Jacques Santini na convocação para a Eurocopa de 2004. A nau francesa afundou nas quartas de final, contra a Grécia, e essa seria a última competição de grande porte do nosso Descraque de hoje.

Assinando com o PSG para depois da fatídica Eurocopa, o rapaz queria estar num lugar onde brigaria por mais títulos. Coincidentemente ou não, os parisienses entraram numa crise tão grande que quase resultou em rebaixamento. Das cinco temporadas que esteve no Parc des Princes, as campanhas na Ligue 1 foram nono (2004-05 e 2005-06), 15o em 2006-07, 16o em 2007-08 e um admirável sexto, em 2008-09.

Cair em desprestígio após anos de glória se mostrou ser um duro golpe tanto para a equipe, quanto para Jerome, que foi emprestado ao Rangers no ano seguinte. No currículo dele, ainda constava só a Copa da Liga pelo Monaco em 2002-03 e PSG em 2008 a Copa da França em 2008.

Relegado ao time B dos parisienses, o empréstimo aos Rangers soou como salvação depois de um amargo tempo em que se lesionou com frequência. Mudar de ares parecia providencial para recuperar o bom futebol.

Posando de galã em Glasgow: novo flop de Rothen nos Rangers foi cruel
Foto: Daily mail
Foram apenas oito partidas em meia época no Rangers. Longe de ter qualquer sequência e sem esperanças, Rothen estava mais uma vez decepcionado, seu coração já estava cansado (abraço, @fgraziani) da rotina inglória que veio depois daquele sonho frustrado em Gelsenkirschen. Os escoceses estavam tão desagradados com a contratação, que quiseram se livrar do pobre meia antes do esperado. Vivendo num filme de drama provavelmente dirigido por Paul Haggis, aceitou a oferta do Ankaragucu, onde foi o melhor jogador da Liga Turca e marcou 39 gols em 30 jogos. Mentira, ele só teve 12 aparições e ainda sim como reserva.

Enfrentando muitas lesões, deixou o chinelismo tomar conta e se tornou um grande exemplo de ex-jogador em atividade. Passou 2010-11 amargando (veja só voce) o banco do PSG B, entrando em campo em míseras duas ocasiões. Super chateado, arrumou suas malas e foi para o Bastia, na segundona.

Com pompa de capitão, ainda que fora de forma, e em 30 jogos, balançou as redes quatro vezes, finalmente tendo papel determinante numa campanha vitoriosa. Campeões da Ligue 2, os rapazes da equipe córsega conseguiram a promoção à elite, juntamente com Stade de Reims e Troyes. Aos 34 anos, Jerome parece estar perto da aposentadoria. De contrato até o fim da temporada 2012/13, pode estar fazendo seu último ano como profissional.


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