quinta-feira, 17 de maio de 2012

Descraques: Dario Simic

Simic fazendo o que mais gostava: pancadas não intencionais (Zimbio)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

100 jogos pela Croácia. Três Copas do Mundo, três Eurocopas e passagens por dois dos maiores clubes italianos: este é o currículo de Dario Simic, que para muitos, ainda ficou devendo como zagueiro/lateral/volante/gandula/garoto do suco.

Nascido em Zagreb, o lugar mais óbvio para se dar a luz a um croata futebolista, o menino Dario deu seus primeiros botes na categoria de base do Dinamo, o clube mais óbvio para formar um croata futebolista, em 1992. Lá encontrou seu lar dentro de campo, na defesa. Servia bem como lateral direito, mas também jogava de zagueiro, improvisava de volante, até de líbero. Versátil o rapaz, logo virou peça chave no esquema dos plavi e em especial do professor Miroslav Blazevic. 

Parceiro de figurinhas carimbadas como Tomislav Butina, Drazen Ladic, Mario Stanic e Goran Vlaovic, Simic conquistou cinco vezes o Croatão, que com muita justiça hoje deveria se chamar Liga Stana Katic de futebol profissional, ou Stanão, mas é só uma ideia idiota.

Com ou sem Stana Katic no nome, Dario e seus comparsas, os bad blue boys, ergueram o caneco da Liga em (anote aí também os números da Mega-sena): 1992-93, 1995-96, 1996-97, 1997-98 e 1998-99. 6-13-19-23-48-57. Um ganhador foi sorteado em Vilhena-RO. Da HNL Cup então, quatro vezes: em 1993-94, 1995-96, 1996-97, e 1997-98. E então, o ciclo do lateral se encerrou após o último troféu doméstico, com propostas da Internazionale. (Caceta, quase todos os dez últimos perfis que escrevi os caras passaram pela Inter, puta vida).

Foto: Posto Ipiranga (dãa)
Deveria ter ouvido aos suplícios de Mamãe Simic que dizia: Mas filho, cê vai pra Milão porcausdiquê? Qui em Zagreb cê ganha tudo, não tem pro Hajduk Split e nem pro Cibalia, num vai minino, num faz isso ca sua mãe. Entretanto, a gana de despontar como grande talento internacional seduziu o rapaz, que aos 24 anos, pegou mala e cuia e foi-se embora para o Giuseppe Meazza.

Reserva absoluto, o croata demorou a se adaptar ao estilo de jogo italiano e até apareceu bastante como substituto nos quatro primeiros anos de Inter. De marcação forte e bom desarme, pecava na saída de bola e constantemente deixava brechas na cobertura, ainda que não fosse um atleta muito ofensivo. Os passes também eram uma negação, talvez se só o encarregassem de evitar ataques do oponente, teria obtido mais êxito na equipe nerazzurri. Detalhe: jogou quase sempre como zagueiro.

Pela seleção croata ia bem, obrigado. Com participação discreta na Euro em 1996, realizando apenas um jogo, galgou sua posição como pilar defensivo dois anos depois, no Mundial da França. Somando seis aparições, incluindo a fatídica semifinal onde os donos da casa se beneficiaram de certa forma da arbitragem, e bateram os axadrezados por 2-1, com direito a tapa na cara por parte de Laurent Blanc e gol de Lilian Thuram. Parte da imprensa acredita que a Croácia é a campeã moral daquela competição (por parte da imprensa, entenda esse que vos escreve).

Ainda foi aos Mundiais de 2002 e 2006, sempre com a cota Simic na lateral, que só foi anulada em 2008, na Eurocopa, com a aparição de Vedran Corluka na ala direita. Dario foi mero coadjuvante no evento sediado na Áustria-Suíça. Mas voltando ao seu histórico por clubes, em 2002-03 virou a casaca em Milão para a indignação da torcida interista. (Mentira, ninguém fez nenhum tipo de objeção)

Ganhou espaço no Milan e era presença constante no segundo tempo, para
evitar maiores danos defensivos (Foto: football wallpapers)
No Milan mudou sua característica. Passou a jogar de lateral, como na seleção. Parte da campanha milanista vitoriosa na Liga dos Campeões de 2002-03 sobre a Juventus, nos penais, deu o azar de ser desfalque nas três derradeiras partidas. Machucado, não retomou a mesma forma nos anos seguintes e caiu de produção, servindo apenas para esquentar o banco de Cafu. (Xarope que só ele, passou a ficar incomodado com a situação e cornetou Carlo Ancelotti por ser esquecido nas profundezas da reserva). Até 2008 ficou num impasse e jamais conseguiu resgatar os velhos tempos de Dinamo, era agora o famoso gerente do banco rossonero

A insatisfação que estava evidente fez com que ele buscasse novos ares. Em 2008, quando também perdeu a regalia na seleção nacional, aos 33 anos, percebeu que era hora de sair da Itália. O Monaco, que já era apenas a sombra daquele bravo esquadrão vice campeão europeu em 2004, abriu as portas e lá foi Dario em busca de uma última razão para comemorar. Bicampeão europeu, campeão da Serie A, Coppa Italia e Supercoppa com o Milan, motivação não faltava. Faltava era um elenco decente para os monegascos, que tiveram de se contentar em chegar em décimo-primeiro e oitavo, respectivamente nas temporadas de 2008-09 e 2009-10.

Bateu saudade de casa e em 2010 Simic retornou à Zagreb com uma música na cabeça: no dia em que eu saí de casa/ minha mãe me disse/ filho vem cá/ passou a mão em meus cabelos/ olhou em meus olhos/ começou falar e então teria seu último ano como profissional no lugar onde se consagrou, ao menos para os locais. Devia ter ouvido Dona Simic e continuado em casa, mas a ambição falou mais alto. Encerrando com dignidade a sua caminhada, venceu a Super Copa da Croácia e pendurou as chuteiras. 

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