quarta-feira, 23 de novembro de 2011

17 anos atrás

Desailly e o quarto gol milanista frente o Dream Team do Barça (Bleacher Report)
Felipe Portes, @portesovic
Da internet que não quer funcionar-VIVO
(Que a operadora do bonequinho exploda em um zilhão de pedaços)

Senhores, nesta quarta-feira teremos mais um capítulo de uma novela das mais nobres do futebol europeu. Se enfrentam no San Siro Milan e Barcelona, pela quinta jornada da chave H. O que poucos de vocês (penso eu) não sabem é que esses dois titãs do velho continente já decidiram uma Liga dos Campeões, no ano de 1994. 

Lá quando o Brasil ainda não era nem tetra, Romário não tinha sido melhor do mundo, Ronaldo não dava suas arrancadas, Xavi não era capitão blaugrana, Puyol não tinha vasta cabeleira e este que vos escreve ainda nem sabia andar de bicicleta, muito menos falar Eintracht Frankfurt, esses gigantes duelavam no Olímpico de Atenas na tarde do dia 18 de maio. 

Duas seleções, na acepção da palavra, reuniam grandes talentos daquela época. Do lado milanista, além da base da seleção italiana que disputaria o Mundial dos EUA, Fabio Capello podia contar com Zvonimir Boban, Dejan Savicevic (dois astros eslavos) e Marcel Desailly como estrangeiros e não menos brilhantes. 

Johan Cruyff, pelo lado do Barça, se orgulhava de ter Ronald Koeman (capitão e responsável pelo gol do título da LC de 1992, em cima da Sampdoria), Romário e Stoichkov. Se deu ao luxo de dispensar o gênio danês Michael Laudrup para não sacar nenhum destes três supracitados. Uma dinastia.

Pois bem, com bola rolando após as festinhas características do certame estrelado, tivemos um baita jogo. Ficará sempre na memória dos rossoneri, e um dia para enterrar a sete palmos para os barcelonistas, como poucas datas na história recente do pavilhão da Catalunha. Só deu Milan, que pareceu enfrentar um adversário no easy com handicap no 1 e com sete em campo. Um banho de futebol, uma aula de como jogar uma final de campeonato. Puta que la merda.

Naquele tempo o mundo ainda não esperava o sacode francês em cima do Brasil, no Stade de France. E em tempos de vacas raquíticas e decisões xoxas, iminência de penalidades para definir campeões mundo afora, o marasmo não teve espaço. Ah, mas não mesmo. Massaro tratou de dar corda aos companheiros e fez o tento inaugural aos 22. Um cartão de boas vindas aos rivais espanhóis. O mesmo rapaz que bateria forte com o cotovelo no rosto de Luis Enrique num duelo desses de Copa faria outro, aos 45. 

Sem dar colher de chá, Savicevic marcou aos dois minutos da etapa complementar. Completamente desestabilizado e sem esperanças, o Barça continuou rendido à velocidade e o jogo objetivo por parte do Milan, que não fez outra coisa além de jogar bola, jogar uma bola das mais convincentes que já se viu. E assim se fez até Desailly anotar o quarto e fechar a conta, para deixar os blaugranas boquiabertos e pensando que pasa, muchacho? que pasa? -Repare em Koeman ao fundo da foto lá em cima, completamente desolado e perdido- 

Claro que alguns anos depois (mais precisamente 12) o Barcelona iria obter seu troco. Não em forma de taça ou goleada, mas sim uma eliminação sofrida na semifinal da LC em 2006. Uma magra vitória de Ronaldinho e seus comparsas em Milão (gol de Giuly aos 57) valeu como passaporte para a decisão contra o Arsenal, não claro escapando de um empate sem gols e cheio de emoções no Camp Nou antes do estágio derradeiro.

E aí o amigo leitor se pergunta se o Barça nunca chicoteou o Milan antes em uma competição europeia. No alto dos históricos perdidos está uma goleada de 5-1 na primeira ronda da LC (que ainda era Copa dos Campeões Europeus) em 25 de novembro de 1959. Ficarei devendo quem marcou cada um dos gols. 

17 anos depois, com Romário e todos os outros que estiveram em campo em Atenas aposentados, é possível que tenhamos uma partida dura, mas com cautela de Guardiola e seus pupilos. Em outras palavras, vá esperando um duelo beirando a monotonia. Já que as vagas estão resolvidas nesta chave, fica difícil esperar grande apresentação de qualquer uma das duas frentes. Contudo, espero sinceramente estar tremendamente enganado nessa previsão...

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