segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fomos campeões: Estrela Vermelha 1990-91

Foto: Sport.blic.rs
Felipe Portes, @portesovic
De ainda não acredito que meu blog fez um ano-SRB

Voltando a um tempo em que o formato da Liga dos Campeões (ainda conhecida como Copa dos Campeões) era inteiramente disputado em play-offs e somente pelos vencedores de competições locais, a principal conquista sérvia (que ainda era conhecida como Iugoslávia) veio pelo Estrela Vermelha de Belgrado, tradicional pavilhão local que rivaliza e rivalizará até o fim deste planeta com o Partizan. 

Muita coisa mudou desde então. Agora alguns países tem direito a quatro vagas na LC, outros sofrem para sequer chegar à fase de grupos, a nomenclatura do certame mudou e a Sérvia se encontra numa pasmaceira futebolística, sem formar os grandes talentos de outrora. 

Pois bem, vamos pelo começo. Em 1990, quando equipes croatas ainda disputavam a mesma liga que os sérvios, eslovenos e aquele mundaréu de nações que surgiram após a dissolução da Iugoslávia, o Estrela caminhou para a vitória, deixando para trás o Dinamo Zagreb por 11 pontos. Seu maior rival, o Partizan, chegou em quarto e ficou com a vaga na Copa UEFA.

Prosinecki, cérebro daquele Estrela Vermelha
Foto: The vintage football club
Garantindo sua participação no maior torneio de clubes da Europa, os crveno-beli (alvirrubros em sérvio) passaram pelo Grasshoppers de Ottmar Hitzfeld na primeira rodada, empatando no Marakana em 1-1, mas atropelando na volta, no Letzigrund, por 4-1, com destaque para atuação de Robert Prosinecki, que marcou duas vezes. Pelo lado sérvio, Darko Pancev e Dusko Radinovic ainda balançaram as redes suíças.

Formado pela base da seleção iugoslava que participou Mundial de 1990, o Estrela contava com atletas do calibre de Sinisa Mihajlovic, Refik Sabanadzovic, Goran Juric, Miodrag Belodedici, internacional romeno, Vladimir Jugovic, Dejan Savicevic e Dragisa Binic, além dos supracitados Pancev e Prosinecki.

Pela segunda rodada, a tradição do Rangers entraria em campo para impedir o progresso do Zvezda. A missão dos escoceses de parar o bom futebol jogado pelos rapazes de Belgrado começou a ruir no Marakana com oito minutos do primeiro tempo. John Brown fez contra e complicou os visitantes. Prosinecki e Pancev marcaram num duelo em que a goleada poderia ter sido maior. Sem dúvida a vaga ficou decidida antes da segunda perna em Glasgow, onde não haveria muita margem para uma virada histórica. O empate por 1-1 com gols de Ally McCoist para os Rangers e Pancev para o Estrela selou a credencial sérvia para as quartas de final.

Savicevic foi crucial nos jogos contra o Dresden (Beliorlovi)
Sem sufoco até a final
Chegada a hora das quartas, o Crvena encarou o Dynamo Dresden, representante ilustre da Alemanha Oriental no certame europeu. Novamente sem muito esforço, o resultado saiu em Belgrado, com um 3-0 marcado por Prosinecki, Binic e Savicevic. A essa altura, os sérvios já tinham ideia do potencial que poderia ser explorado ao longo do torneio.

Em Dresden, no Glücksgas, Törsten Gütschow anotou uma penalidade logo aos três iniciais, esboçando uma reação. Savicevic voltou a balançar as redes e Pancev definiu novo triunfo crveno-beli e a chance de enfrentar o poderoso Bayern adiante.

Aconteceu que os bávaros não eram tão assustadores quanto o prometido. Em Munique, Roland Wohlfarth inaugurou o placar aos 22, assustando a torcida visitante, que já começava a pensar no que o professor Ljupko Petrovic poderia fazer para dar a volta na derrota parcial. Dentro do campo, a tensão envolvendo o cotejo era grande.

Restou aos infernais Savicevic e Pancev imitarem a atuação em Dresden, semanas antes. De virada, fora de casa, apenas um empate na Sérvia daria a chance do Estrela disputar sua primeira grande final continental. Na outra chave, o Marseille vencia o Spartak Moscou e se garantia sem maiores problemas, no primeiro grande passo da Era Tapie.

Diante de 80.000 pessoas no Marakana, Estrela Vermelha e Bayern empataram em 2-2, com participação peculiar de Klaus Augenthaler, que marcou duas vezes, uma contra e outra a favor. Manfred Bender ainda descontou para os germânicos, mas o estrago estava feito: era vez da Iugoslávia ser representada numa final europeia, tal qual o Partizan em 1966, que saiu derrotado pelo Real Madrid de Alfredo Di Stéfano.

Foto: O campo dos sonhos
Mais uma estrela no peito
A final contra o Marseille não seria de forma alguma fácil. A começar pelo fato que as duas nações envolvidas nunca haviam conquistado um troféu da Copa dos Campeões. Foi daí que o dia 29 de maio de 1991 marcou a entrada do Estrela no hall dos grandes que um dia já ergueram a taça mais desejada da Europa.

Repleta de nervosismo, a peleja de Bari viu dois rivais tumultuarem a meia cancha e um desafio particular: Dragan Stojkovic, ex-capitão do Estrela, agora alinhava pelos franceses, menos de um ano depois de ter se transferido. Para o azar de Piksi, ele só ingressou nos minutos finais da prorrogação, sem ter como evitar que o empate se prolongasse.

Recebendo três cartões amarelos, (Marovic, Mihajlovic e Binic) contra apenas um dos franceses, o Crvena se resguardou e não procurou tanto o ataque, e quando o fez, não conseguiu ultrapassar o sistema defensivo armado por Raymond Goethals, composto por Manuel Amoros, Eric Di Meco, Mozer e Basile Boli. 

Persistindo o empate sem gols e o teste de nervos, a decisão foi para os penais. Prosinecki converteu, e Amoros errou a primeira pelo Marseille. Binic, Belodedici e Mihajlovic também marcaram, Casoni, Papin e Mozer cumpriram com a sua parte e ficou tudo nos pés de Pancev, o camisa 9. O atacante não titubeou e balançou as redes, dando o título a sua equipe. A festa no San Nicola foi vermelha e branca, coroando uma campanha que passou longe de ser impecável, mas procedeu sem grandes ameaças.

Foto: Crvena Zvezda.rs
Estrela Vermelha: Stojanovic, Sabanadzovic, Najdoski, Belodedici, Marovic, Mihajlovic, Prosinecki, Jugovic, Pancev, Savicevic (Stosic), Binic.

Marseille: Olmeta, Amoros, Di Meco (Stojkovic), Mozer, Boli, Casoni, Fournier (Vercruysse), Waddle, Papin, Abedi Pelé, Germain. 

Campanha: 5 vitórias, quatro empates, 18 gols marcados, sete sofridos

Jogos:
1a rodada
Estrela Vermelha 1-1 Grasshoppers
Grasshoppers 1-4 Estrela Vermelha

Oitavas de final
Estrela Vermelha 3-0 Rangers
Rangers 1-1 Estrela Vermelha

Quartas de final
Estrela Vermelha 3-0 Dynamo Dresden
Dynamo Dresden 1-2 Estrela Vermelha

Semifinal
Bayern 1-2 Estrela Vermelha
Estrela Vermelha 2-2 Bayern 

Final - 29 de maio de 1991, Bari - San Nicola
Estrela Vermelha 0-0 Marseille (5-3 nas penalidades)

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