sábado, 26 de novembro de 2011

Desafortunados: Joe Cole

Isso é Joe Cole: futebol arte, futebol moleque, de várzea, toco e me voy ao solo
(Foto: Negócios do futebol/ Expressão: Arthur Chrispin @achrispin)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Queridinho da Inglaterra na década de 2000, o Desafortunado de hoje realmente merece o adjetivo da seção. Dono de canelas (no caso joelhos) de vidro, como diz o vocabolário (vocabulário da bola, sacou? sacou? não? não. Ok.) do esporte bretão.

Acontece que além de se quebrar mais fácil do que biscoito de polvilho numa tarde de sol, Cole não era bom no Winning Eleven. Ao contrário de Junichi Inamoto, um dos últimos atletas citados aqui nesta editoria pelas palavras do amigo Lobão, vulgo @moret_. Naquelas gloriosas jogatinas virtuais, difícil ter algum amigo seu que optasse por Joãozinho como referência no meio campo. Na vida real, Joe Cole era sempre aquele reserva que se machucava. Quando titular, aproveitava bem a suas chances, até que alguma lesão o acometesse. Uma lástima.

Começou lá em 1998, no West Ham. Nesta temporada em particular, o meio campo hammer era mais lotado que o 7545- Praça Ramos na hora do almoço. Lá o nosso desafortunado de hoje aprendeu alguns fundamentos e alguns macetes com o jovem Frank Lampard, com o saudoso Marc-Vivien Foé, Paolo Di Canio, Jimmy Bullard, entre outros canalhas da terra da rainha. 

Pequeno Joe foi convocado para o Mundial de 2002, na Coreia e no Japão, seguindo a política britânica de recrutamento para jovens talentos abaixo dos 18 anos. Wayne Rooney, Gareth Barry e Theo Walcott são bons exemplos. Chamou a atenção com seu bom futebol (tolos dirigentes do Chelsea, mua-ha-ha-ha) e foi para o Stamford Bridge naquele inesquecível verão de 2003.

No início da era Roman Abramovich comandando (entenda $$) os Blues, era visível a estratégia por contratar jogadores de destaque no futebol inglês. Saindo de uma fase de jogadores míticos como Marcel Desailly, Emmanuel Petit, Claude Makelélé, Mario Stanic, entre outros que brilharam na década de 90, a agremiação londrina resolveu acreditar na promessa daquele rapazinho de 1,75m que mostrava bom passe, velocidade, e visão de jogo. A farsa estava para começar. Se bem que, treinados por Claudio Ranieri, era difícil sair algo de bom, de qualquer forma.

E daí que Cole conquistou a confiança e a simpatia da torcida azul e do público inglês, que clamava pelo seu nome na seleção. E você aí pensando que o hype por convocações é exclusividade do povo brasileiro. Sua primeira grande chance no English Team foi em 2004, na Euro em Portugal. Quem não se lembra daquele time incrível dos ingleses, David Beckham em chamas, Lampard inspirado, Steven Gerrard nem tanto e do famigerado escorregão de Becks no pênalti decisivo contra os lusos. Ah, que verão aquele...

Joe disputou apenas uma partida naquela Euro, contra a Croácia, ainda nos grupos, num 4-2 inglês, que já tinha vaga garantida para a próxima fase. Seguindo com boas atuações e costumeiros afastamentos por lesão, Cole tinha carisma e bola suficientes para se manter em bom nível na Premier League, sendo aquele jogador que entrava durante os cotejos já resolvidos para pentear a redonda e se desse, marcar um golzinho. 

Eis que Sven-Goran Eriksson inclui mais uma vez Joe Cole em sua lista para o Mundial de 2006. Titular em todos os cinco jogos do English Team, deixou boa impressão apesar da eliminação diante de Portugal, nas quartas. Fadado ao insucesso internacional, tal qual Gerrard, Lampard e Beckham, Joãozinho foi peça importante para o Chelsea até 2008, quando começou a amargar o banco. 

Em decadência técnica (bem precoce, diga-se de passagem) e lutando contra contusões complexas, Joe passou um dos momentos de maior vergonha na sua carreira, ao ser trocado por Yossi Benayoun no Chelsea e partir para o Liverpool. Logo na sua estreia, foi expulso num lance com Laurent Koscielny na peleja contra o Arsenal. Novo quadro de chinelagem impediu o queridinho da Inglaterra de ganhar sequência nos Reds, onde participou de apenas 11 encontros pela Premier League. 

Agora no Lille, Cole quer apagar a imagem de chinelinho com bom futebol (Europe 1.fr)
Recomeço à francesa
Depois do fracasso em terras beatlemaníacas, Joe foi emprestado ao Lille, campeão francês. Les Dogues tinham de se reforçar após a saída de Gervinho, Adil Rami e Yohann Cabaye e trouxeram alguns bons nomes  para a reposição. O nosso inglês pegou a camisa de número 26 e admite estar impressionado com os rumos tomados, ele que já está chegando na casa dos 30. 

"Estou sentindo aquele espírito outra vez. Aqui (em Lille) todos parecem se entender perfeitamente, além de sermos amigos. É um lugar animador e relaxante, as condições de trabalho são excelentes e tenho prazer de vir trabalhar todos os dias", confessou ao portal britânico Mirror Football. Que lindo, gente.

Tido como grande talento e estrela em território francês, Joãozinho terá sucesso nesta nova empreitada? Os cães de Lille irão latir felizes a cada vez que Cole fizer um gol? (marcou em seu debut contra o St. Etiénne) Será que os sinos tocarão com o retorno de mais um grande jogador aos relvados da Ligue 1? Eu não me canso de fazer perguntas ao fim dos textos?

Por fim, esta é a hora e a vez de Joseph John Cole? Rufem os tambores.


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