quinta-feira, 10 de maio de 2012

Desafortunados: Massimo Taibi

Passagem de Taibi pelo todo poderoso United foi pífia, diria Mauro Cezar Pereira.
Foto: MUFC.net
Felipe Portes, @portesovic
De Spa-Francorchamps-BEL (ôo, o portes voltou, o portes voltoooo-ôooou)

Taibi e seu triste porém cômico destino no futebol tiveram seu primeiro capítulo lá em 1990-91, pelo Trento. Impulsionado por grandes gerações de arqueiros formados na Itália como Dino Zoff, Franco Tancredi, Walter Zenga, Gianluca Pagliuca, entre outros, Massimo se agarrava ao objetivo de sua carreira, que muito provavelmente deveria ser um grande guarda redes de nível internacional.

E então foi começando a ser uma barreira para os atacantes pelos lados do estádio Briamasco, quando em apenas uma simples temporada alertou os dirigentes do Milan. Com enormes dificuldades para se adaptar de forma tão rápida ao esquadrão rossonero, foi repassado ao Como, por empréstimo, sem ao menos entrar em campo. Fez sucesso na Serie C, quando os Lariani passaram perto de ascender à Serie B de 1992-93. A terceira colocação frustrou a rapazeada e especialmente Taibi, que sabia da dificuldade que era aparecer para o grande público jogando em divisões inferiores.

Perseverante, o jovem siciliano (nascido em Palermo) aceitou a oferta da Piacenza, que jogava na B, para poder então prestar seus serviços. Íntimo das traves, com bons reflexos e colocação ímpar na pequena área, Massimo trouxe mais confiabilidade para o setor defensivo dos biancorossi. A terceira posição na classificação final e o acesso à Serie A alavancou a popularidade do humilde rapaz, que agora já estava com boas condições para mostrar as suas cartas.

Cinco temporadas na Piacenza fizeram com que o goleiro voltasse a fazer parte dos planos do Milan, em 1997-98. Caindo no mesmo conto de anos antes, foi feito de mera peça do elenco, apenas participando de 17 compromissos. Com pompas de top 5 goleiros italianos da época, foi ao Venezia e lá jogou ao lado de atletas como Alessandro Pistone (aquele, 1), Fillippo Maniero (aquele, 2) Fabio Bilica (poltrona 36?), Álvaro Recoba e Tuta (aquele, 3), veja só você. 

O uniforme amarelo e a careta de E agora, Jesus? foram emblemáticos
na estadia de Taibi no Old Trafford (Tumblr)
Logo na sequência, em 1999-00, o siciliano resolveu então aceitar o maior convite de sua carreira, por parte do Manchester United, que se impressionara com as habilidades do guarda metas. Haviam duas possibilidades: ser reserva de uma das maiores forças da Europa ou enfim vingar como maior nome italiano na posição, sucedendo o genial Pagliuca. Entretanto, o inesperado não só aconteceu, como marcou Taibi por toda a sua trajetória profissional.

Fazendo míseras quatro aparições pelos Red Devils, estreou contra o Liverpool em 10 de setembro de 1999, no Anfield. O Manchester saiu na frente graças a uma falha clamorosa de Jamie Carragher, que cortou cruzamento e testou contra a própria meta, defendida pelo lendário Sander Westerveld. Sem chances, o holandês apenas pode lamentar o infortúnio. Andy Cole aumentaria a vantagem dos visitantes de cabeça, aproveitando um dos precisos cruzamentos de David Beckham. Estava tudo bem para Sir Alex Ferguson e sua intrépida trupe, parte 1.

Aos 23, falta cobrada na área do United e Taibi sai exatamente igual Marcos no Mundial Interclubes de 1999. Caçando borboletas, o italiano não achou a bola que vinha pelo alto e permitiu que Sami Hyypia testasse para o fundo das redes. Nada de grave. Com duas excelentes defesas logo em seguida, Massimo se redimia de sua falha inicial. Garantindo a vitória por 3-2 (Carragher marcou mais um gol contra aos 44'), estava seguro de que havia encontrado um porto seguro. Pois é, mas as coisas não caminharam tão bem assim. Duas partidas depois da glória, nosso Desafortunado passou por maus bocados.

O duelo era contra o Southampton do brilhante Matthew Le Tissier e assim de repente Marian Pahars marcou um gol de placa, dando uma caneta em Jaap Stam para inaugurar os trabalhos no Teatro dos sonhos. Teddy Sheringham empatou e Dwight Yorke colocou o United na frente. Estava tudo bem para Sir Alex e sua intrépida trupe, parte 2. Estava. Le Tissier dominou uma bola na faixa de 30 metros e carregou com dois toques até achar espaço. Resolveu arriscar e nessa chance contou com um frangaço clássico de Taibi. Por entre as pernas do siciliano foi a bola, traquina e cruel. Checando sua chuteira após o lance, Massimo deve ter pensado que demônios tiraram a pelota de seu controle. Demônios arteiros, diga-se.

Mikaël Silvestre fez bobeira na lateral, perdeu para Pahars que achou Le Tissier no meio da área. 3-3. Yorke havia deixado o seu minutos antes, mas aparentemente não teve a mesma sorte do que naquele dia contra o Liverpool. A nebulosa de Taibi não acabaria ali. O frangaço foi tratado com muitas piadas por parte da imprensa britânica, que não demorou a crucificar o rapaz de Palermo pelo erro crucial (e vexatório). Na rodada seguinte, contra o Chelsea, em Stamford Bridge, mais um duro golpe e o último que Massimo sofreria na Inglaterra. 

Vamos resumir o sofrimento: Dan Petrescu cruza, Taibi sai novamente caçando borboletas e Gustavo Poyet marca. 1-0; Chris Sutton cabeceia no ângulo, 2-0; Celestine Babayaro faz carnaval na defesa e só rola para Frank Leboeuf, que chuta, Taibi rebate mal e Poyet confere, 3-0; Gianfranco Zola faz uma jogada extremamente técnica e cruza para Sutton, mas Henning Berg chega antes e faz contra, 4-0; Jody Morris recebe sozinho na área e chuta rasteiro, entre as pernas de Taibi. Fim do show de horrores. 

Na Reggina, redenção e gol em escanteio. Great times revival?
Foto: Dio salvi la Reggina
Passado o pesadelo inglês, Massimo retornou à Itália para jogar pela Reggina, na Serie A, na temporada 2000-01. No primeiro de abril de 2001, confrontando a Udinese e perdendo por 1-0 até os 43 do segundo tempo, o goleiro que tanto foi apedrejado pela torcida vermelha de Manchester conseguia um afago após anos de duro trabalho. 

De cabeça marcou o gol de empate, para insana festa dos locais no Reggio Calabria. Somando mais passagens por Atalanta (2001-05), Torino (2005-07) e Ascoli (2007-09, se aposentou em 2009) Taibi seria mais um nome memorável de goleiro italiano, não fosse seu fiasco relâmpago no United. 



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